AbcMed

O que é glaucoma?

Monday, July 9, 2012
Avalie este artigo
O que é glaucoma?

O glaucoma é uma doença que atinge o nervo óptico e as células ganglionares da retina, danificando essas estruturas. Na maior parte das vezes, o glaucoma é causado pela hipertensão intraocular ocasionada por uma dificuldade de escoamento do humor aquoso, embora também possam existir outros fatores. O humor aquoso é produzido no corpo ciliar do olho, preenche a câmara anterior do olho e é drenado finalmente para o sistema venoso. Isso é feito mediante um gradiente de pressão intraocular. Se essa pressão intraocular se tornar elevada, pode sobrevir o glaucoma.

Quais os tipos de glaucoma que existem?

  • Glaucoma do ângulo aberto: representa cerca de 80% dos casos de glaucoma. Frequentemente é assintomático. Pode ser causado por uma obstrução do escoamento do humor aquoso do olho.
  • Glaucoma de ângulo fechado: caracterizado por um aumento súbito de pressão intraocular quando a pupila se dilata e bloqueia o fluxo do humor aquoso e leva a íris a bloquear a malha trabecular.
  • Glaucoma congênito: é uma condição genética rara que atinge bebês.
  • Glaucoma secundário: aparece como uma complicação de algumas outras condições médicas.

Quais são as causas do glaucoma?

Em geral, o glaucoma é causado por uma elevação da pressão intraocular, embora não exista uma relação direta entre o valor dela e o aparecimento da doença. Enquanto uma pessoa pode desenvolver dano no nervo óptico com pressões relativamente baixas, outra pode ter pressão intraocular elevada durante anos sem apresentar lesões.

A pressão intraocular maior do que 21,5 mmHg leva à compressão das estruturas da parede ocular interna e pode danificá-las. Entretanto, em um terço dos casos de glaucoma primário de ângulo aberto a pressão intraocular pode ser normal e muitas pessoas com pressão intraocular alta nunca terão glaucoma. O glaucoma secundário pode ocorrer como uma complicação de cirurgias oculares, catarata avançada, lesões oculares, uveítes, diabetes ou uso de corticoides.

Quais são os sinais e sintomas do glaucoma?

Os sintomas do glaucoma, sobretudo do glaucoma do ângulo aberto, podem variar de um caso para outro ou até mesmo não existirem. Uma complicação quase inevitável desta condição é a perda progressiva da visão. Ela atinge em primeiro lugar a visão periférica, sendo sutil a princípio, e muitas vezes não sendo percebida pelo paciente nessa fase. O paciente não nota a perda de visão até vivenciar a "visão tunelada" (perda da visão periférica com conservação da visão central, transmitindo ao paciente a impressão de estar vendo do interior de um túnel).

Nos glaucomas de ângulo fechado (geralmente agudo) pode haver dor, fotofobia, enjoo, cefaleia, redução da acuidade visual, visualização de um halo de luz brilhante e perda irreversível da visão em curto período de tempo. Por isso, é considerada uma situação de emergência que requer uma atenção médica imediata.

Nos glaucomas congênitos os recém-nascidos podem ter globos oculares aumentados e córneas embaçadas.

Se não for adequadamente tratado, o glaucoma pode levar a danos permanentes da retina, os quais podem progredir até a cegueira total.

Como o médico diagnostica o glaucoma?

Dois sinais chamam atenção para o diagnóstico de glaucoma. A pressão intraocular acima da média e as alterações no nervo ótico, captadas por meio do exame de fundo de olho. Outros fatores ajudam a confirmar o diagnóstico.

São necessários a tomada da pressão intraocular e o exame de fundo de olho, para avaliar se existe lesão do nervo óptico, gonioscopia (exame de visão para determinar o ângulo da câmara anterior do olho), para classificar o tipo de glaucoma e exame do campo visual.

Como o médico trata o glaucoma?

O principal objetivo do tratamento deve ser diminuir a pressão intraocular elevada. Ela pode ser diminuída com medicamentos, ou caso não diminua com o uso de medicamentos, por uma cirurgia tradicional ou a laser.

Há classes diferentes de medicamentos (colírios) para tratar o glaucoma. Cabe ao médico escolher entre os que diminuem a produção de humor aquoso, os que aumentam o seu fluxo normal, os que funcionam pela contração do músculo ciliar e os que aumentam o escoamento do humor aquoso.

O glaucoma crônico, que é o tipo mais comum da doença, requer tratamento indefinido.

Todos os medicamentos usados para controlar o glaucoma provocam sérios efeitos colaterais e por isso devem ser monitorados de perto pelo oftalmologista.

Quanto à cirurgia, tanto a tradicional quanto a cirurgia a laser podem ser realizadas para o tratamento do glaucoma. Ambas visam diminuir a pressão intraocular, facilitando o escoamento do humor vítreo.

A perda visual que já tenha sido estabelecida por causa do glaucoma é irreversível, mas pode ser prevenida ou retardada pelos tratamentos.

Como evitar o glaucoma?

Esteja atento aos fatores de risco:

  • Pessoas com histórico familiar de glaucoma.
  • Os negros são mais propensos ao glaucoma de ângulo aberto.
  • Os asiáticos têm maior tendência ao glaucoma de ângulo fechado.
  • Pessoas diabéticas são mais propensas a sofrerem glaucoma.
  • O efeito colateral de certos psicotrópicos pode desencadear glaucoma.
  • Consulte regularmente um oftalmologista, pelo menos uma vez por ano, após os 40 anos, para medir a pressão intraocular e fazer um exame de fundo do olho, sobretudo se você estiver incluído em um grupo de risco.
  • Evite o consumo de tabaco e café, pois estas substâncias podem aumentar a pressão ocular.

Como evolui o glaucoma?

O glaucoma não tratado ocasiona uma redução progressiva do campo visual periférico e acaba por chegar à perda total e irreversível da visão.

O colírio usado para baixar a pressão ocular deve ser usado para sempre.

Na maioria dos casos operados, a cirurgia deixa a pressão em um nível seguro, não precisando mais do uso de colírios, mas alguns pacientes podem apresentar dificuldades de controle e necessitarem de novas cirurgias ou de manter os colírios. Somente um oftalmologista pode avaliar cada caso e dizer o que é mais conveniente para cada paciente.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
O que é glaucoma? | AbcMed