AbcMed

Saiba mais sobre o papiledema ou edema da papila

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Avalie este artigo
Saiba mais sobre o papiledema ou edema da papila

O que é papiledema?

O papiledema é um inchaço da papila, ponto em que o nervo óptico entra no olho, e que é o disco central da retina, responsável pela visão. O papiledema é secundário a uma pressão intracraniana aumentada e quase sempre se apresenta bilateralmente.

Quais são as causas do papiledema?

As causas que elevam a pressão endocraniana e produzem o papiledema podem ser infecciosas, infiltrativas ou inflamatórias e podem dever-se a tumores ou lesões que ocupem espaço no sistema nervoso central, hipertensão intracraniana idiopática, diminuição da reabsorção do líquor (líquido que banha o cérebro) ou obstruções da sua circulação, produção aumentada do líquor, edema cerebral de diversas causas e uso de certas classes de medicamentos.

Muito frequentemente essas condições se devem a um tumor ou abscesso cerebral, a lesões traumáticas na cabeça, a hemorragias no cérebro, a uma infecção do cérebro ou das suas membranas, a uma trombose do seio cavernoso, à pressão arterial alta ou a doenças pulmonares graves.

Qual é a fisiopatologia do papiledema?

O inchaço da papila é o resultado da estase intra-axonal na área do disco óptico. O espaço subaracnoide do cérebro faz continuidade com a bainha do nervo óptico. Assim, como o fluido cerebroespinhal aumenta a pressão transmitida para o nervo óptico e para a bainha do nervo, isso leva a um inchaço da cabeça do nervo. Nos casos de atrofia no nervo ótico, o papiledema pode estar ausente, devido à diminuição no número de fibras nervosas fisiologicamente ativas.

Quais são as principais características clínicas do papiledema?

O papiledema agudo pode desenvolver-se rapidamente, em horas ou semanas. Em contraste com outras causas de inchaço do disco óptico central, a visão é geralmente bem preservada. Muitas vezes o papiledema é assintomático e é encontrado num exame oftalmológico de rotina. A maioria dos sintomas de um paciente com papiledema são secundários à elevação da pressão intracraniana subjacente e constam de dores de cabeça, piores ao despertar e exacerbadas pela tosse, náuseas e vômitos e zumbido pulsátil.

Os sintomas visuais muitas vezes estão ausentes, mas podem ocorrer. Alguns pacientes experimentam obscurecimentos visuais ou cintilação transitórios. Também pode ocorrer visão turva, constrição do campo visual e diminuição da percepção de cores. A diplopia é rara e a acuidade visual geralmente é bem preservada, exceto na doença muito avançada. Outros sinais e sintomas podem incluir hiperemia discal, edema sutil das fibras nervosas com obscurecimento de finos vasos peripapilares, pequenas hemorragias e pulsações venosas espontâneas.

As manifestações tardias do papiledema que continua a agravar-se obscurecem as margens da papila e elas se tornam grosseiramente elevadas; desenvolve-se uma congestão venosa e hemorragias peripapilares, juntamente com exsudato, manchas algodonosas e a retina desenvolve dobras radiais. Se o papiledema persiste por meses, o disco central se torna cinza ou pálido e com o tempo pode desenvolver depósitos cristalinos brilhantes. O campo visual comumente mostra um aumento do ponto cego e uma pseudo-hemianopsia bitemporal pode ser vista.

Como o médico diagnostica o papiledema?

De início, deve ser tomada uma detida história clínica e um exame físico minucioso, pela possibilidade de detectar a enfermidade subjacente. O paciente deve ser avaliado para problemas neurológicos e doenças febris, principalmente. Os exames de sangue geralmente não contribuem para o diagnóstico de edema de papila, mas ajudam a levantar suspeitas sobre as enfermidades subjacentes.

As neuroimagens obtidas, por exemplo, com ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética do cérebro são de grande ajuda. A angiofluorescência pode ser usada para ajudar a estabelecer o diagnóstico. Uma punção lombar deve ser realizada, sempre que possível, mesmo após imagens normais, para avaliar a pressão do líquido cefalorraquidiano e obter material para análise laboratorial. Um diferencial tem que ser feito com complicações agudas da sarcoidose, neurite óptica, neuropatia óptica isquêmica anterior, oclusão da veia central da retina, compressões exercidas por neuropatias ópticas, hipertensão intracraniana idiopática, toxoplasmose e uveíte.

Como o médico trata o papiledema?

O tratamento deve ser adaptado ao processo patológico subjacente e à progressão dos achados oculares. Pode ser necessário recorrer à medicação ou à cirurgia para aliviar a pressão. A terapia específica deve ser direcionada para a lesão da massa subjacente, se presente. Os diuréticos podem ser úteis em casos selecionados, especialmente casos de hipertensão intracraniana idiopática. Nessa condição, a redução de peso é recomendada e pode ser curativa.

Os corticosteroides podem ser eficazes nos casos associados com doenças inflamatórias. Deve ser procedida a retirada de eventuais medicamentos causadores. Uma derivação ventrículo-peritoneal pode ser usada para drenar o líquido cefalorraquidiano. A descompressão da bainha do nervo óptico pode ser usada para aliviar o agravamento de sintomas oculares em casos de hipertensão intracraniana idiopática não controlada com medicação.

Como evolui o papiledema?

O prognóstico visual é bom se a pressão intracraniana estiver controlada. Se a pressão alta intracranial não for bem controlada, o nervo óptico e o cérebro podem ficar lesados de forma permanente.

Quais são as complicações possíveis do papiledema?

O papiledema duradouro ou persistente pode, eventualmente, levar à cegueira permanente.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Saiba mais sobre o papiledema ou edema da papila | AbcMed