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A meningite meningocócica e suas caraterísticas

segunda-feira, 27 de novembro de 2023
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A meningite meningocócica e suas caraterísticas

O que é meningite meningocócica?

As meninges são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Meningite é um processo inflamatório localizado nessas membranas, por conta de uma bactéria.

A meningite meningocócica é quando a infecção é causada por uma bactéria específica, conhecida como meningococo. Trata-se de uma doença rara, porém grave. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, é a forma de meningite bacteriana mais frequente no Brasil.

Quais são as causas da meningite meningocócica?

A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Ela se espalha de pessoa para pessoa através de gotículas liberadas pela respiração, tosse e/ou espirros, e é mais comum em situações em que as pessoas estão em contato próximo, como dormitórios escolares, quartéis militares e outros ambientes semelhantes.

A meningite meningocócica pode ocorrer em surtos, especialmente em locais superlotados.

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Qual é o substrato fisiopatológico da meningite meningocócica?

A infecção pela Neisseria meningitidis geralmente começa no trato respiratório superior. Quando, posteriormente, a bactéria atinge o sistema nervoso central, ela pode atravessar a barreira hematoencefálica e entrar nas meninges, onde desencadeia uma resposta inflamatória do sistema imunológico, como parte da tentativa do corpo de se defender da infecção.

Em alguns casos, a bactéria invade a corrente sanguínea, gerando uma condição conhecida como bacteremia meningocócica ou meningococcemia, de extrema gravidade. No entanto, pode ficar restrita às meninges, sem ocasionar uma invasão sanguínea.

A presença da bactéria nas meninges leva à liberação de citocinas, que são moléculas sinalizadoras do sistema imunológico, mas que também aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos nas meninges e atrai células imunológicas para o local da infecção, o que resulta em uma inflamação aguda das meninges. Essa resposta inflamatória pode causar lesões nos vasos sanguíneos das meninges, levando a uma perda de integridade da barreira hematoencefálica, permitindo que as células imunológicas e substâncias inflamatórias alcancem o espaço entre as meninges e o cérebro, causando danos adicionais.

A inflamação e o acúmulo de fluido nas meninges podem aumentar a pressão dentro do crânio, o que pode causar sintomas neurológicos graves e danos neuronais significativos.

Quais são as características clínicas da meningite meningocócica?

A meningite meningocócica pode atingir qualquer pessoa em qualquer idade, sem distinção de sexo, raça ou cor. Ela começa agudamente e com uma febre alta na maioria dos casos. A rigidez no pescoço é um dos sintomas clássicos da doença e ocorre devido à inflamação das meninges. É comum que o paciente tenha uma dor de cabeça muito intensa, que pode ser um dos primeiros sinais de gravidade. A sensibilidade à luz (fotofobia) é outra característica comum da meningite meningocócica. Os pacientes com essa condição muitas vezes experimentam náuseas e podem vomitar.

À medida que a doença progride, podem ocorrer irritabilidade e confusão mental. As petéquias (pequenas manchas vermelhas ou roxas na pele) são uma erupção cutânea característica da meningite meningocócica e são sinal de sangramento sob a pele. Em casos graves, a meningite meningocócica pode levar a convulsões e choque, com pressão arterial baixa, taquicardia e comprometimento de vários órgãos.

Como o médico diagnostica a meningite meningocócica?

O diagnóstico da meningite meningocócica começa pela análise dos sinais e sintomas. Os exames laboratoriais ajudam a esclarecer a natureza do quadro clínico. Podem ser solicitados exames de sangue para analisar a quantidade de leucócitos, neutrófilos e proteína C reativa, que indicam infecção.

O estudo do líquido cefalorraquidiano, bem como um raspado das lesões petequiais podem ajudar a identificar o agente causador da meningite.

Exames de imagens, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, ajudam a avaliar possíveis complicações da meningite.

As petéquias podem ser pressionadas com um copo transparente (teste do copo) para verificar se elas desaparecem ou não. Se não desaparecerem, isso indica um sinal de meningite bacteriana.

Como o médico trata a meningite meningocócica?

Desde que tratada prontamente, a meningite meningocócica tem cura. É importante diagnosticar e tratar a doença o mais rápido possível para reduzir o risco de complicações graves ou morte.

O tratamento deve ser feito no hospital, com injeção de antibióticos na veia, durante cerca de 7 dias. Durante o tratamento, as pessoas que visitarem o paciente (geralmente limitadas aos parentes mais próximos) devem utilizar máscaras de proteção, uma vez que a transmissão da meningite meningocócica ocorre através das secreções respiratórias. No entanto, não é necessário que o paciente fique em isolamento.

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Como evolui a meningite meningocócica?

A meningite meningocócica pode se desenvolver rapidamente e a doença pode progredir de forma aguda, levando ao óbito em 20% a 30%, aproximadamente, das pessoas contaminadas. Entre 10% e 20% dos que resistem à doença ficam com alguma sequela, como perda de audição ou alterações neurológicas, entre outras.

Como prevenir a meningite meningocócica?

A melhor forma de prevenir a meningite meningocócica é através da vacinação. Estão disponíveis vacinas que oferecem proteção contra vários tipos de Neisseria meningitidis, incluindo os sorogrupos A, B, C, W e Y.

As diretrizes de vacinação podem variar de acordo com a localização geográfica e a idade, por isso é importante consultar um profissional de saúde para determinar qual vacina é mais apropriada para cada caso.

Quais são as complicações possíveis com a meningite meningocócica?

A doença pode progredir rapidamente e levar a complicações graves, como choque séptico, insuficiência de múltiplos órgãos e, em casos extremos, morte.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Fundação Ezequiel Dias e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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