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Algumas situações médicas pouco comuns

terça-feira, 23 de novembro de 2021
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Algumas situações médicas pouco comuns

O que são situações médicas pouco comuns?

Em todas as especialidades da Medicina, o médico lida mais frequentemente com problemas comuns que constituem o dia a dia da sua clínica. Assim, por exemplo, grande parte dos clientes de um endocrinologista são diabéticos; de um cardiologista são pessoas que têm pressão alta; de um oftalmologista, pessoas que têm miopia ou hipermetropia, etc. Mas, com menor frequência, todo médico lida também com situações menos comuns, as quais se constituem num maior desafio profissional.

Exemplos de algumas situações médicas pouco comuns

Afantasia

Afantasia, também conhecida como imaginação cega, é uma condição mental caracterizada pela incapacidade de visualizar voluntariamente imagens mentais a partir da memória. Muitas pessoas com afantasia também relatam uma incapacidade de recordar sons (músicas e vozes), cheiros ou sensações de toque e alguns também relatam a incapacidade de reconhecer rostos (prosopagnosia).

O fenômeno foi descrito pela primeira vez por Francis Galton em 1880, mas desde então permaneceu relativamente pouco estudado. O termo aphantasia foi criado em 2015 pelo professor Adam Zeman, da Universidade de Exeter, que retomou os estudos sobre o assunto. Mesmo assim, a pesquisa sobre a condição ainda é escassa. Estima-se que cerca de 2,5% da população tenham o problema. O termo "afantasia" é derivado da palavra grega phantasia, que se traduz por "imaginação", e o prefixo "a", que significa "sem".

Eflúvio telógeno

O eflúvio telógeno é uma condição que se caracteriza pelo aumento da queda diária de fios de cabelo em grande quantidade. Pode ser agudo ou crônico. O eflúvio telógeno agudo é decorrente de algum evento acontecido três meses antes, porque a preparação para a queda dura de dois a três meses e os fios só se desprendem ao final desse ciclo. Os eventos mais associados a ele são: pós-parto, febre, infecção aguda, sinusite, pneumonia, gripe, dietas muito restritivas, doenças metabólicas ou infecciosas, cirurgias, estresse e algumas medicações. O eflúvio telógeno crônico se assemelha à versão aguda, porém com ciclos de aumento dos fios na fase de queda, de forma cíclica, uma ou duas vezes por ano, ou a cada dois anos, dependendo do paciente.

Não há um tratamento específico para casos de eflúvio telógeno, mas ele geralmente é autolimitado e tem duração predeterminada. Além disso, existem algumas excelentes opções para quem deseja estimular o crescimento capilar que podem ser aconselhadas por um dermatologista

Bioimpedância

A bioimpedância é um exame que mede separadamente a quantidade de gordura, de músculos e demais componentes do corpo pela oposição oferecida pelos diversos tecidos à passagem de uma pequena corrente elétrica (impedância) ao longo de todo o corpo. Tecidos que tenham mais água e íons na sua composição, como o músculo e o sangue, oferecem menor resistência (menor impedância) à passagem da corrente elétrica que o tecido adiposo, pele e ossos, que conduzem mal a eletricidade.

A balança de bioimpedância tem sobre as balanças comuns a vantagem de fornecer separadamente as porcentagens aproximadas dos vários componentes corporais (gordura, músculos, ossos, etc.), enquanto as outras apenas fornecem o peso total do corpo. A bioimpedância é de grande utilidade para endocrinologistas, nutricionistas, esteticistas e profissionais de educação física. Ela substitui com vantagens os métodos antigos de calcular a massa de gordura e de músculos.

Leia sobre "Índice de massa corporal", "Como medir a sua cintura", "Obesidade" e "O perigo das dietas".

NEVIL

O NEVIL é a sigla para referir-se ao Nevo Epidérmico Verrucoso Inflamatório Linear, cunhada por Altman y Mehregan em 1971. Ele é uma variação clínica rara do nevo epidérmico verrucoso. Trata-se de uma doença benigna rara e congênita de pele que se manifesta como um crescimento linear e pigmentado na pele. Muitas vezes, os NEVIL(s) são lesões pruriginosas. Normalmente acometem mais pacientes do sexo feminino e na maioria dos casos é unilateral.

As causas desse acontecimento ainda não são inteiramente sabidas. Supõe-se que ele se deva a alguma mutação genética. O tratamento é pouco eficiente e é feito com corticoides tópicos, para aliviar a coceira, vitamina D e alcatrão para tentar controlar e eliminar as feridas.

Hidrocistomas

Os hidrocistomas são pequenos tumores benignos oriundos das glândulas sudoríparas. Aparecem como vesículas translúcidas, arredondadas, pequenas, não dolorosas, com conteúdo líquido. Em geral, localizam-se nas margens das pálpebras, ao redor dos olhos, após obstrução do ducto da glândula de Moll (glândula sudorípara da pálpebra que desemboca no folículo da pestana) e costumam ser únicos. Embora sua retirada seja relativamente simples, costuma não ser definitiva, sendo possível ocorrerem múltiplas recidivas.

Pilomatrixoma palpebral

O pilomatrixoma ou pilomatricoma é um raro tumor cístico benigno que se origina nas células da base do folículo piloso. Foi primeiramente descrito por Malherbe, em 1880, e por isso é chamado também de epitelioma calcificado de Malherbe. É mais frequente na pálpebra superior ou no supercílio de crianças e adultos jovens. Forma um pequeno nódulo dérmico ou subcutâneo, normalmente único, de consistência muito dura, devido à frequente calcificação do tumor.

Os pilomatrixomas são derivados de células basais primitivas da epiderme, que se diferenciam em células da matriz dos pelos. Quanto à clínica, apresentam-se como nódulos assintomáticos, com coloração semelhante à pele normal, localizados predominantemente na cabeça, pescoço ou nas extremidades superiores, de consistência habitualmente dura, crescimento lento e na maioria dos casos solitários. A excisão cirúrgica é recomendada para prevenir o seu crescimento ou comprometimento estético, não havendo recidiva como regra.

Epilepsia abdominal

A Epilepsia Abdominal é uma condição muito rara que pode ser reconhecida por quatro critérios básicos:

  1. Episódios paroxísticos com suas manifestações clínicas, principalmente dor abdominal, mas também náuseas, vômitos, inquietação, angústia.
  2. Alterações do nível e consciência, pelo menos em alguns episódios.
  3. Anormalidades eletroencefalográficas.
  4. Bom resultado frente à terapia anticonvulsivante.

Contudo, a epilepsia abdominal é de diagnóstico difícil devido sobretudo à grande variedade de causas de dor abdominal recorrente na infância.

Veja também sobre "Neurose de angústia", "Estresse", "Ansiedade generalizada" e "Depressão".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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