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Anemia microcítica

quinta-feira, 2 de março de 2023
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Anemia microcítica

O que é anemia microcítica?

A anemia microcítica é um tipo de anemia caracterizada pela presença de glóbulos vermelhos (hemácias) menores do que o normal na corrente sanguínea. O volume corpuscular médio normal das hemácias é de 80-100 fL (fentolitros) ou μm³ (micrômetros cúbicos), unidades de medida de volume igual a 10-15 do litro. Quando as células são menores que 80 fL significa que se trata de uma anemia microcítica.

Isso resulta em uma diminuição na quantidade de hemoglobina nos glóbulos vermelhos, o que, por sua vez, reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo. Na anemia microcítica, as células vermelhas do sangue são mais pálidas que o normal ao microscópio, devido a uma baixa da hemoglobina corpuscular. Normalmente, portanto, essa anemia é descrita como anemia hipocrômica microcítica, embora possam haver casos de anemias microcíticas normocrômicas e até hipercrômicas.

Quais são as causas da anemia microcítica?

Existem várias causas de anemia microcítica, conforme o tipo dela. Na forma hipocrômica, a causa mais comum é a deficiência de ferro no sangue, que pode dever-se a uma ingestão insuficiente de ferro, a uma absorção prejudicada do elemento, à perda de sangue crônica ou à gravidez.

Além disso, há anemias microcíticas causadas por anomalias hereditárias e/ou mutações em genes, como a talassemia e a anemia sideroblástica.

Na forma normocrômica, a anemia pode ocorrer em situações de infecção e doenças crônicas; em pessoas com doenças infecciosas, como tuberculose, HIV ou endocardite; nas doenças inflamatórias, como artrite reumatoide, doença de Crohn ou diabetes mellitus; nas doenças renais e no câncer.

A anemia microcítica hipercrômica (rara) pode ser causada ​​por uma condição genética conhecida como anemia esferocítica congênita, também chamada de esferocitose hereditária.

Ainda outras causas de anemia microcítica incluem toxicidade por chumbo, falta de cobre, excesso de zinco e uso de álcool e/ou drogas.

Leia mais sobre "Anemias em geral", "Ferritina" e "Ácido fólico".

Qual é o substrato fisiopatológico da anemia microcítica?

Os glóbulos vermelhos geralmente têm um período de vida de cerca de 120 dias, e são então destruídos pelo baço e constantemente substituídos pela medula óssea. Eles contêm hemoglobina, que carreia oxigênio e que é uma proteína que contém ferro, um dos componentes importantes dos glóbulos vermelhos. O oxigênio que entra nos pulmões se liga à hemoglobina e graças a ela é transportado pelos vasos sanguíneos por todo o corpo para manter os órgãos e tecidos em funcionamento.

Se os níveis de ferro ou hemoglobina estiverem baixos, os glóbulos vermelhos não se desenvolvem adequadamente e não transportam o oxigênio como deveriam. Nesse caso, os pequenos glóbulos vermelhos podem se tornar hipocrômicos. O ferro em falta na anemia microcítica se deve a uma deficiência dele na dieta ou ele pode ter sido perdido devido a sangramentos. Pode levar semanas para que uma dieta de recuperação ou suplementos recuperem o ferro perdido, e isso pode levar à anemia microcítica persistente.

Por outro lado, as doenças crônicas podem causar hemólise e interferir na produção de glóbulos vermelhos e no metabolismo do ferro, também contribuindo para a anemia microcítica.

Quais são as características clínicas da anemia microcítica?

Na anemia microcítica hipocrômica, os glóbulos vermelhos têm menos hemoglobina do que o normal, o que os torna mais pálidos. Nas formas normocrômicas, os glóbulos vermelhos têm uma quantidade normal de hemoglobina e a cor deles é mais clara e profunda. Nas formas hipercrômicas, os glóbulos vermelhos têm mais hemoglobina do que o normal, o que confere a eles um tom de vermelho mais escuro do que o normal.

De início, a anemia microcítica pode nem gerar sintomas, os quais só começam a aparecer em um estágio avançado da doença, quando a falta de glóbulos vermelhos passa a afetar os tecidos. Os sintomas mais comuns, então, são: fadiga, fraqueza, dificuldade de concentração, perda de resistência, falta de ar, tontura e pele pálida.

Como o médico diagnostica a anemia microcítica?

Muitas vezes, as anemias microcíticas só são percebidas quando o médico pede um exame de sangue, conhecido como hemograma, por outro motivo. Se ele indicar anemia, o médico fará um exame da amostra de sangue em um microscópio com outro teste conhecido como esfregaço de sangue periférico, o qual permite avaliar o tamanho, a estrutura e a quantidade das células sanguíneas. Este teste pode ajudar a detectar alterações microcíticas ou macrocíticas precoces nos glóbulos vermelhos, bem como hipocromia, normocromia ou hipercromia.

Assim que a anemia microcítica for diagnosticada, testes adicionais devem ser feitos para determinar a causa subjacente da doença. Se houver a suspeita de sangramentos crônicos, os seguintes testes podem ser feitos, com vistas a localizá-lo: ultrassonografia abdominal, endoscopia gastrointestinal alta e tomografia computadorizada do abdômen.

Como o médico trata a anemia microcítica?

O tratamento da anemia microcítica depende da causa subjacente. Se a simples deficiência de nutrientes for a causa, o tratamento pode ser relativamente simples e basta restaurar a ingestão normal de ferro. Os outros casos podem ser de tratamento um pouco mais complexo.

Enquanto pesquisa a causa, o médico pode recomendar que o paciente tome suplementos de ferro e vitamina C. Enquanto o ferro ajuda a tratar a anemia, a vitamina C ajuda a aumentar a capacidade do corpo de absorvê-lo. O tratamento também pode incluir mudanças na dieta e, em alguns casos, tratamento médico específico para a doença subjacente.

Em casos excepcionalmente graves de anemia microcítica, em que possa haver risco de complicações, pode ser necessário fazer uma transfusão de sangue, que pode aumentar rapidamente o número de glóbulos vermelhos saudáveis.

Quais são as complicações e riscos possíveis com a anemia microcítica?

Em casos muito graves, a anemia microcítica não tratada pode causar hipóxia tecidual, pressão arterial baixa, problemas nas artérias coronárias, problemas pulmonares e choque.

Conheça outros tipos de anemia: "Anemia perniciosa", "Anemia de Fanconi", "Anemia hemolítica", "Anemia falciforme" e "Anemia na gravidez".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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