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Artrite enteropática - uma em cada cinco pessoas com doença inflamatória intestinal desenvolverá este tipo de artrite

quarta-feira, 22 de maio de 2019
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Artrite enteropática - uma em cada cinco pessoas com doença inflamatória intestinal desenvolverá este tipo de artrite

O que é artrite?

A “artrite” não é uma doença única, mas um numeroso grupo de doenças que têm em comum o fato de comprometerem as articulações. Existem mais de 100 tipos diferentes de artrite e condições médicas relacionadas. Por isso mesmo o termo “artrite” quase sempre aparece adjetivado: artrite reumatoide, artrite degenerativa, artrite inflamatória, etc.

Pessoas de todas as idades, sexos e raças podem ter artrite, mas ela é mais comum entre as mulheres e ocorre com mais frequência à medida que as pessoas envelhecem. Os sintomas comuns da artrite podem ser leves, moderados ou graves; incluem inchaço, dor, rigidez e diminuição da amplitude de movimento das articulações. A artrite grave pode resultar em dor crônica, incapacidade de realizar atividades diárias e dificultar a caminhada ou a subida de escadas.

Saiba mais sobre "Artrite", "Artrite reumatoide" e "Artrite reacional".

O que é artrite enteropática?

A artrite enteropática é um tipo de artrite que pode se desenvolver em pessoas com doença inflamatória intestinal, como colite ulcerativa ou doença de Crohn, por exemplo. Ela pertence a uma família de doenças chamadas espondiloartropatias soronegativas, que incluem espondilite anquilosante, artrite psoriásica e artrite reativa.

Quais são as causas da artrite enteropática?

Mesmo que a patogênese da artrite enteropática ainda não tenha sido totalmente esclarecida, há a observação de que a inflamação articular ocorre em indivíduos geneticamente predispostos. Além da reconhecida suscetibilidade genética, um papel importante também foi dado aos fatores ambientais no desencadeamento do aparecimento da doença. Embora classicamente seja associada com colite ulcerativa e doença de Crohn, outras doenças gastrointestinais, como a doença de Whipple, a doença celíaca e a cirurgia de bypass intestinal também podem estar associadas a uma artrite enteropática. Também pode ser raramente desencadeada por enterite devido à Salmonella, Shigella ou Yersinia.

Qual é o mecanismo fisiológico da artrite enteropática?

Há relação entre a inflamação bacteriana da mucosa intestinal e a artrite. As teorias atuais pregam uma migração de linfócitos ou macrófagos desde a mucosa intestinal inflamada até as articulações. Vários estudos têm avaliado o papel da flora intestinal na eclosão e progressão da doença e sugerido a possível via envolvida na inflamação articular e intestinal, que pode ser a seguinte: na fase aguda da inflamação, as infecções bacterianas podem causar inflamação intestinal aguda e certas bactérias podem sobreviver intracelularmente em macrófagos que trafegam até as articulações, onde causam artrite em hospedeiros geneticamente predispostos.

Quais são as principais características clínicas da artrite enteropática?

A artrite enteropática afeta tipicamente pessoas mais jovens, entre 15 e 40 anos de idade, homens ou mulheres, mas as pessoas mais velhas também podem ter a doença. Os sintomas específicos da artrite enteropática variam de pessoa para pessoa. Geralmente afeta as articulações dos membros inferiores e da coluna, mas qualquer outra articulação também pode ser afetada. Ela pode causar dores generalizadas debilitantes pelo corpo, semelhantes às da fibromialgia. Nem todas as pessoas que têm uma doença inflamatória intestinal terão artrite enteropática. Apenas cerca de uma em cada cinco pessoas com doença inflamatória intestinal desenvolverá artrite enteropática.

Os sintomas da artrite enteropática podem ser muito diferentes de uma pessoa para outra. Alguns pacientes com artrite enteropática experimentam um surto de dor nas articulações, mais ou menos ao mesmo tempo que a doença intestinal se inflama. Em outros, a artrite não está associada aos surtos de doença intestinal e pode se manifestar independentemente deles.

A apresentação mais comum da doença se dá por meio de dores nas articulações e/ou em todo o corpo, mas não há inflamação ou inchaço nas articulações, embora as dores possam ser intensamente debilitantes. Outra apresentação da artrite enteropática resulta em inflamação da coluna e das articulações sacroilíacas (articulações entre a coluna e a pelve), levando a dores nas costas, que também podem ser debilitantes.

A artrite enteropática pode afetar de forma aguda as articulações periféricas, sobretudo na parte inferior do corpo (tornozelos, joelhos, quadris) e ocasionalmente os punhos e cotovelos. Menos comumente, pode haver artrite periférica crônica afetando essas e outras articulações (cotovelos, ombros, pulsos, etc.).

Leia sobre "Fibromialgia", "Espondilite anquilosante", "Doença de Crohn" e "Colite ulcerativa".

Como o médico diagnostica a artrite enteropática?

Não há um teste específico para confirmar o diagnóstico de artrite enteropática. O diagnóstico é realizado através da confirmação da presença de doença inflamatória intestinal e descartando as outras causas de artrite. A artrite é melhor diagnosticada pelo reumatologista e a doença inflamatória intestinal pelo gastroenterologista. Para fazer o diagnóstico, o médico deve coletar uma história completa e realizar um exame físico específico. Através dessas informações, o médico solicitará a realização de alguns exames de laboratório e de imagem para confirmar o diagnóstico.

A maioria das pessoas com doença inflamatória intestinal descobrirá que tem artrite enteropática depois de desenvolver dores no corpo ou nas articulações. Às vezes, dá-se o contrário quando algumas pessoas com sintomas de artrite descobrem que têm doença inflamatória intestinal.

Como o médico trata a artrite enteropática?

O manejo adequado de pacientes com artrite enteropática requer uma cooperação ativa entre gastroenterologista e reumatologista. Os corticosteroides e outras medicações úteis para conter a inflamação intestinal levam também à redução dos sintomas da artrite. A experiência sugere que a maioria dos pacientes responde prontamente a drogas anti-inflamatórias, úteis para controlar a inflamação conjunta.

Os imunossupressores mostram eficácia em alguns pacientes com artrite enteropática e outros componentes extraintestinais. Alguns autores também propuseram o uso de probióticos para tratar pacientes com doença inflamatória intestinal e artrite. Os probióticos alteram a flora intestinal e limitam as artralgias persistentes dos sujeitos nos estágios iniciais da doença, ou seja, antes do início do dano articular.

Finalmente, considerando-se o alto risco cardiovascular entre os pacientes com doença inflamatória intestinal, os medicamentos cardiovasculares comuns podem prevenir ou tratar a doença arterial coronariana e controlar a doença inflamatória intestinal.

Como evolui a artrite enteropática?

As dores podem melhorar se a doença intestinal inflamatória for adequadamente tratada, mas em pessoas em que a artrite enteropática afeta a coluna ou as articulações sacroilíacas o controle adequado da doença intestinal pode não melhorar a inflamação articular.

Veja também sobre "Benefícios dos probióticos" e "Corticoides".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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