As doenças transmitidas por carrapatos

Sobre os carrapatos
Carrapatos são ectoparasitas que se alimentam do sangue de mamíferos (cavalos, bovinos, roedores, cães, gatos e, inclusive, humanos), aves e répteis, e podem transmitir, por meio de picadas, diversos germes causadores de doenças.
Os carrapatos existem na natureza em três fases: larvas, ninfas e adultos. Eles são de diferentes tamanhos, desde o tamanho de uma semente de papoula até aproximadamente o tamanho de uma semente de melancia. Eles não voam, saltam ou caem de árvores ou arbustos altos, mas todos eles se fixam em animais ou pessoas que entram em contato direto com eles e podem levá-los a adoecer.
Costumam ser encontrados em áreas de arbustos, árvores ou gramíneas. O carrapato não permanece no corpo do animal durante toda a sua vida, ele vai ao solo para colocar seus ovos. Dos ovos surgem as larvas, que sobem na grama e arbustos à procura de um novo hospedeiro.
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Quais são as doenças transmitidas por carrapatos?
Os carrapatos podem transmitir, entre outras, as seguintes doenças:
1. Doença de Lyme
A Doença de Lyme é uma doença infecciosa causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, transmitida a pessoas e animais através da picada por carrapatos minúsculos. Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo. Normalmente, a doença causa sintomas na dependência da fase de infecção, os quais incluem febre, erupção cutânea, paralisia facial e artrite. Esses sintomas são também comuns a outras condições de saúde e por isso o diagnóstico pode ser difícil, devendo sempre serem levados em conta os dados epidemiológicos.
Os doentes tratados com antibióticos apropriados nas fases iniciais da doença normalmente se recuperam rápida e completamente. A melhor maneira de se prevenir contra a doença de Lyme é reduzir ou evitar a exposição a carrapatos. Os carrapatos já aderidos à pele devem ser removidos rapidamente, mas de forma correta, para não injetarem uma quantidade ainda maior de bactérias no organismo. A doença recebeu esse nome por conta dos diversos casos que ocorreram em 1997, na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA).
2. Febre Maculosa
A Febre Maculosa, tifo exantemático ou febre do carrapato é uma infecção rara causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, de gravidade variável, que geralmente se apresenta com febre alta, dor de cabeça severa e fadiga, sintomas que surgem entre 2 e 14 dias após ter sido picado por um carrapato de cão infectado. Com a evolução da doença podem surgir petéquias, dores abdominais, dores articulares e diarreia. Ao picarem uma pessoa para se alimentarem, os carrapatos hematófagos regurgitam saliva contaminada que eles trazem em suas glândulas salivares. A febre maculosa é transmitida principalmente pelos carrapatos de cães e de cavalos. Esses carrapatos atacam o homem em todas as suas fases (larvas, ninfas e adultos). As capivaras são o maior reservatório natural dos carrapatos, mas eles podem ser encontrados também em animais de grande porte como bois e cavalos e em cães, aves, roedores e cobras. Não há contágio de pessoa para pessoa.
As máculas eritematosas (origem do nome da doença) na pele se localizam nos punhos, tornozelos, tronco, face, mãos e pés, e podem aparecer logo nos primeiros dias. Na área em que houve a picada do carrapato, pode aparecer uma úlcera necrótica e nos casos mais graves pode haver necrose nos dedos, orelhas, palato mole e genitais. Como a bactéria infecta as células que revestem internamente os vasos sanguíneos, causa vasculites e as manifestações severas desta doença podem envolver o sistema respiratório, o sistema nervoso central (SNC), o sistema gastrointestinal e o sistema renal. Se não diagnosticada e tratada rapidamente, a doença pode levar a complicações como miocardite, insuficiência respiratória, insuficiência renal e septicemia e pode, inclusive, ser fatal (em cerca de 20% dos casos).
Saiba mais sobre "Doença de Lyme" e "Febre maculosa".
3. Babesiose
A Babesiose é causada pelo protozoário Babesia canis, capaz de causar a infecção nas células vermelhas do sangue, destruindo-as e levando a uma anemia grave. Ela é transmitida por várias espécies de carrapatos. A maioria das pessoas infectadas não mostra sinais de doença, pelo menos inicialmente. Quando ocorrem os sintomas, eles começam gradualmente em cerca de 1 a 6 semanas após a picada por um carrapato infectado e podem incluir febre, calafrios, dor de cabeça, dores articulares e musculares, fadiga, náuseas, vômitos, dor abdominal e urina escura. Idosos e pessoas sem baço ou sem um sistema imunológico saudável são mais propensos a desenvolver sintomas graves.
4. Anaplasmose
A Anaplasmose ou Erliquiose granulocítica humana é causada por bactérias que afetam determinados glóbulos brancos, levando à destruição deles. É uma doença de difícil diagnóstico e tratamento. Os sintomas aparecem em 7 a 14 dias depois da picada do carrapato infectado e podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios, sudorese, náuseas e vômitos. Uma vez que os sintomas podem vir a oferecer risco de vida, o tratamento imediato é necessário. Os idosos e imunodeprimidos são mais propensos a desenvolver sintomas graves.
5. Tularemia
A Tularemia é causada por bactérias que podem ser transmitidas para as pessoas de diversas maneiras, incluindo por meio da picada de carrapato de cão infectado. Os sintomas variam, dependendo da forma como os germes são transmitidos, e começam geralmente entre 3 e 5 dias após uma exposição, embora possam demorar até 14 dias. As pessoas infectadas por uma picada de carrapato têm uma ferida na pele (úlcera) de cicatrização lenta e gânglios linfáticos inchados.
Como prevenir as doenças transmitidas por carrapatos?
O controle dos carrapatos envolve o ambiente onde eles vivem, com poda da vegetação local, retirada do lixo ambiental e uso de carrapaticidas ambientais e de uso tópico.
Leia também sobre "Picadas dos pernilongos", "Febre por mordida de rato", "Hantavirose" e "Leptospirose".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do Boston Public Health Commission e do Hospital Veterinário Santa Inês.
