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Atopia - como ela é?

Wednesday, May 6, 2020
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Atopia - como ela é?

O que é atopia?

Atopia (grego: ἀτοπία = fora do lugar, absurdo) é a tendência pessoal ou familiar para a produção de anticorpos em resposta a doses baixas de alergenos, normalmente proteínas, que em consequência conduzem ao desenvolvimento de sintomas como a asma, rinite e/ou eczema / dermatite alérgica.

Atopia é o termo que os médicos usam para referir-se à predisposição a reações de hipersensibilidade tipo 1, ou seja, respostas alérgicas. Assim, o termo deverá ser utilizado com cuidado, até que se possa documentar uma sensibilização pelo alergeno. Assim, no geral, dizer atopia é o mesmo que dizer alergia. A atopia foi descrita pela primeira vez por Coca e Cooke em 1923.

Saiba mais sobre "Asma", "Dermatite atópica", "Alergias" e "Testes alérgicos".

Qual é a causa da atopia?

A atopia é causada por uma predisposição a reações exageradas dos mecanismos de defesa do organismo a estímulos comuns. É como se o organismo do atópico encarasse situações ou estímulos normais do cotidiano como ameaças importantes. A atopia funciona, dessa forma, como uma alergia pouco específica, em que não há um único agente capaz de funcionar como gatilho das reações alérgicas, mas vários e indeterminados.

A atopia afeta 7% da população geral, sendo mais comum em crianças, e possui um fator hereditário importante, embora o contato com o alergeno ou irritante deva ocorrer antes que a reação de hipersensibilidade possa se desenvolver. O trauma psicológico materno no útero também pode ser um forte indicador para o desenvolvimento da atopia.

Pensa-se ainda na 'hipótese da higiene': o excesso de 'limpeza' no ambiente de um bebê ou criança pode levar a um declínio no número de estímulos infecciosos necessários para o desenvolvimento adequado do sistema imunológico. A diminuição da exposição a estímulos infecciosos pode resultar em um desequilíbrio entre os elementos de resposta "protetora" e os elementos de resposta alérgica ("falso alarme") no sistema imunológico.

Qual é o substrato fisiológico da atopia?

Em uma reação alérgica, a exposição inicial a uma substância exógena inofensiva, conhecida como alergeno, desencadeia a produção de anticorpos específicos. Esses anticorpos se ligam à superfície dos mastócitos por meio de receptores de alta afinidade, um passo que não está ainda associado a uma resposta clínica. No entanto, após a reexposição, o alérgeno se junta à proteína ligada à membrana, que ativa os mastócitos, liberando uma variedade de mediadores. As respostas alérgicas são mediadas pelos eosinófilos (um tipo de glóbulo branco) que são liberados.

Essa reação de hipersensibilidade do tipo 1 é a base dos sintomas de reações alérgicas, que variam de espirros e rinorreia à anafilaxia. Os alérgenos podem ser várias substâncias de diferentes naturezas, como pólen, pelos, ácaros, alimentos, entre outras.

Quais são as características clínicas da atopia?

As atopias muito frequentemente desenvolvem dermatites nas áreas de flexão dos membros, isto é, dobra do cotovelo, axilas e dobras atrás do joelho. Os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, mas coceira, espirros e tosse são muito frequentes entre quase todos os pacientes durante os períodos de crise da doença.

São consideradas condições atópicas a dermatite atópica, a rinite alérgica e a asma alérgica. A probabilidade de ter asma, rinite e dermatite atópica juntas é 10 vezes maior do que o esperado pelo acaso. A atopia é mais comum entre indivíduos com várias condições diferentes, como esofagite eosinofílica, sensibilidade não celíaca ao glúten, etc.

Como dito, as reações alérgicas podem variar de espirros e rinorreia à anafilaxia e até a morte.

Como o médico trata a atopia?

Por se tratar de uma condição herdada geneticamente, a atopia ainda não tem cura, e o tratamento é apenas sintomático. Contudo, com medicações modernas, é possível obter um bom controle dos quadros de atopia nos dias de hoje.

O tratamento de distúrbios atópicos depende do(s) órgão(s) envolvido(s). Pode variar de opções de tratamento local, geralmente com corticosteroides tópicos, a opções de tratamento sistêmico com corticosteroides orais, tratamentos biológicos ou imunoterapia com alérgenos.

Uma reação anafilática, por outro lado, é tratada com adrenalina, administrada como uma injeção intramuscular, e deve ser avaliada em ambiente hospitalar pelo risco que pode acarretar ao paciente.

Leia sobre "Anafilaxia", "Esofagite eosinofílica", "Intolerância ao glúten" e "Rinite".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Science Direct e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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