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Atrofia cerebral

Tuesday, May 31, 2022
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Atrofia cerebral

O cérebro normal

O cérebro humano é um órgão encerrado dentro da caixa óssea da cabeça, envolto e protegido pelas membranas meníngeas, entre as quais circula o líquido cefalorraquidiano. Ele pesa, em média, cerca de 1,3 kg, o que corresponde apenas a 2% do peso do corporal, porém recebe cerca de 25% do sangue bombeado pelo coração e consome cerca de 20% do oxigênio gasto para o funcionamento do corpo.

É composto pelas células nervosas, chamadas neurônios, que estão em permanentes conexões entre si, e por dois hemisférios – direito e esquerdo – ligados entre si pelo corpo caloso, e possui partes especializadas (lobos) que executam funções específicas. Entre muitas outras funções, é responsável pela capacidade de pensamento, movimento voluntário, linguagem, julgamento, percepção, inteligência, consciência e memória.

O que é atrofia cerebral?

Atrofia cerebral é a perda de neurônios e de conexões entre os neurônios e diminuição do volume do órgão. Existem dois tipos de atrofia cerebral:

  1. Atrofia cerebral focal, se o dano ocorre em uma área restrita do cérebro, geralmente de início repentino.
  2. Atrofia cerebral generalizada, se o dano atinge todo o cérebro, quase sempre insidiosa e de evolução lenta.

Essa última forma de atrofia acontece como uma decorrência normal do envelhecimento ou de doenças degenerativas. As pessoas normalmente perdem algumas células cerebrais à medida que envelhecem e o volume cerebral também diminui.

Leia sobre "Acidente vascular cerebral", "Hemorragia cerebral" e "Isquemia cerebral transitória".

Quais são as causas da atrofia cerebral?

Diferentes condições causam atrofia cerebral, incluindo:

  • paralisia cerebral;
  • demência;
  • doenças infecciosas;
  • doença de Huntington;
  • leucodistrofias;
  • esclerose múltipla;
  • derrame cerebral;
  • sífilis;
  • lesões cranianas;
  • doença de Alzheimer.

Alguns fatores contribuem para aumentar as chances de uma pessoa desenvolver atrofia cerebral. Entre eles:

  • idade avançada;
  • história familiar de doenças genéticas e/ou neurológicas;
  • traumas na cabeça ou no cérebro;
  • beber e/ou fumar sem moderação.

Qual é o substrato fisiopatológico da atrofia cerebral?

A redução do volume do cérebro ocorre devido à morte parcial de suas células, acometendo assim as capacidades da pessoa para executar atividades do dia a dia, de memória e de aprendizagem. Normalmente, o cérebro humano atinge sua plena maturidade aos 25 anos de idade e o encolhimento dele começa após os 35 anos, a uma taxa de 0,2% ao ano.

Essa taxa se acelera quando o indivíduo atinge 70 anos, de modo que, aos 90 anos, o cérebro humano terá sofrido uma perda de 15% do seu peso máximo inicial. No entanto, essa é uma involução normal e só se usa a expressão “atrofia cerebral” quando uma pessoa tem mais alterações cerebrais do que o esperado para a sua idade.

Quais são as características clínicas da atrofia cerebral?

Os sintomas e a gravidade da atrofia cerebral dependem da doença específica e da localização do dano cerebral. A perda de células e/ou conexões nervosas pode levar a problemas de pensamento, memória e realização de tarefas cotidianas. Quanto maior for a perda, mais prejuízos a pessoa tem em seu desempenho normal.

Os sintomas podem variar de muito leves a muito graves. Em geral, incluem:

  • dificuldade em falar e escrever;
  • incapacidade de entender o significado das palavras;
  • demência;
  • alucinações;
  • perda da memória e da linguagem;
  • mudanças de humor e da personalidade;
  • julgamentos muito empobrecidos;
  • convulsões;
  • perda de consciência;
  • espasmos;
  • etc.
Veja também sobre "Tabagismo", "Sedentarismo", "Glicemia", "Hipertensão arterial", "Colesterol alto" e "Obesidade".

Como o médico diagnostica a atrofia cerebral?

Para diagnosticar a atrofia cerebral e a condição subjacente a ela, o médico buscará obter do paciente (ou de um familiar) uma descrição dos sintomas, um histórico médico e sua história familiar. Além disso, poderá usar testes de coordenação motora, movimento dos olhos, linguagem, memória e habilidades de resolução de problemas para avaliar a função cerebral.

No que se refere a exames complementares, a tomografia computadorizada pode detectar atrofia cerebral, mas a ressonância magnética é mais sensível em revelar danos que ocorrem em algumas regiões específicas do cérebro (dano focal).

Como o médico trata a atrofia cerebral?

A atrofia cerebral não pode ser revertida, mas nos casos do envelhecimento ou de certas doenças degenerativas existem tratamentos que retardam a sua evolução ou auxiliam no controle dela através de medicamentos específicos. O tratamento deve envolver também uma abordagem e gerenciamento do distúrbio subjacente.

Como evolui a atrofia cerebral?

A atrofia cerebral pode afetar a duração da vida de uma pessoa. Algumas doenças que levam à atrofia cerebral são inexoravelmente progressivas, o que significa que o dano cerebral continua sempre a piorar.

Embora a maioria das atrofias cerebrais seja irreversível, estudos recentes mostram que nem sempre isso é assim. Estudos longitudinais sugerem que alguns danos cerebrais são parcialmente reversíveis, como pode ocorrer pela abstinência alcoólica em relação aos danos causados ao cérebro pelo álcool.

Como prevenir a atrofia cerebral?

A prática de atividades intelectuais como estudar, ler, fazer palavras-cruzadas e outras, bem como as atividades físicas aeróbicas, como caminhar, correr e nadar, podem estimular o cérebro e prevenir a atrofia cerebral ou torná-la mais lenta.

Saiba mais sobre "Diagnóstico e tratamento do AVC" e "Angiografia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e do NIH – National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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