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Cardiomiopatia hipertrófica: entenda esta condição

Monday, April 27, 2015
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Cardiomiopatia hipertrófica: entenda esta condição

O que é cardiomiopatia hipertrófica?

Chama-se cardiomiopatia hipertrófica a uma condição em que as células musculares do coração se hipertrofiam (crescem) e tornam mais espessas as paredes ventriculares. O ventrículo esquerdo é a parte do coração onde essa alteração mais se evidencia. Ela também é conhecida por vários outros nomes: hipertrofia septal assimétrica, cardiomiopatia familiar hipertrófica, cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, cardiomiopatia hipertrófica não-obstrutiva e estenose subaórtica hipertrófica idiopática.

Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

Na maior parte das vezes, a cardiomiopatia hipertrófica é uma condição devida a uma herança autossômica dominante, por uma mutação em alguns dos genes das proteínas das fibras dos músculos cardíacos. Também pode desenvolver-se com o tempo nas pessoas com pressão arterial alta. Doenças da tireoide ou diabetes mellitus podem causar cardiomiopatia hipertrófica. Em algumas ocasiões, a causa permanece desconhecida.

Qual é a fisiopatologia da cardiomiopatia hipertrófica?

A espessura da parede do ventrículo geralmente é assimétrica e a cardiomiopatia pode dar-se por inteiro ou acontecer na parte mais baixa (“ponta”) do coração. Também o ventrículo direito pode ser afetado. Apesar do espessamento de suas paredes, os ventrículos permanecem de tamanho normal, mas o fluxo sanguíneo a partir do ventrículo esquerdo pode ser parcialmente bloqueado, constituindo a chamada cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva. Nem sempre isso acontece, podendo então haver uma cardiomiopatia hipertrófica não-obstrutiva.

Em ambos os tipos, o espessamento das paredes torna o interior do ventrículo esquerdo menor, contendo menos sangue. Ao mesmo tempo, as paredes do ventrículo podem tornar-se enrijecidas e serem menos capazes de relaxar para receber o volume adequado de sangue. Pode acontecer também uma projeção do septo (parede que divide os lados direito e esquerdo do coração) para dentro do ventrículo esquerdo contribuindo para bloquear o fluxo sanguíneo.

A cardiomiopatia hipertrófica pode afetar a válvula mitral que separa o átrio e o ventrículo esquerdos, fazendo com que parte do sangue propulsado pelo ventrículo esquerdo possa refluir para o átrio. Essas mudanças aumentam a pressão sanguínea no interior dos ventrículos e dos vasos sanguíneos pulmonares. As alterações das células dos músculos cardíacos podem, ainda, desarranjar a condução dos sinais elétricos cardíacos, levando a arritmias.

Quais são os principais sinais e sintomas da cardiomiopatia hipertrófica?

A cardiomiopatia hipertrófica afeta igualmente pessoas de qualquer idade, homens ou mulheres. É uma causa comum de morte súbita em pessoas jovens, notadamente em atletas. Algumas pessoas com cardiomiopatia hipertrófica podem não ter sintomas e a doença não as proíbe de ter uma vida normal, mas outras têm sintomas e complicações severas. Os mais comuns são dispneia, síncope, angina, arritmias, palpitações, insuficiência cardíaca congestiva, tonteiras, incapacidade de fazer exercícios físicos e parada cardíaca, com morte súbita. Isso é o que geralmente acontece a desportistas que morrem subitamente durante uma competição.

Como o médico diagnostica a cardiomiopatia hipertrófica?

O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica demanda uma minuciosa história clínica do paciente que leve em conta, de maneira especial, o histórico familiar e um detalhado exame físico, que mostrará ao cardiologista experiente, entre outras coisas, sons típicos na ausculta cardíaca. O exame auxiliar essencial para diagnosticar a cardiomiopatia hipertrófica é a ecocardiografia bidimensional, mas também devem ser feitos eletrocardiograma, estudos eletrofisiológicos, radiografia de tórax e ressonância magnética cardíaca. Um estudo mais aprofundado, quando necessário, pode exigir cateterismo cardíaco para determinar o grau de obstrução do fluxo sanguíneo, a hemodinâmica cardíaca, especialmente do ventrículo esquerdo e a anatomia das artérias coronarianas.

Como o médico trata a cardiomiopatia hipertrófica?

Os tratamentos da cardiomiopatia hipertrófica podem ser clínicos ou cirúrgicos e são empregados para reduzir a força da contratilidade ventricular, aumentar o volume do ventrículo e aumentar a eficiência ventricular. Quando há sintomas, o tratamento geralmente inclui betabloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio e antitussígenos para prevenir a tosse. As terapêuticas cirúrgicas e as baseadas em cateterismo, usadas em casos graves, incluem miomectomia ventricular esquerda, substituição da válvula mitral, implantação de marcapasso e ablação septal.

Como prevenir a cardiomiopatia hipertrófica?

Em muitos casos, não há como prevenir a cardiomiopatia hipertrófica, mas sim os seus sintomas. Os pacientes devem abster-se de atividades estenuantes ou de carregar objetos muito pesados, devido ao alto risco de arritmias e morte súbita. O paciente deve evitar drogas inotrópicas, digitálicos, nitratos e aminas simpaticomiméticas e se tiver que usar diuréticos, fazê-lo com cuidado.

Como evolui a cardiomiopatia hipertrófica?

A mortalidade em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica varia entre 1 e 6% por ano. Pacientes jovens, especialmente crianças, podem ter um grau mais alto de mortalidade. Por outro lado, as crianças têm hipertrofia ventricular em maior grau e ela se torna sintomática mais cedo no curso da doença.

Quais são as complicações possíveis da cardiomiopatia hipertrófica?

As complicações mais comuns da cardiomiopatia hipertrófica são a insuficiência cardíaca congestiva, arritmias, endocardite, fibrilação, formação de trombos e morte súbita.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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