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Cardiomiopatias - conceito, causas, características, diagnóstico, tratamento, evolução e prevenção

Tuesday, April 25, 2023
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Cardiomiopatias - conceito, causas, características, diagnóstico, tratamento, evolução e prevenção

O que são cardiomiopatias?

As cardiomiopatias são doenças primárias do músculo cardíaco (miocárdio), isto é, não decorrentes de nenhuma outra alteração cardíaca. Elas são condições em que o coração não consegue bombear eficientemente o sangue.

As cardiomiopatias dividem-se em 3 tipos principais de acordo com as características fisiopatológicas, havendo outras de menor importância:

  1. Cardiomiopatias dilatadas
  2. Cardiomiopatias hipertróficas
  3. Cardiomiopatias restritivas

A chamada “cardiomiopatia isquêmica”, em que o miocárdio aparece dilatado e se contraindo mal, é secundária à doença coronariana grave e, por isso, não é considerada da mesma natureza que as outras cardiomiopatias listadas acima.

As cardiomiopatias podem ser condições confinadas apenas ao coração ou serem parte de uma doença generalizada. A American Heart Association (Associação Americana do Coração) divide as cardiomiopatias em primárias, quando afetam somente o coração, e secundárias, quando são o resultado de uma doença que afeta também outras partes do corpo.

Quais são as causas das cardiomiopatias?

As causas das cardiomiopatias variam e podem incluir:

  • doenças genéticas;
  • doenças autoimunes;
  • doenças infecciosas;
  • consumo excessivo de álcool ou drogas;
  • entre outras.

A doença coronariana e a pressão arterial alta podem desempenhar um papel, mas não são a causa primária. Em alguns casos, a causa das cardiomiopatias permanece desconhecida.

Qual é o substrato fisiopatológico das cardiomiopatias?

A fisiopatologia das cardiomiopatias considera que proteínas mutantes podem perturbar a função contrátil do aparelho cardíaco. As alterações dos cardiomiócitos (células do músculo cardíaco) causam alterações que estão correlacionadas com vários problemas cardíacos, inclusive a morte súbita.

As diversas modalidades de cardiomiopatias variam muito individualmente e os fatores que causam cardiomiopatias em adultos e crianças também são diferentes. As cardiomiopatias em adultos estão frequentemente associadas a causas adquiridas, enquanto, em crianças, as doenças neuromusculares, incluindo distúrbios genéticos ligados ao cromossomo X, estão diretamente ligados às cardiomiopatias.

Leia sobre "Cateterismo cardíaco, cinecoronariografia ou angiografia coronária" e "Hemodinâmica".

Quais são as características clínicas das cardiomiopatias?

A princípio, as cardiomiopatias podem ser assintomáticas ou exibir muito poucos sintomas. À medida que a doença progride, podem aparecer:

  • dificuldades para respirar;
  • cansaço;
  • edema das pernas, denotando início de insuficiência cardíaca;
  • inchaço no abdômen, devido ao acúmulo de líquidos;
  • tosse, enquanto deitado;
  • fadiga;
  • desconforto ou pressão no peito;
  • arritmias;
  • tonturas e mesmo desmaios.

Na cardiomiopatia dilatada, o músculo cardíaco sofre um relaxamento e se torna mais fraco, produzindo uma dilatação na principal câmara de bombeamento do sangue, o que faz com que o coração não bombeie sangue como deveria, faltando oxigênio necessário para os órgãos da periferia. Isso pode levar a complicações que incluem a insuficiência cardíaca e outros problemas cardiovasculares.

A cardiomiopatia hipertrófica é a situação em que a parede do músculo cardíaco fica mais espessa e rígida e bloqueia a ejeção do sangue. Além disso, pode afetar também as valvas cardíacas e causar alterações celulares. Muitas pessoas que têm essa forma de cardiomiopatia têm uma vida normal, mas ela pode ser também um problema sério para outras pessoas.

Na cardiomiopatia restritiva, os músculos das câmeras inferiores do coração (ventrículos) ficam enrijecidos, devido à presença de tecido cicatricial (fibrótico), e isso faz com que o coração não se dilate como deveria e não seja preenchido totalmente, deixando de bombear a quantidade devida de sangue.

Como o médico diagnostica as cardiomiopatias?

Como sempre, o diagnóstico deve começar por uma detida história clínica e por um cuidadoso exame físico. A esses procedimentos podem-se acrescentar, posteriormente, exames de sangue, eletrocardiograma e ecocardiograma, radiografias de tórax, testes de esforço, ressonância magnética do coração e testes genéticos, quando necessários.

Como o médico trata as cardiomiopatias?

O tratamento das cardiomiopatias depende da causa subjacente e do tipo da cardiomiopatia, e pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos, dispositivos implantáveis, cirurgia para correções de eventuais anomalias cardíacas ou transplante cardíaco, nos casos mais acentuados.

Como evoluem as cardiomiopatias?

As cardiomiopatias têm cura, desde que adequadamente tratadas. No entanto, alguns tipos de cardiomiopatias podem causar morte súbita.

Nas cardiomiopatias dilatadas o prognóstico depende das causas e da severidade da condição, mas muitas pessoas podem retornar às suas atividades depois do tratamento adequado. Os quadros muito avançados podem tornar a pessoa severamente doente e exigir hospitalização.

Muitas pessoas com cardiomiopatia hipertrófica levam uma vida normal. Vários tratamentos estão disponíveis para as pessoas que apresentam os sintomas ou que estejam em risco de complicações.

As taxas de sobrevivência das pessoas com cardiomiopatias são muito variáveis e somente o médico poderá fazer uma estimativa a respeito.

Como prevenir as cardiomiopatias?

As cardiomiopatias hereditárias não podem ser prevenidas, mas os familiares podem procurar saber se também portam o problema ou se estão em risco dele, uma vez que o diagnóstico precoce ajuda as pessoas a construírem um plano para melhor manejá-las.

Para controlar as cardiomiopatias adquiridas algumas atitudes podem ser adotadas:

  • controlar a pressão arterial;
  • manter o colesterol dentro de taxas normais;
  • exercitar-se regularmente;
  • evitar álcool e drogas;
  • manter controle sobre certas condições subjacentes como, por exemplo, apneia do sono ou diabetes;
  • e programar visitas regulares ao médico.
Veja também sobre "Angina", "Insuficiência cardíaca congestiva" e "Infarto do miocárdio".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic, da Rede D’Or São Luiz e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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