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Colelitíase ou Pedras na Vesícula Biliar. Entenda a doença.

quarta-feira, 3 de março de 2010
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Colelitíase ou Pedras na Vesícula Biliar. Entenda a doença.

O que é colelitíase?

É a presença de pedras na interior da vesícula biliar. A vesícula é um pequeno órgão em forma de saco, localizado próximo ao fígado. Ela armazena a bile, um líquido amarelo esverdeado espesso produzido pelo fígado. Após a alimentação, a vesícula se contrai liberando bile ao intestino, esta entra em contato com o alimento, continuando a digestão iniciada pelo estômago.

A função básica da bile é digerir as gorduras e ajudar na absorção de importantes nutrientes como as vitaminas A,D,E e K.

A colelitíase é frequente na população de 20 a 60 anos, principalmente em mulheres.

Como são formadas as pedras na vesícula?

A bile é excretada pelo fígado e segue pelos ductos biliares para chegar ao intestino. Ela é composta por água, colesterol, sais biliares, bilirrubinato e lecitina. Em equilíbrio, estas substâncias mantêm a bile em estado líquido. Quando o colesterol, os sais biliares ou os bilirrubinatos são produzidos em excesso pelo fígado, há precipitação formando pequenos grânulos. Estes grânulos iniciam a formação dos cálculos biliares.

A formação destes cálculos está mais relacionada a fatores metabólicos, hereditários e orgânicos do que à ingestão alimentar, então a alimentação não interfere muito neste processo.

Colelitíase

Todas as pedras são iguais?

Não, podem ser encontradas na vesícula pedras de colesterol ou de sais biliares; uma ou várias pedras; pedras pequenas, como grãos de areia ou grandes.

Cerca de 90% das pedras são formadas de colesterol. O restante é composto de sais biliares (bilirrubinato). Os cálculos pigmentados, pretos ou marrons, são formados por bilirrubinato de cálcio principalmente.

O que causa a formação destes cálculos?

A causa da formação das pedras ainda não é bem conhecida . Algumas pessoas que têm problemas sanguíneos relacionados à destruição de hemácias têm maior chance de ter pedras na vesícula, pois a vesícula usa os glóbulos vermelhos destruídos para a produção excessiva de bile. Pode haver aumento da secreção de colesterol pelo fígado ou a vesícula ter alguma dificuldade de esvaziamento.

Quais são os fatores de risco?

  • Mulheres em idade fértil, principalmente por volta dos 40 anos.
  • Mulheres que tiveram múltiplas gestações.
  • Obesidade.
  • Emagrecimento acentuado: aumenta a perda de colesterol na bile.
  • Uso de contraceptivos orais.
  • Gravidez.
  • Sedentarismo.
  • Idade avançada.
  • Úlceras duodenais: provocam certa estase da vesícula facilitando a formação de cálculos.
  • Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de câncer, úlcera ou vagotomias, podem ter maior propensão a formar cálculos biliares.
  • Anemia hemolítica crônica.
  • Uso de dieta parenteral.

 

O que sente uma pessoa com cálculos na vesícula?

Muitas pessoas com pedras na vesícula não apresentam sintomas e nem sequer sabem desta condição. Às vezes, descobrem estes cálculos quando estão investigando alguma outra patologia.

Para aqueles que apresentam sintomas, geralmente observa-se:

  • Intolerância quando ingerem alimentos gordurosos como frituras, gema de ovo, empadas, carnes gordurosas, etc.
  • Mal estar e dor de cabeça podem estar presentes.
  • Nos quadros mais agudos, há uma dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada e o abdome fica endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas.
  • Náuseas, vômitos acompanham com frequência a dor abdominal.

Quando além da dor do lado direito do abdome há febre, calafrios e icterícia (amarelão) pode ser um caso de colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula. Nesses casos, a urina pode ficar escura (amarronzada) e as fezes claras.

Quais são as complicações da colelitíase?

As principais complicações são:

  • Cólica biliar: ocorre quando uma das pedras fica presa na saída da vesícula impedindo o fluxo de bile, levando a uma distensão importante e a um esforço para expelir a pedra. O resultado é uma dor tipo cólica.
  • Colecistite aguda: quando a pedra fica presa logo na saída da vesícula por um período prolongado ocorre a chamada colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula biliar com dor intensa e constante, geralmente acompanhada de febre.
  • Coledocolitíase: é o resultado da migração de uma pedra da vesícula biliar para o colédoco, que é o principal canal que leva a bile desde o fígado até o intestino, obstruindo-o. Nestes casos o paciente fica ictérico (pele e parte branca dos olhos ficam amareladas) pois a bile fica impedida de chegar ao intestino, acumulando-se no fígado e no sangue.
  • Colangite: é a infecção dos canais biliares por bactérias após a obstrução, já que a bile parada favorece a proliferação de bactérias.
  • Pancreatite: é a inflamação do pâncreas. O canal que leva a bile da vesícula para o intestino passa dentro do pâncreas e se junta com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando o cálculo obstrui esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio pâncreas.

A colangite e a pancreatite são as complicações mais graves.

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da da Mayo ClinicAmerican Gastroenterological Association e American College of Gastroenterology.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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