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Dengue hemorrágica - Sinais, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento, evolução

quarta-feira, 15 de maio de 2024
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Dengue hemorrágica - Sinais, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento, evolução

O que é dengue?

dengue é uma enfermidade causada por um arbovírus que pode se hospedar no homem e que tem quatro tipos imunológicos (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), os quais decorrem de viremias (derramamentos de vírus no sangue), de cerca de 7 dias de duração, desses diferentes tipos de vírus.

Ela é a arbovirose mais comum entre os humanos, atingindo cerca de 100 milhões de pessoas/ano no mundo. A infecção por cada um desses vírus confere imunidade total e permanente para o mesmo tipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três tipos. Assim, teoricamente, pelo menos, o indivíduo pode ter dengue por até quatro vezes, sendo que um segundo episódio de dengue é sempre mais grave que o primeiro, podendo assumir a forma hemorrágica.

O que é dengue hemorrágica?

A dengue hemorrágica é uma forma grave da doença, transmitida também a partir da picada do mosquito Aedes aegypti. Ela se caracteriza por sintomas mais intensos do que a dengue clássica e pode levar a complicações sérias, incluindo sangramento, extravasamento de plasma e choque circulatório.

Os sintomas iniciais da dengue hemorrágica são semelhantes aos da dengue comum. No entanto, à medida que a doença progride, podem ocorrer complicações graves e até mesmo letais, se não for tratada adequadamente. Por isso, ela requer cuidados médicos urgentes.

Quais são as causas da dengue hemorrágica?

A dengue comum é transmitida através da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado. Em geral, os sintomas são leves a moderados; contudo, aproximadamente 5% dos infectados podem evoluir para dengue hemorrágica, uma condição mais severa. Essa complicação é particularmente mais provável se a pessoa for infectada pela segunda vez por um vírus de subtipo distinto do que causou a primeira infecção. Outros fatores, como a natureza do vírus, as características genéticas do hospedeiro e a resposta imunológica também podem desencadear essa forma grave.

A dengue hemorrágica geralmente se associa a uma reação imune intensificada que pode prejudicar os vasos sanguíneos e provocar sangramento, principalmente em uma reinfecção, em que o novo vírus desencadeia um desbalanço imunológico, resultando em inflamação e dano vascular. Ademais, a susceptibilidade a formas graves pode variar conforme tipos sanguíneos específicos e predisposições genéticas individuais.

» Leia o infográfico: "Como combater a dengue".
 

Qual é o substrato fisiopatológico da dengue hemorrágica?

A fisiopatologia da dengue hemorrágica envolve disfunção vascular, ativação do sistema imunológico e complicações hemorrágicas. Uma vez inoculado, o vírus se replica principalmente em células do sangue. O sistema imunológico responde à infecção viral, desencadeando uma resposta inflamatória.

Durante essa resposta, as citocinas contribuem para a inflamação sistêmica e aumento da permeabilidade vascular, resultando em extravasamento de fluidos e proteínas para os tecidos circundantes. Aumenta também o risco de formação de coágulos sanguíneos. Ao mesmo tempo, ocorre uma diminuição dos fatores anticoagulantes, predispondo o paciente a complicações hemorrágicas.

Quais são as características clínicas da dengue hemorrágica?

Durante o período de incubação do vírus da dengue, de três a quinze dias após a picada, a pessoa é assintomática. Depois que o vírus se dissemina pelo sangue, os sintomas iniciais são inespecíficos, como febre alta de início súbito, mal-estar, falta de apetite, dores de cabeça, dores musculares e dores nos olhos.

No caso da dengue hemorrágica, após a febre baixar, depois de três a sete dias, podem surgir os sinais da dengue grave:

  • dor abdominal intensa;
  • vômitos persistentes, às vezes com sangue;
  • sangramento nas gengivas ou nariz;
  • dificuldade respiratória;
  • confusão mental;
  • fadiga;
  • aumento de tamanho do fígado;
  • queda da pressão arterial;
  • e sangue nas fezes.

Como o médico diagnostica a dengue hemorrágica?

O diagnóstico da dengue hemorrágica é feito com base em uma combinação de sinais clínicos, exames laboratoriais e histórico médico do paciente. O médico fará perguntas sobre os sintomas do paciente e levantará qualquer histórico recente de viagem para áreas onde a dengue é endêmica. Durante o exame físico, ele procurará por sinais específicos da dengue hemorrágica, como petéquias (pequenas manchas vermelhas ou roxas na pele), sangramento nas gengivas ou nariz, aumento do fígado e baço, entre outros.

Os exames laboratoriais são essenciais para confirmar o diagnóstico de dengue hemorrágica. O teste de NS1 detecta uma proteína específica do vírus da dengue chamada NS1. É geralmente positivo durante os primeiros dias da infecção. O teste de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) pode detectar o material genético do vírus da dengue em amostras de sangue. É particularmente útil nos estágios iniciais da infecção. Os testes de anticorpos, como o ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), podem detectar anticorpos produzidos pelo sistema imunológico em resposta à infecção pelo vírus da dengue. A contagem de plaquetas é outro indicador, pois a dengue hemorrágica é caracterizada por uma diminuição significativa no número de plaquetas sanguíneas.

Como o médico trata a dengue hemorrágica?

Não existem medicamentos efetivos contra o vírus da dengue até o momento. A terapêutica para a dengue comum é de reposição e sintomática, tendo por base uma hidratação oral abundante com soro oral e líquidos caseiros (chá, água de coco, sucos, etc.) e a manutenção da alimentação. Além disso, é recomendado repouso e o uso de medicamentos para aliviar as dores e a febre, sempre com a indicação de um médico. Não podem ser usados remédios à base de ácido acetilsalicílico, como a aspirina e AAS. Devem ser evitados os anti-inflamatórios não hormonais e medicamentos com potencial hemorrágico. Os antitérmicos e analgésicos geralmente usados são a dipirona ou o paracetamol.

O tratamento da dengue hemorrágica é geralmente feito em ambiente hospitalar, devido à gravidade da condição. A hidratação intravenosa é fundamental, pois a dengue hemorrágica pode causar grandes perdas de líquidos devido à febre e à hemorragia. Os sinais vitais do paciente (pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, etc.) devem ser monitorados de perto, para detectar qualquer alteração deles. A transfusão de plaquetas pode ser administrada se os níveis de plaquetas do paciente estiverem muito baixos. Isso ajudará na coagulação do sangue e em prevenir hemorragias graves. A dor e a febre podem ser controladas com analgésicos e antitérmicos adequados. Os sintomas também devem ser monitorados de perto para serem tratados prontamente. Os pacientes devem manter repouso para permitir que o corpo se recupere da infecção.

Como evolui a dengue hemorrágica?

A forma hemorrágica apresenta taxa de mortalidade de até 10% dos acometidos, em pacientes hospitalizados.

Como prevenir a dengue hemorrágica?

A prevenção eficaz da dengue hemorrágica abrange uma série de estratégias destinadas a reduzir a população de mosquitos Aedes aegypti, vetores da doença. As ações incluem a eliminação de águas paradas, que servem como criadouros para os mosquitos, além do uso regular de repelentes e a instalação de mosquiteiros, que protegem contra picadas. Outra medida importante é o manejo ambiental, como o descarte apropriado de resíduos e a limpeza de calhas para evitar acúmulo de água.

Além disso, avanços significativos foram alcançados no campo da imunização, com o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. Esta representa um grande passo na luta contra a doença, especialmente em áreas endêmicas. No entanto, a distribuição desta vacina ainda enfrenta desafios, como a limitação no número de doses disponíveis em comparação à demanda da população global. Atualmente, a vacina é recomendada principalmente para pessoas que já foram infectadas pelo vírus da dengue anteriormente, em regiões onde o vírus é endêmico, visando diminuir o risco de formas graves da doença, como a dengue hemorrágica.

Saiba mais sobre "Dengue", "Zika vírus", "Chikungunya", "Febre Mayaro" e "Febre amarela".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da U.S. National Library of Medicine e do Hospital Israelita Albert Einstein.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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