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Distonias neurovegetativas e seu impacto na regulação autonômica

Thursday, November 13, 2025
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Distonias neurovegetativas e seu impacto na regulação autonômica

O que são distonias neurovegetativas?

Tal como o sistema neuromuscular tem o seu tônus regular, que pode ser alterado por condições patológicas (distonias musculares), também o sistema nervoso vegetativo, ou sistema nervoso autônomo, possui um tônus ótimo, passível de alteração em determinadas condições de saúde (distonias neurovegetativas).

As distonias neurovegetativas (ou disautonomia) referem-se a distúrbios do sistema nervoso autônomo, que controla funções involuntárias do corpo, como respiração, digestão, ritmo cardíaco, pressão arterial, sudorese e outras atividades essenciais. Esses distúrbios indicam um mau funcionamento na regulação dessas funções, o que pode resultar em uma variedade de sintomas, dependendo da área afetada.

Embora “distonia” costume remeter a alterações motoras, aqui o termo descreve um desequilíbrio funcional autonômico, e o termo “distonia neurovegetativa” foi cunhado por Berthold Wichtmann em 1934.

Qual é o substrato fisiopatológico das distonias neurovegetativas?

O substrato fisiopatológico dessas condições envolve alterações na regulação das divisões simpática e parassimpática do sistema nervoso autônomo. Elas podem estar relacionadas a disfunções na neurotransmissão autonômica, incluindo a liberação de neurotransmissores como a norepinefrina (no sistema simpático) e a acetilcolina (no sistema parassimpático), ou a anomalias nos receptores desses neurotransmissores.

Processos inflamatórios, degenerativos ou tóxicos também podem comprometer a integridade das vias autonômicas, além de lesões em áreas do sistema nervoso central que regulam esse sistema, como o hipotálamo, o tronco encefálico e a medula espinhal, ou ainda condições que afetam diretamente os nervos periféricos autônomos.

Quais são as causas das distonias neurovegetativas?

Algumas das causas mais importantes das distonias neurovegetativas são disfunções no sistema nervoso autônomo, o que pode causar alterações na regulação das funções corporais. Isso pode ser provocado por neuropatias autonômicas, doenças degenerativas (como doença de Parkinson, esclerose múltipla ou atrofia de múltiplos sistemas, por exemplo) ou lesões do sistema nervoso.

Lesões cerebrais ou medulares, como traumas que afetam áreas responsáveis pela regulação autonômica, também podem levar à disfunção do sistema nervoso autônomo. Certas condições hereditárias ou metabólicas igualmente podem comprometer esse funcionamento, como a amiloidose familiar ou a doença de Fabry.

Desequilíbrios hormonais ou metabólicos também podem alterar a regulação autonômica e contribuir para a disfunção. Além disso, fatores como estresse crônico, transtornos de ansiedade e exposição a medicamentos ou substâncias tóxicas podem atuar como desencadeantes ou agravantes em indivíduos suscetíveis.

Deve ser ressaltado que as distonias neurovegetativas podem ser causadas por mais de uma dessas condições, agindo ao mesmo tempo.

Veja também sobre "Doenças nervosas degenerativas", "Mal de Alzheimer", "Demência por Corpos de Lewy" e "Distúrbio neurocognitivo".

Quais são as características clínicas das distonias neurovegetativas?

Os sintomas das distonias neurovegetativas podem afetar vários sistemas orgânicos, a saber:

  • náuseas, vômitos, constipação ou diarreia;
  • palpitações, arritmias, hipotensão ortostática (tontura ao ficar em pé);
  • dificuldades para respirar ou sensação de falta de ar;
  • dificuldades na regulação da temperatura (sudorese excessiva ou ausência de suor);
  • incontinência ou retenção urinária.

A desregulação do sistema autônomo pode impactar também o equilíbrio emocional, causando ansiedade ou fadiga crônica. Em muitos casos, tais manifestações se sobrepõem a condições clínicas já reconhecidas, como disautonomias primárias, síndrome da taquicardia postural ortostática ou síndromes funcionais gastrointestinais, o que exige avaliação cuidadosa.

Como o médico diagnostica as distonias neurovegetativas?

Geralmente o diagnóstico é feito por exclusão. Se o paciente tem queixas, os exames devem ser realizados para verificar se elas estão associadas a alguma doença física. Se negativo, possivelmente os problemas estão associados a uma disfunção do sistema nervoso autônomo. As distonias neurovegetativas serão confirmadas então por uma combinação de avaliação clínica e exames complementares de exclusão.

O médico deve colher uma história clínica completa, buscando entender os sintomas apresentados pelo paciente, sua duração, intensidade e fatores desencadeantes. O exame físico pode incluir medição da pressão arterial e frequência cardíaca: o médico pode avaliar a variação desses parâmetros em diferentes posturas para identificar disfunções autonômicas.

No exame neurológico, deve avaliar os reflexos, o tônus muscular e outros sinais neurológicos. Dependendo dos sintomas, o médico pode solicitar exames específicos para avaliar a função autonômica, como o teste da inclinação (Tilt test), que avalia a resposta cardiovascular à mudança de postura (deitado para em pé), o teste de sudorese e a monitorização da pressão arterial contínua.

Exames de sangue podem ser solicitados para descartar outras condições que possam mimetizar sintomas de distonia neurovegetativa, como problemas hormonais ou metabólicos. Exames de imagem (ressonância magnética ou tomografia computadorizada) podem ser indicados para investigar possíveis lesões cerebrais ou medulares que possam afetar o sistema nervoso autônomo.

Em situações em que fatores psicogênicos contribuem para a expressão dos sintomas, a avaliação psiquiátrica ou psicológica torna-se necessária para uma abordagem integrada.

Como o médico trata as distonias neurovegetativas?

O tratamento das distonias neurovegetativas é feito com uma abordagem multidisciplinar, envolvendo medidas clínicas, farmacológicas e, em alguns casos, terapias complementares. Se a distonia neurovegetativa estiver associada a uma doença específica, o tratamento envolve a abordagem dessa condição. Quando causada por fatores emocionais ou psicológicos, pode ser necessário apoio psiquiátrico ou psicológico.

Medidas de suporte, como adequação da hidratação, ajustes posturais e manejo de gatilhos ambientais, muitas vezes auxiliam no controle dos sintomas, e o acompanhamento médico periódico permite monitorar a evolução e ajustar o tratamento conforme necessário.

Como evoluem as distonias neurovegetativas?

As distonias neurovegetativas primárias costumam ter uma progressão crônica e gradual, com sintomas que se agravam ao longo do tempo, afetando a qualidade de vida do paciente. Nas distonias secundárias a outras doenças, a progressão depende da condição subjacente.

Os sintomas podem ser intermitentes ou crônicos, com períodos de exacerbação seguidos de remissão parcial, especialmente quando relacionados a estresse ou fatores emocionais. A evolução clínica é frequentemente flutuante e modulada tanto por fatores biológicos quanto psicossociais, podendo ser influenciada por estresse, traumas emocionais, infecções, uso de certos medicamentos ou intervenções psicoterapêuticas.

Leia sobre "Somatização", "Entendendo o estresse e como aliviá-lo" e "Terapia cognitivo comportamental".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do U.S. National Institutes of Health e da Science Direct.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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