Distúrbios respiratórios do sono

O que são distúrbios respiratórios do sono?
Os distúrbios respiratórios do sono são um conjunto de condições que provocam alterações na respiração durante o sono, impedindo a pessoa de dormir adequadamente ou fazendo com que ela acorde diversas vezes durante a noite. Esses distúrbios podem ser agrupados em:
- Apneia do sono, subdividida em apneia obstrutiva do sono, apneia central do sono e apneia mista do sono;
- Hipoventilação relacionada ao sono;
- Distúrbios de hipoxemia relacionados ao sono.
Quais são as causas dos distúrbios respiratórios do sono?
A apneia obstrutiva do sono, que é o mais comum dos distúrbios respiratórios do sono, é causada por estruturas que se tornam mais relaxadas durante o sono e que podem se mover, obstruindo a passagem do ar para os pulmões, ou vibrar, causando roncos. Na maioria dos casos, trata-se de algum impedimento mecânico representado pela obesidade, amígdalas inflamadas ou aumentadas, peso e/ou circunferência do pescoço, formato do nariz, do pescoço ou da mandíbula, entre outras causas.
A apneia central do sono é causada por alguma doença ou condição que afeta o controle respiratório exercido pelo cérebro, como problemas cardiovasculares, uso de narcóticos e estar em altitude muito elevada.
A apneia mista do sono é causada por fatores que associam as duas condições anteriores.
Os distúrbios de hipoventilação são ocasionados por condições que dificultam a mecânica respiratória, como doenças pulmonares crônicas, alguns tipos de medicamentos e outras condições menos comuns. Uma forma específica de hipoventilação ocorre em pacientes obesos.
Na hipoxemia relacionada ao sono os pacientes podem apresentar dessaturação da hemoglobina mesmo na ausência da síndrome da apneia.
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Qual é o substrato fisiopatológico dos distúrbios respiratórios do sono?
Nas apneias, o ar é impedido ou incapaz de chegar aos pulmões, seja por causa de uma obstrução nas vias respiratórias seja porque deixa de haver movimentos respiratórios normais. Embora as vias respiratórias estejam abertas, o ar não consegue chegar ao pulmão porque não há comunicação entre o cérebro e os músculos respiratórios ou eles não são ativados normalmente em resposta aos sinais enviados pelo cérebro, o que acaba interrompendo a ação automática de respiração.
Quais são as características clínicas dos distúrbios respiratórios do sono?
Os distúrbios respiratórios do sono são transtornos que surgem ou se agravam durante o sono, ocasionando uma má oxigenação do sangue e perturbando a continuidade normal do sono com acordares frequentes. As noites mal dormidas em razão disso podem resultar em diversos problemas, que vão desde sonolência diurna, queda de rendimento no estudo, no trabalho ou outras atividades do dia seguinte, até problemas mais sérios como ansiedade e depressão, entre outros.
A apneia obstrutiva do sono engloba mais de 80% dos casos de distúrbios respiratórios do sono e a apneia mista do sono é o tipo menos comum de apneias.
Na apneia central do sono, ocorrem lapsos na respiração durante o sono devido à falta de esforço para respirar. Dessa forma, a apneia central do sono é distinta da apneia obstrutiva do sono, mas as duas condições podem ocorrer juntas, o que é conhecido como apneia mista do sono. Além disso, às vezes o tratamento para apneia obstrutiva do sono desencadeia a apneia central do sono.
A apneia central do sono afeta menos de 1% das pessoas com mais de 40 anos e é mais comum em homens acima de 65 anos. Mesmo assim, existem diferentes tipos de apneia central do sono com base na natureza do problema subjacente que esteja impedindo uma respiração adequada.
Os distúrbios de hipoventilação relacionados ao sono envolvem níveis elevados de dióxido de carbono no sangue durante o sono, resultantes da falta de ar entrando e saindo dos pulmões. As pessoas com distúrbios de hipoventilação relacionados ao sono têm problemas pulmonares como doença pulmonar obstrutiva crônica ou hipertensão pulmonar, por exemplo, ou sofrem a ação de alguns tipos de medicamentos que podem desencadear uma diminuição da aeração pulmonar.
A hipoventilação durante o sono frequentemente está relacionada à obesidade e normalmente ocorre juntamente à apneia obstrutiva do sono. Ela é frequentemente associada ao sono insatisfatório e ao ronco, e pode causar efeitos deletérios no sistema cardiovascular.
A hipoxemia noturna intermitente está fortemente associada a inúmeras disfunções que atingem os pacientes, como alterações cardíacas, musculares, hipertensão arterial pulmonar, neuropatia periférica e outras alterações autonômicas e/ou fisiológicas.
Grande parte das pessoas com distúrbios respiratórios relacionados ao sono têm dificuldades para respirar mesmo quando acordadas, mas o problema normalmente se intensifica durante o sono.
Como o médico diagnostica os distúrbios respiratórios do sono?
O método mais utilizado para o diagnóstico da apneia do sono era a polissonografia, em que o paciente tinha de dormir uma noite numa clínica de sono, mas as investigações diagnósticas estão cada vez mais simplificadas e muitas vezes ocorrem na casa do paciente.
A polissonografia continua sendo o padrão ouro para avaliar a apneia do sono, mas os sistemas simplificados de registro são cada vez mais usados e muitas vezes são caseiros. Ela monitora simultaneamente o fluxo de ar nasal e/ou oral, o movimento toracoabdominal, o ronco, o eletroencefalograma, o eletro-oculograma, o eletromiograma e a saturação de oxigênio.
A hipoventilação relacionada ao sono também é diagnosticada a partir de estudos polissonográficos que mostram hipoxemia e hipercapnia relacionadas ao sono que não são explicadas por nenhum outro transtorno relacionado ao sono.
Como o médico trata os distúrbios respiratórios do sono?
O tratamento para os distúrbios respiratórios do sono depende da causa deles e deve começar por medidas simples, como mudanças do estilo de vida do paciente, que podem incluir emagrecer, parar de fumar, fazer exercícios físicos, etc.
Se essas medidas não forem suficientes para resolver o problema, o paciente será orientado a usar uma máscara que empurra o ar até aos pulmões, permitindo uma respiração normal que não interrompe o sono.
Em última instância, pode ser necessário recorrer à cirurgia para corrigir o problema. Ela visa remover o excesso de tecido na parte de trás da garganta como amígdalas e adenoides, por exemplo, evitando que essas estruturas tapem a passagem de ar ou vibrem, provocando o ronco.
Além disso, as cirurgias possíveis devem ser adaptadas para tratar o problema específico de cada pessoa. Frequentemente o tratamento para distúrbios respiratórios do sono tem de ser direcionado ao controle de uma doença subjacente que contribui para o problema.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Sleep Foundation.
