AbcMed

Dor pélvica - causas, sintomas, características, diagnóstico, tratamento

Tuesday, February 8, 2022
Avalie este artigo
Dor pélvica - causas, sintomas, características, diagnóstico, tratamento

O que é dor pélvica?

Embora a região da pelve consista de uma cavidade na parte inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ilíacos), pelo sacro e pelo cóccix, quando se fala em dor pélvica a referência é a qualquer incômodo localizado na parte inferior do abdome, abaixo do umbigo, geralmente envolvendo também o assoalho perineal.

Ela é um problema muito mais comum nas mulheres que nos homens, devido à presença nelas do aparelho reprodutor feminino. Uma em cada seis mulheres em idade fértil experimenta dor pélvica a cada um ou dois meses.

Quais são as causas da dor pélvica?

Embora a dor pélvica muitas vezes se refira à dor na região dos órgãos reprodutivos internos da mulher, ela pode estar presente em ambos os sexos e pode ter outras causas além das que afetam os órgãos reprodutores. Ela pode ser consequente a traumatismos ou infecções que incidam sobre a região, mas, mais geralmente, é sinal de problemas ginecológicos, urológicos, intestinais ou relacionados, como constipação, gravidez, bexiga cheia, dores nas relações sexuais ou durante a menstruação ou trauma físico.

A dor pélvica pode ser severa e surgir repentinamente (dor aguda), ou pode ser leve e durar meses (dor crônica).

A dor pélvica aguda pode ser devida a cisto ovariano, doença inflamatória pélvica aguda, apendicite, peritonite, abscesso pélvico, endometriose e outras causas menos frequentes.

A dor pélvica crônica pode dever-se também à endometriose, à doença inflamatória pélvica crônica, à síndrome do intestino irritável, a cistos ovarianos, à infecção do trato urinário, à adenomiose (endometriose que afeta o músculo do útero), a miomas, à cistite intersticial crônica, à doença inflamatória intestinal e a nervos presos ou danificados na área pélvica.

Leia também sobre "Síndrome da bexiga dolorosa", "Ciclo menstrual: como ele é", "Bexiga caída" e "Prolapso uterino".

Quais são as características clínicas da dor pélvica?

Dependendo de sua origem, a dor pélvica pode ser aguda ou crônica; constante ou intermitente; leve, moderada ou grave. A dor pélvica crônica refere-se a qualquer dor pélvica constante ou intermitente que esteja presente por seis meses ou mais. As manifestações clínicas da dor dependem da sua causa e da sua natureza. Entre outros motivos, tem-se:

  • Um cisto ovariano provoca dor aguda quando se rompe ou sofre torção.
  • A doença inflamatória pélvica aguda é uma infecção bacteriana do útero, trompas de falópio ou ovários, que demanda tratamento imediato com antibióticos.
  • A apendicite causa dor no lado inferior direito do abdômen.
  • peritonite causa dor abdominal súbita e grave, que requer tratamento médico imediato.
  • Infecção do trato urinário provoca dor ou sensação de queimação ao urinar.
  • Constipação ou espasmo intestinal, que provoca dificuldades de evacuar.
  • Um abscesso pélvico, que é uma coleção de pus entre o útero e a vagina.
  • endometriose, uma condição em que pequenos pedaços de revestimento do útero são encontrados fora daquele órgão, levando a períodos dolorosos.
  • Síndrome do intestino irritável, que pode causar cólicas estomacais, inchaço, diarreia e constipação.
  • Prolapso do útero, uma condição em que o útero desliza para baixo de sua posição normal e causa dor.
  • Adenomiose, uma endometriose que afeta o músculo do útero, causando períodos dolorosos.
  • Miomas, que podem ser dolorosos se torcerem ou se deteriorarem.
  • A cistite intersticial crônica, a doença inflamatória intestinal, uma hérnia ou nervos presos ou danificados na área pélvica são outras condições clínicas a serem pesquisadas.

Alguns dos sintomas mais comuns que estão relacionados à dor pélvica são:

  • Cólicas menstruais
  • Sangramento ou corrimento vaginal
  • Micção dolorosa ou difícil
  • Constipação intestinal ou diarreia
  • Inchaço ou gases
  • Sangue durante a evacuação
  • Dor durante a relação sexual
  • Febre ou calafrios
  • Dor na região do quadril e/ou da virilha

A dor pélvica pode se irradiar para a parte inferior das costas, nádegas ou coxas e pode ser notada apenas em determinados momentos, como quando a pessoa usa o banheiro ou faz sexo.

Como o médico diagnostica a dor pélvica?

Encontrar a causa da dor pélvica pode ser um desafio e pode levar tempo. Para descobri-la, o médico fará um levantamento sobre a dor e o histórico de saúde do paciente e um exame físico geral, com especial foco sobre o abdome e a pelve. As informações assim coletadas e o exame físico ajudarão o médico a decidir se são necessários exames adicionais.

Esses testes ou procedimentos podem incluir, entre outros, exames de laboratório, como exames de sangue e/ou de urina; testes de gravidez, em mulheres em idade reprodutiva; radiografias abdominais e pélvicas; ultrassom pélvico; laparoscopia com ou sem biópsia; ressonância magnética; cistoscopia e colonoscopia.

Se a paciente for uma mulher, uma atenção especial deve ser dedicada ao aparelho reprodutor. Muitas vezes, ela terá de consultar mais de um especialista e, mesmo assim, apesar de todo esforço, a causa da dor pode não ser encontrada.

Como o médico trata a dor pélvica?

O tratamento da dor pélvica depende da sua causa, intensidade e frequência. Não há uma abordagem que tenha demonstrado ser melhor do que outra em todos os casos. Algumas opções de tratamento incluem medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, antidepressivos, etc.

Em alguns casos, pode-se empregar também um tratamento hormonal. Hormônios podem ajudar a tratar a dor, mas o tratamento hormonal para a dor pélvica não é o mesmo que a terapia de reposição hormonal, que às vezes é usada para tratar os sintomas da menopausa.

Algumas vezes, a dor é suprimida ou aliviada por mudanças no estilo de vida: dieta, melhora da postura, atividade física regular, etc.

Alguns tipos de dor, como dores musculares e do tecido conjuntivo, devem ser tratadas com fisioterapia e geralmente respondem bem a ela.

Em alguns poucos casos, os pacientes podem precisar de cirurgia para remover aderências, miomas e/ou endometrioses e, assim, aliviar a dor pélvica. Em casos de mulheres, algumas delas podem precisar fazer uma histerectomia (cirurgia para remover o útero).

Veja mais sobre "Menstruação forte", "Cistos ovarianos", "Riscos e benefícios da retirada dos ovários" e "Obstrução das Trompas de Falópio".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, do National Institutes of Health e do Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários