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Esofagite de refluxo - como é? Quais são as medidas preventivas?

Friday, January 10, 2020
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Esofagite de refluxo - como é? Quais são as medidas preventivas?

Como se passam as coisas na junção esôfago-estômago?

Normalmente, quando a pessoa engole os alimentos e/ou líquidos, eles fluem pelo esôfago até atingirem o estômago. O estômago secreta um forte ácido que contribui na digestão, mas sua mucosa conta com uma poderosa proteção, a qual não existe no esôfago. Ao redor da extremidade inferior deste tubo alimentar, na sua junção ao estômago, há um anel muscular (esfíncter) chamado cárdia, que se abre para deixar a comida entrar no estômago e, em seguida, se fecha para evitar que o conteúdo do estômago retorne ao esôfago.

No entanto, se esse esfíncter estiver enfraquecido ou relaxado demais e não se fechar completamente, o ácido e os alimentos do estômago poderão fluir de volta para o esôfago. Esse movimento de ácido e comida para trás é chamado de refluxo. Como o esôfago não possui o revestimento protetor que o estômago possui, o ácido o irrita e pode causar dor (esofagite).

O que é esofagite de refluxo?

A esofagite de refluxo é uma lesão da mucosa esofágica que ocorre secundária ao fluxo retrógrado do conteúdo gástrico para o esôfago. Normalmente, a doença do refluxo envolve a junção gastroesofágica e os 8 a 10 centímetros distais do esôfago. Afinal, “refluxo gástrico” refere-se a "sintomas crônicos ou danos nas mucosas produzidos pelo refluxo anormal do conteúdo gástrico no esôfago", segundo o Colégio Americano de Gastroenterologia.

Quais são as causas da esofagite de refluxo?

A natureza ácida do conteúdo gástrico refluído é a responsável pela esofagite de refluxo; às vezes uma esofagite erosiva, às vezes uma doença não-erosiva. Isso ocorre devido ao conteúdo fortemente ácido do estômago e à pepsina, que é uma enzima proteolítica. A esofagite de refluxo pode ser desencadeada devido a excesso de peso, gravidez, hérnia hiatal, vômitos frequentes, tubos nasogástricos passados pelo nariz até o estômago para tratamento de alguns problemas médicos, refeições volumosas ou próximas da hora de dormir e esclerodermia (doença que causa espessamento e aperto da pele).

Saiba mais sobre "Doença do refluxo", "Esofagite erosiva" e "Esofagite".

Qual é o substrato fisiológico da esofagite de refluxo?

O refluxo ocasional do conteúdo gástrico no esôfago é um fenômeno universal e a maioria das pessoas não desenvolve doença do refluxo devido a mecanismos protetivos inatos. O refluxo sintomático ocorre quando esses mecanismos se tornam prejudicados, como um esfíncter (cárdia) enfraquecido, esvaziamento gástrico prejudicado, motilidade esofágica alterada ou presença de hérnia hiatal.

A esofagite de refluxo mostra alterações morfológicas do esôfago mesmo não relacionadas à presença de inflamação. A esofagite erosiva é menos frequente e menos específica que a doença do refluxo de sintomas clássicos, não erosiva. Cerca de 50% dos pacientes sintomáticos têm esofagite erosiva, ela é usada para avaliar a gravidade da doença do refluxo. A classificação mais comum para a esofagite erosiva é a classificação de Los Angeles.

Quais são as principais características clínicas da esofagite de refluxo?

Os sintomas clínicos da esofagite de refluxo podem ser divididos em 2 grupos: esofágicos e não-esofágicos. A apresentação típica inclui sintomas esofágicos como azia, dispepsia ácida, deglutição dolorosa ou difícil, regurgitação e dor no peito. Os sintomas não-esofágicos incluem tosse, asma, dor de garganta, pneumonia por aspiração, sensação globular e rouquidão devido a problemas de faringite, laringite ou sinusite.

Geralmente o paciente tem sintomas ao se deitar depois de comer e se sente melhor quando se senta. O sintoma mais comum, a azia, pode ser grave. A dor pode se espalhar para pescoço, mandíbula, braços e costas, simulando um ataque cardíaco. Por isso, procure um pronto atendimento, nesses casos, para que seja estabelecido um diferencial.

Como o médico diagnostica a esofagite de refluxo?

O diagnóstico da esofagite de refluxo inclui uma endoscopia digestiva alta com biópsia, estudo de pH de 24 horas, manometria, estudo de radiografia do esôfago com contraste de bário e estudo de esvaziamento gástrico. No entanto, nenhuma dessas modalidades é o “padrão ouro” para o diagnóstico, e cada uma é recomendada em situações clínicas específicas.

A endoscopia permitirá a visualização direta da superfície da mucosa esofágica e a obtenção de uma biópsia da mucosa para avaliação patológica. A sensibilidade da endoscopia para o diagnóstico da esofagite de refluxo, no entanto, é baixa, porque 50-70% das pessoas com essa condição têm uma doença de refluxo não erosiva. Portanto, a endoscopia não é o estudo de primeira linha para o diagnóstico.

Frequentemente, nenhum teste é necessário. Em vez disso, o médico pode ver primeiro se o medicamento alivia os sintomas. Em alguns casos, dependendo do histórico médico e dos sintomas do paciente, ele pode precisar de testes para excluir a dor de origem cardíaca.

Leia sobre "Azia", "Dor no peito" e "Endoscopia digestiva alta".

Como o médico trata a esofagite de refluxo?

O tratamento da esofagite de refluxo pode incluir tomar antiácidos, inibidores da bomba de prótons (como os antagonistas do receptor H2, por exemplo). Se esses medicamentos não oferecerem alívio para os sintomas, o médico poderá sugerir cirurgia. Também é importante fazer mudanças no estilo de vida, como evitar alimentos que possam aumentar o refluxo ácido, manter um peso saudável, parar de fumar e evitar deitar-se logo depois de comer.

Como prevenir a esofagite de refluxo e suas consequências?

  • Tomar antiácidos após as refeições e na hora de dormir, de acordo com a recomendação médica prescrita.
  • Tomar medicamentos com bastante líquido, porque a ingestão de medicamentos sem líquido suficiente pode irritar o esôfago.
  • Comer refeições menores e mais frequentes para diminuir o volume do conteúdo gástrico.
  • Evitar lanches ou refeições no final da noite antes de dormir.
  • Evitar beber álcool e ingerir alimentos que possam piorar o refluxo, tais como refrigerantes ou bebidas com gás, café, chocolate, condimentos picantes, etc.
  • Perder peso, se estiver acima do peso.
  • Não fumar, porque fumar pode aumentar o ácido estomacal.
  • Usar roupas largas e sem cinto.
  • Evitar atividades vigorosas após as refeições.
  • Após as refeições, aguardar pelo menos uma hora antes de se deitar.
  • Levantar a cabeceira da cama de dormir.
  • Deitar preferentemente sobre o seu lado esquerdo.

Quais são as complicações possíveis da esofagite de refluxo?

Se não tratada, a esofagite de refluxo pode alterar a estrutura e a função do esôfago e levar a complicações mais graves, como o esôfago de Barrett, estenose e câncer de esôfago. A esofagite erosiva pode se complicar pelo desenvolvimento de úlceras e formação de estenoses devido à fibrose.

Inflamações e cicatrizes repetidas podem estreitar o esôfago. Com o tempo, a esofagite de refluxo pode também causar alterações nas células do revestimento do esôfago, causando uma condição chamada esôfago de Barrett, aumentando o risco de câncer de esôfago.

Veja também sobre "Esôfago de Barrett", "Esofagite eosinofílica" e "Gastrite".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do North Texas Endoscopy Center e da Science Direct.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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