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Estenose mitral: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento? Como é a evolução? Existe prevenção?

Thursday, September 18, 2014
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Estenose mitral: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento? Como é a evolução? Existe prevenção?

O que é estenose mitral?

Estenose (do grego sténosis=aperto + ose=doença) é a constrição de qualquer canal orgânico. Estenose mitral é o estreitamento da válvula mitral, formada por duas cúspides (lâminas) que abrem e fecham o orifício que separa e regula a passagem de sangue entre o átrio e o ventrículo esquerdos, respectivamente, as câmaras superior e inferior da metade esquerda do coração. As comissuras dessas duas cúspides podem soldar-se, diminuindo o espaço para a passagem do sangue.

Quais são as causas da estenose mitral?

A principal causa da estenose mitral é a doença reumática do coração. O problema na válvula se desenvolve de cinco até dez anos após a febre reumática. Embora raramente, a estenose pode ser congênita ou decorrente, entre outras causas adquiridas, de carcinoide maligno, lúpus, mucopolissacaridoses e terapia com metisergida. Certas outras condições obstrutivas no anel mitral como, por exemplo, mixoma atrial, trombos, vegetações da endocardite, etc., podem simular a estenose mitral. Outros fatores que podem causar estenose mitral, embora eles sejam raros, são depósitos de cálcio ao redor da válvula, tratamento com radiação no tórax e alguns medicamentos.

Quais são os principais sinais e sintomas da estenose mitral?

Em adultos a estenose mitral pode não causar sintomas ou eles só aparecem ou se acentuam quando o paciente pratica algum exercício físico que aumente os batimentos cardíacos. Quando existem, eles podem começar por um episódio de fibrilação atrial, uma gravidez, uma infecção ou qualquer outra desordem cardíaca. Em geral, a estenose mitral é pura, mas em 40% dos casos ela é associada à regurgitação mitral (refluxo do sangue). A elevação da pressão atrial esquerda causada pela estenose valvular leva ao aumento da pressão venosa pulmonar e produz dispneia de esforço, deflagrada por exercícios, estresse emocional, atividade sexual, infecção ou surto de fibrilação atrial. A taquicardia que pode ocorrer encurta o tempo de diástole e diminui o tempo de enchimento ventricular. Assim, a estenose mitral causa dispneia de esforço, tosse e sibilos. A capacidade vital pode estar reduzida e os pacientes se queixam de dificuldade para respirar, podendo desenvolver edema agudo de pulmão. A progressão da doença causa insuficiência cardíaca e edema pulmonar, associados à fadiga e dificuldade de respirar.

Em alguns casos, o paciente tem de estar assentado ou recostado para poder respirar normalmente. Muitas vezes os portadores dessa condição têm um tom arroxeado nas extremidades. Pode haver fibrilação do átrio esquerdo, com maiores prejuízos para a circulação. Os sintomas mais ostensivos podem incluir desconforto torácico, tosse, possivelmente com sangue, fadiga, infecções respiratórias frequentes, palpitações e inchaço nos membros inferiores.

Como o médico diagnostica a estenose mitral?

Uma história clínica cuidadosa deve incluir a busca de sinais e sintomas compatíveis com a estenose mitral. Ao exame físico o médico apura, nos casos mais graves, um pulso arterial reduzido. Na ausculta com estetoscópio pode-se ouvir um sopro diastólico característico, quando o sangue passa através da válvula estrangulada. O diagnóstico confirma-se com um eletrocardiograma, uma radiografia do tórax, um ecocardiograma, um cateterismo cardíaco ou uma ressonância magnética. Algumas vezes é necessário um cateterismo cardíaco para determinar a extensão e as características da obstrução.

Como o médico trata a estenose mitral?

Em casos mais leves pode-se tentar controlar os sintomas com fármacos que retardam o ritmo do coração e controlam a fibrilação atrial. Se houver insuficiência cardíaca, as contrações cardíacas podem ser fortalecidas com a digoxina. Os diuréticos, ao diminuírem o volume do sangue circulante, reduzem a pressão nos pulmões, diminuindo o risco de edema pulmonar. Antibióticos podem ser usados profilaticamente em certas situações, devido a uma maior tendência às infecções. Nos casos em que o tratamento farmacológico não surtir os efeitos almejados, um procedimento para reparar ou substituir a válvula por uma válvula mecânica ou de origem suína será necessário.

Como evolui a estenose mitral?

As crianças que nascem com estenose mitral congênita raramente sobrevivem mais de dois anos se a anomalia não for corrigida por uma intervenção cirúrgica.

Progressivamente, a válvula mitral torna o orifício de passagem do sangue mais estreito. O átrio esquerdo se dilata, o sangue pode retornar aos pulmões e fluidos podem ser coletados pelo tecido pulmonar, gerando edema pulmonar.

Se uma mulher com estenose mitral grave ficar grávida, pode desenvolver com rapidez uma insuficiência cardíaca.

Como prevenir a estenose mitral?

Para pacientes que já sofram de estenose mitral, antibióticos devem ser administrados a título preventivo antes de qualquer procedimento dentário ou cirúrgico, para reduzir o risco de infecções que aumentem o problema.

Quais são as complicações possíveis da estenose mitral?

A fibrilação atrial ou ventricular e a embolia sistêmica são complicações importantes da estenose mitral, algumas vezes relacionadas com óbitos.

A estenose mitral cria uma propensão maior para a endocardite infecciosa e pode ser precursora da insuficiência cardíaca, edema pulmonar e hipertensão pulmonar.

Acidentes vasculares cerebrais podem ocorrer na medida em que coágulos sanguíneos formados na válvula mitral cheguem ao cérebro, assim como em outras áreas do corpo.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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