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Febre dos papagaios: diagnóstico e tratamento da psitacose em humanos

terça-feira, 4 de novembro de 2025
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Febre dos papagaios: diagnóstico e tratamento da psitacose em humanos

O que é psitacose?

A psitacose, também conhecida como ornitose ou febre dos papagaios, é uma infecção bacteriana zoonótica, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Ela causa uma infecção respiratória que pode variar de leve a grave e é provocada pela bactéria Chlamydia psittaci, um microrganismo intracelular obrigatório pertencente à família Chlamydiaceae.

A doença é considerada rara, mas sua incidência pode estar subestimada devido à dificuldade diagnóstica e à semelhança com outras infecções respiratórias, como as pneumonias atípicas.

Qual é a causa da psitacose?

A psitacose é causada exclusivamente pela bactéria Chlamydia psittaci. A transmissão ocorre principalmente por aves como papagaios, periquitos, calopsitas, pombos e outras espécies. Mamíferos também podem ser portadores ocasionais, embora isso seja raro e geralmente assintomático.

A principal via de infecção é respiratória, por inalação de aerossóis contendo secreções ou fezes secas de aves infectadas. Outras formas incluem o contato direto com penas, secreções respiratórias ou carcaças de aves doentes.

Embora a transmissão entre humanos seja muito incomum, há relatos ocasionais de infecção em profissionais de saúde e familiares próximos. Os fatores de risco mais comuns envolvem ocupações com exposição frequente a aves, como criadores, veterinários, trabalhadores de pet shops, criadouros e zoológicos.

Qual é o substrato fisiopatológico da psitacose?

A fisiopatologia da psitacose está relacionada à natureza intracelular obrigatória da Chlamydia psittaci. Após a inalação de partículas infectantes, a bactéria atinge os pulmões, onde infecta macrófagos alveolares e células epiteliais respiratórias.

Dentro dessas células, ela se multiplica formando inclusões intracelulares típicas, desencadeando uma resposta inflamatória local intensa. A infecção pode se disseminar pela corrente sanguínea para outros órgãos, como fígado, baço, coração e sistema nervoso central.

A inflamação pulmonar leva a uma pneumonia intersticial atípica, visível em exames de imagem. A resposta imune sistêmica, mediada pela liberação de citocinas pró-inflamatórias, explica sintomas como febre, mal-estar e mialgia (dor muscular). Em casos graves, pode haver disfunção multiorgânica.

Leia também sobre "Síndrome respiratória aguda grave ou SARS", "Pneumonia na infância" e "Pneumonia por aspiração".

Quais são as características clínicas da psitacose?

Nos humanos, a psitacose se manifesta como uma infecção respiratória de início agudo, após um período de incubação de 5 a 14 dias. Os sintomas mais comuns incluem febre alta e de início súbito, frequentemente com calafrios, tosse seca ou produtiva, dor torácica, cefaleia intensa, mialgia difusa, fadiga e mal-estar geral.

Em casos mais graves, há dispneia e sinais de comprometimento sistêmico, como hepatomegalia ou esplenomegalia, além de exantemas ocasionais.

Em idosos ou imunossuprimidos, o quadro pode evoluir para pneumonia bilateral ou manifestações extrapulmonares, como encefalite ou miocardite.

Como o médico diagnostica a psitacose?

O diagnóstico é difícil, pois os sintomas se assemelham aos de outras pneumonias atípicas, como as causadas por Mycoplasma pneumoniae ou Legionella pneumophila.

A suspeita clínica surge diante de sintomas respiratórios acompanhados de histórico de exposição a aves.

Os principais métodos diagnósticos incluem a avaliação clínica e epidemiológica, com investigação do contato com aves domésticas ou silvestres; a sorologia, que demonstra aumento de quatro vezes nos títulos de anticorpos entre amostras aguda e convalescente; e a PCR (reação em cadeia da polimerase), altamente sensível e específica, realizada em amostras respiratórias como escarro ou lavado broncoalveolar.

A cultura bacteriana é o padrão-ouro, mas raramente utilizada por exigir laboratórios especializados e representar risco biológico. Os exames de imagem (radiografia ou tomografia de tórax) costumam revelar infiltrados intersticiais bilaterais, compatíveis com pneumonia atípica.

Como o médico trata a psitacose?

O tratamento baseia-se em antibióticos ativos contra Chlamydia psittaci. As tetraciclinas, especialmente a doxiciclina (100 mg a cada 12 horas por 10 a 14 dias), são o tratamento de escolha.

Em pacientes com contraindicação às tetraciclinas, como gestantes e crianças menores de 8 anos, utilizam-se macrolídeos, como azitromicina (500 mg/dia por 3 a 5 dias) ou eritromicina (500 mg a cada 6 horas por 10 a 14 dias).

Nos casos graves, pode ser necessária internação hospitalar com suporte ventilatório, hidratação e oxigenoterapia.

Como evolui a psitacose?

Quando tratada precocemente, a psitacose apresenta evolução favorável, com melhora clínica em 48 a 72 horas e recuperação completa em uma a duas semanas.

Sem tratamento, a infecção pode progredir para pneumonia extensa, hepatite, miocardite ou encefalite.

A mortalidade é inferior a 1% quando o tratamento é iniciado adequadamente, mas pode atingir 10 a 20% em casos graves não tratados, especialmente em idosos e imunodeprimidos.

Quais são as complicações possíveis da psitacose?

Embora geralmente seja autolimitada quando tratada de forma adequada, a psitacose pode causar complicações em casos graves ou negligenciados, como pneumonia grave com insuficiência respiratória, miocardite e endocardite, hepatite com elevação de enzimas hepáticas, encefalite e, raramente, síndrome de disfunção múltipla de órgãos.

Veja sobre "Oximetria" e "Saturação de oxigênio".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do BMJ Best Practice, da SciELO - Jornal de Pneumologia e do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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