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Fístula anal: definição, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, complicações

Tuesday, March 11, 2014
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Fístula anal: definição, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, complicações

O que é fístula anal?

A fístula anal é um trajeto anormal (um “túnel”) que se estabelece entre a pele do períneo, externamente, e o canal anal, internamente. É a esse trajeto que se chama de fístula anal.

Quais são as causas da fístula anal?

As fístulas anais surgem em sequência a um abscesso perianal, formando um trajeto entre o canal anal (orifício interno) e a região perianal (orifício externo). Este abscesso tem origem em uma infecção no canal anal e a partir daí se desenvolve em direção ao entorno do ânus. No momento em que ele é drenado, deixa um caminho que une o ponto inicial da infecção à pele perianal. O orifício extra-anal pode abrir-se também em outro órgão interno como a vagina, por exemplo. Algumas fístulas são consequentes à obstrução dos canais de drenagem de glândulas do canal anal, junto aos esfíncteres anais. Esta obstrução inicialmente provoca um processo inflamatório e, com o tempo, um abscesso. Outras alterações menos frequentes que também causam fístula anal são a tuberculose, a retocolite ulcerativa, os traumas anorretais, as neoplasias do reto ou do canal anal, as cirurgias no reto, as cirurgias ginecológicas ou obstétricas, o linfogranuloma venéreo, etc. Em crianças, as fístulas anais são raras e em geral são congênitas.

Fístula anal

Quais são os principais sinais e sintomas da fístula anal?

O principal sinal da fístula anal é a presença constante de uma secreção purulenta na região perianal. As fístulas anais podem permanecer assintomáticas por meses, mas recorrentemente voltam a apresentar secreção e dor. Eventualmente, o orifício externo pode cicatrizar, dando a impressão que o problema está sanado, porém como o orifício interno e o trajeto da fístula não cicatrizam, a secreção purulenta se acumula e faz uma pressão que abre novamente o orifício externo ou um novo orifício externo. Muitas vezes as fístulas anais são percebidas como cordões endurecidos e dolorosos que se dirigem para o orifício anal. A dor é causada pela pressão exercida pela massa tumoral e, por isso, tão logo o abscesso se rompa ou seja drenado, a dor é amenizada ou desaparece.

Em geral, as fístulas anais não comprometem o estado geral do paciente, a não ser aquelas que são secundárias a doenças sistêmicas, em que a afetação do estado geral se deve à doença de base e não à fístula em si.

Como o médico diagnostica a fístula anal?

O diagnóstico de fístula anal é essencialmente clínico e deve ser baseado na história clínica e no exame físico. A inspeção revelará um abaulamento avermelhado e com aumento da temperatura da pele. Como o abscesso e a fístula anal fazem parte de uma mesma doença, deve-se fazer um diagnóstico da fase em que a afecção se encontra. Exames complementares como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética pélvicas podem fornecer informações sobre o trajeto de fístulas e sobre as doenças associadas a ela. Como a fístula anal decorre de outras doenças proctológicas, é necessário que se faça também o diagnóstico delas. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras infecções locais como dermatites, foliculites, furúnculos, etc.

Como o médico trata a fístula anal?

O tratamento de uma fístula anal é eminentemente cirúrgico. Há técnicas cirúrgicas diferentes, seletivamente aplicáveis a cada tipo de fístula. É muito raro que elas se cicatrizem espontaneamente. Só haverá necessidade de antibióticos se o médico que realizou a cirurgia julgar necessário. Como a fístula anal decorre de outras doenças proctológicas, é necessário que se faça também o tratamento delas.

Quais são as complicações possíveis da fístula anal?

O tratamento cirúrgico inadequado das fístulas anais pode levar à incontinência anal, mas muitas vezes isso se deve à inabilidade do cirurgião.

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Cleveland Clinic e da American Society of Colon and Rectal Surgeons.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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