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Gastroparesia - conceito, características clínicas, diagnóstico e tratamento

Tuesday, September 21, 2021
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Gastroparesia - conceito, características clínicas, diagnóstico e tratamento

O que é gastroparesia?

A gastroparesia é uma condição que afeta o movimento normal dos músculos do estômago, ou seja, a motilidade gástrica fica diminuída ou ausente, o que faz com que o tempo de esvaziamento gástrico fique lentificado.

Quais são as causas da gastroparesia?

A causa exata desta doença é desconhecida, mas ela é mais comum em pessoas que sofrem de diabetes tipo 1 ou tipo 2, dando origem à chamada gastroparesia diabética. Além disso, alguns analgésicos opioides, antidepressivos ou remédios para pressão alta e alergia podem levar a um esvaziamento gástrico lentificado como efeito colateral e causar sintomas semelhantes à gastroparesia, ou podem piorar a condição em pessoas que já tenham a doença.

Algumas pessoas desenvolvem gastroparesia após uma cirurgia que envolva o estômago, como a cirurgia bariátrica, por exemplo. Contudo, a maioria dos casos tem causa desconhecida, sendo, por isso, conhecidos como gastroparesia idiopática.

Qual é o substrato fisiopatológico da gastroparesia?

Normalmente, fortes contrações musculares espontâneas impulsionam os alimentos do estômago, através do trato digestivo, para o intestino delgado, mas se a pessoa tem gastroparesia, a motilidade do estômago fica mais lenta ou não funciona, impedindo que o estômago exerça essa função e se esvazie adequadamente.

Nos indivíduos diabéticos, altos níveis de glicose no sangue podem provocar danos aos nervos que controlam os movimentos do estômago (nervo vago e suas ramificações), causando a gastroparesia diabética. Outra possível causa da gastroparesia são lesões a nervos que controlam os músculos que movimentam o estômago, inibindo o esvaziamento gástrico.

Quais são as características clínicas da gastroparesia?

Muitas pessoas com gastroparesia não apresentam sinais e sintomas perceptíveis. Já em outras, a gastroparesia pode causar náuseas, vômitos de alimentos não digeridos, sensação precoce de saciedade, refluxo ácido e dores abdominais.

A gastroparesia também pode causar problemas com os níveis de açúcar no sangue e alterações nutricionais. Todos esses sintomas, quando muito duradouros, podem gerar uma repercussão negativa sobre o ganho de peso e de estatura.

Leia sobre "Desnutrição", "Suplementos alimentares", "Consequências do emagrecimento rápido" e "Má digestão - pode ser dispepsia".

Como o médico diagnostica a gastroparesia?

A partir dos sinais e sintomas, o médico se vale de vários exames para ajudar a diagnosticá-la e descartar outras condições que podem causar sintomas semelhantes. Esses exames podem incluir testes de esvaziamento gástrico, para ver a rapidez com que o estômago esvazia seu conteúdo. Com esse objetivo, podem ser recomendados:

  1. Cintilografia, que é o exame mais importante para fazer o diagnóstico de gastroparesia. Trata-se de comer uma refeição leve que contenha uma pequena quantidade de material radioativo. Um scanner que detecta o movimento do material radioativo é colocado sobre o abdômen para monitorar a velocidade com que os alimentos saem do estômago.
  2. Exame de respiração, em que o paciente deve consumir um alimento que contenha uma substância que seu corpo absorve e cuja eliminação possa também ser detectada em sua respiração. Amostras da respiração são coletadas ao longo de algumas horas e a quantidade da substância em sua respiração é medida. O exame mostra a velocidade com que seu estômago se esvazia após consumir alimentos.
  3. Endoscopia digestiva alta, usada para examinar visualmente o sistema digestivo superior.
  4. Ultrassonografia, para produzir imagens de estruturas dentro do corpo e ajudar a descartar outras possíveis patologias.

Um exame mais recente consiste em fazer o paciente engolir um pequeno dispositivo eletrônico sem fio, sob a forma de cápsula, o qual envia informações para um dispositivo de gravação sobre o quão rápido ele está se movendo através do trato digestivo.

Como o médico trata a gastroparesia?

Embora não haja cura para a gastroparesia, mudanças na dieta, junto com a medicação, podem oferecer algum alívio a sintomas como vômitos, sensação de plenitude gástrica e náuseas, por exemplo. O tratamento da gastroparesia deve começar com a identificação e tratamento da doença subjacente.

Manter uma nutrição adequada é o objetivo mais importante no tratamento. Para muitas pessoas, é possível controlar a gastroparesia apenas com essa providência. O paciente deve consultar um nutricionista que pode ajudá-lo a obter calorias e nutrientes necessários com alimentos que são mais fáceis de digerir.

No que se refere a medicamentos, eles podem incluir medicamentos para estimular os músculos do estômago e para controlar náuseas e vômitos.

Algumas pessoas com gastroparesia podem ser incapazes de tolerar qualquer alimento ou líquido. Nessas situações, os médicos podem recomendar uma sonda de alimentação que alcance o intestino delgado. Essas sondas podem ser introduzidas pelo nariz ou boca ou diretamente no intestino delgado através da pele. A sonda é temporária e só é usada quando a gastroparesia é grave ou quando os níveis de açúcar no sangue não podem ser controlados por nenhum outro método.

Algumas pessoas podem precisar de uma via de alimentação intravenosa (alimentação parenteral) que vai diretamente para uma veia no tórax. Uma outra opção de tratamento consiste em injetar toxina botulínica no esfíncter entre o estômago e o intestino delgado, por via endoscópica, de modo a mantê-lo relaxado e facilitar o esvaziamento gástrico.

Quais são as complicações possíveis com a gastroparesia?

A gastroparesia pode causar várias complicações, tais como:

  • desidratação severa em razão de vômitos contínuos;
  • desnutrição, devido à falta de apetite e por não conseguir absorver nutrientes suficientes;
  • alterações imprevisíveis dos níveis de açúcar no sangue, as quais pioram ainda mais a gastroparesia.
Veja também sobre "Nutrição enteral", "Nutrição parenteral" e "Íleo paralítico".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da Cleveland Clinic e do NHS - National Health Service.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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