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Hepatite alcoólica - como é? O que deve ser feito? Como prevenir?

Tuesday, August 4, 2020
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Hepatite alcoólica - como é? O que deve ser feito? Como prevenir?

O que é a hepatite alcoólica?

A hepatite alcoólica é a inflamação do fígado causada pelo consumo de álcool e é mais provável de ocorrer em pessoas que bebem muito por muitos anos seguidos. No entanto, a relação entre consumir álcool e hepatite alcoólica é complexa. Nem todos os bebedores pesados desenvolvem hepatite alcoólica e a doença pode ocorrer em pessoas que bebem apenas moderadamente.

Qual é a causa da hepatite alcoólica?

A hepatite alcoólica se desenvolve quando o álcool ingerido danifica o fígado. A existência prévia de uma hepatite C favorece ainda mais a eclosão da hepatite alcoólica. Também a desnutrição favorece a hepatite alcoólica e frequentemente é também uma consequência do alcoolismo.

O principal fator de risco para hepatite alcoólica é a quantidade de álcool que a pessoa consome. No entanto, a hepatite alcoólica pode ocorrer entre aqueles que bebem pouco e têm outros fatores de risco.

As mulheres parecem ter um risco maior de desenvolver hepatite alcoólica, possivelmente devido a diferenças na maneira como o álcool é processado nelas. Os bebedores pesados que estão acima do peso podem ser mais propensos a desenvolver a condição e progredir para cirrose. Há estudos que sugerem que pode haver participação genética na doença, embora seja difícil separar fatores genéticos e ambientais. Os negros e hispânicos parecem estar em maior risco de hepatite alcoólica que as demais pessoas.

Saiba mais sobre "Hepatites", "Alcoolismo" e "Cirrose hepática".

Qual é o substrato fisiológico da hepatite alcoólica?

Embora não esteja claro como o álcool danifica o fígado, já que ocorre apenas em alguns bebedores pesados, é sabido que o processo do corpo para decompor o álcool produz produtos químicos altamente tóxicos, os quais desencadeiam inflamações que destroem as células hepáticas. Com o tempo, as cicatrizes substituem o tecido hepático saudável, interferindo na função do fígado. Essa cicatriz irreversível (cirrose) é o estágio final da doença hepática alcoólica.

Os sinais de desnutrição são comuns em pessoas com hepatite alcoólica. Beber grandes quantidades de álcool suprime o apetite, e quem bebe muito recebe a maior parte de suas calorias do álcool, sentindo pouca necessidade de outros alimentos. Além disso, muitas pessoas que bebem muito são desnutridas porque comem mal e/ou porque o álcool e seus derivados impedem que o corpo absorva adequadamente os nutrientes, o que contribui para os danos às células hepáticas.

Quais são as características clínicas da hepatite alcoólica?

O sinal clínico mais comum é o amarelamento da pele e do branco dos olhos (icterícia). Outros sinais e sintomas incluem perda de apetite; náuseas e vômitos; aumento da sensibilidade abdominal; febre, geralmente baixa; fadiga e fraqueza. Outros sinais e sintomas que ocorrem com a hepatite alcoólica grave incluem acúmulo de líquido no abdome (ascite); confusão mental; mudanças de comportamento devido ao acúmulo de toxinas normalmente metabolizadas e eliminadas pelo fígado e insuficiência renal e hepática.

Como o médico diagnostica a hepatite alcoólica?

O médico fará um exame físico e procurará se informar sobre o uso atual e passado de álcool. Para testar a doença hepática, ele pode recomendar testes de função hepática, outros exames de sangue, uma ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética do fígado. Uma biópsia hepática pode ser necessária, se outros exames não fornecerem um diagnóstico claro sobre essa ou outras causas de hepatite.

Como o médico trata a hepatite alcoólica?

O paciente diagnosticado com hepatite alcoólica deve parar de beber e nunca mais ingerir álcool, além de observar terapias para aliviar os sinais e sintomas de danos no fígado. As pessoas que continuam a beber álcool correm um alto risco de danos graves ao fígado e de morte.

O tratamento para deixar de beber pode incluir medicamentos, aconselhamento, grupos de Alcoólicos Anônimos ou outros grupos de apoio, programas de tratamento ambulatorial ou residencial. Deve também ser empreendido tratamento para desnutrição, a começar por uma dieta especial para corrigir os problemas nutricionais vigentes. A pessoa pode ser encaminhada a um nutricionista que pode sugerir maneiras de aumentar o consumo de vitaminas e nutrientes que lhe faltam.

Se a pessoa tiver hepatite alcoólica grave, o médico pode recomendar medicamentos para reduzir a inflamação do fígado, como corticosteroides ou anti-inflamatórios. Como último recurso, pode ser necessário realizar um transplante de fígado. Contudo, historicamente, aqueles com hepatite alcoólica não são candidatos ao transplante, devido ao alto risco de voltarem a beber, o que é prejudicial após o transplante.

Como evolui a hepatite alcoólica?

Para muitas pessoas com hepatite alcoólica grave, o risco de morte é alto.

Como prevenir a hepatite alcoólica?

A pessoa pode reduzir o risco de hepatite alcoólica se beber com moderação, mas a maneira mais certa de preveni-la é evitar de todo o álcool. Por outro lado, a pessoa deve proteger-se da hepatite C que, se não tratada, pode levar à cirrose.

Quais são as complicações possíveis da hepatite alcoólica?

As complicações da hepatite alcoólica estão relacionadas ao tecido cicatricial, que pode retardar o fluxo sanguíneo através do fígado, aumentando a pressão no vaso sanguíneo principal, a veia porta, e o acúmulo de toxinas. O sangue que não flui livremente através da veia porta pode voltar para outros vasos sanguíneos no estômago e no esôfago, produzindo varizes que provavelmente sangrarão, muitas vezes de maneira fatal.

Outra complicação possível da hepatite alcoólica é o acúmulo de líquido no abdômen (ascite). A ascite não representa risco de vida, mas geralmente é um sinal de hepatite alcoólica avançada ou cirrose. O líquido que se acumula no abdômen pode ser infectado e requer tratamento com antibióticos.

O acúmulo de toxinas pode danificar o cérebro, causando confusão mental, sonolência e fala arrastada (encefalopatia hepática). Uma encefalopatia hepática grave pode resultar em coma. Um fígado danificado pode afetar o fluxo sanguíneo para os rins, resultando em danos a esses órgãos. A cirrose pode levar à insuficiência hepática.

Leia também sobre "Biópsia de fígado", "Esteatose hepática", "Insuficiência hepática" e "Transplante de fígado".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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