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Hérnia de Spiegel

Friday, January 12, 2024
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Hérnia de Spiegel

O que é hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel, também conhecida como hérnia ventro-lateral, é uma condição rara que ocorre quando os tecidos ou órgãos abdominais ou o peritônio se projetam através de um defeito na parede muscular ântero-lateral do abdômen. Ela se desenvolve na borda do músculo reto abdominal, que está localizado na parte lateral do abdômen, perto dos músculos oblíquos do abdômen.

É a mais rara entre as hérnias da parede abdominal. Essa hérnia é assim nomeada em homenagem ao anatomista Adriaan van der Spiegel, que a descreveu pela primeira vez em 1764.

Quais são as causas da hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel pode ser devida a vários fatores:

  1. defeito inato do tecido conjuntivo da parede abdominal;
  2. levantamento de peso;
  3. atividades esportivas;
  4. obesidade;
  5. tosse;
  6. gravidez;
  7. infecção pós-operatória;
  8. presença de fluido abdominal;
  9. dificuldade de urinar ou evacuar;
  10. degeneração da camada aponeurótica, que pode ocorrer com o decorrer da idade;
  11. e defeitos da síntese do tecido colagenoso.

A hereditariedade também é um fator na probabilidade de um indivíduo desenvolver uma hérnia de Spiegel. O quadrante inferior da parede abdominal pode enfraquecer também no decurso de alguma enfermidade ou trauma. Em alguns casos a hérnia pode ser idiopática, dita então “hérnia ventro-lateral espontânea”.

Qual é o substrato fisiopatológico da hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel ocorre na linha de Spiegel, que é a parte da aponeurose localizada entre a linha semilunar e a borda lateral do músculo reto abdominal. Embora sua fisiopatologia não seja conhecida em sua totalidade, uma das teorias mais aceitas sugere que ela se desenvolve devido a uma fraqueza na camada muscular da parede abdominal e/ou a uma pressão intra-abdominal excessiva, levando à protrusão de órgãos internos, como a gordura peritoneal ou o intestino, através de uma abertura na fáscia (camada de tecido conjuntivo que envolve os músculos) da parede abdominal.

Essa fraqueza pode ser congênita, resultante de predisposição hereditária; causada por traumas, como lesões ou cirurgias prévias na região abdominal; ou decorrer de atividades que exercem pressão crônica sobre a parede abdominal, como o levantamento de peso excessivo, a tosse crônica, a gravidez, entre outros fatores.

Quais são as características clínicas da hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel é incomum em crianças e mais incidente (embora rara) em adultos. Em geral, ela é unilateral e só muito raramente bilateral.

As pessoas com hérnia de Spiegel apresentam dor intermitente (indo e vindo), um nódulo ou massa e todos os sinais clássicos de obstrução intestinal. Podem apresentar uma protuberância quando permanecem na posição vertical, embora o desconforto às vezes possa ser confundido com uma ulceração péptica, em virtude da sua localização anatômica abdominal e a semelhança de alguns sintomas. A protuberância pode ser dolorosa quando o paciente se alonga, mas desaparece quando ele está deitado em posição de repouso.

No entanto, vários pacientes não apresentam sintomas óbvios, mas sim uma vaga sensibilidade ao longo da área em que a fáscia de Spiegel está localizada. Os sintomas, quando existem, podem incluir dor abdominal, desconforto ou sensação de pressão na região afetada.

Leia também sobre "Hérnia incisional", "Hérnias cerebrais", "Hérnia de disco" e "Hérnia de disco extrusa".

Como o médico diagnostica a hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel é mais difícil de diagnosticar que as demais hérnias abdominais, já que muitas vezes não se manifesta como uma protuberância visível sob a pele. O diagnóstico de uma hérnia de Spiegel é tradicionalmente difícil de ser alcançado apenas pela história clínica ou pelo exame físico. Muitas vezes, ela permanece não diagnosticada até que se torne dolorosa ou que o paciente experimente complicações mais evidentes, como encarceramento, estrangulamento ou obstrução intestinal.

O diagnóstico definitivo é feito por meio de exames de imagens, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A ultrassonografia ou tomografia computadorizada fornecerão imagens melhores para a detecção de uma hérnia do que uma simples radiografia.

Como o médico trata a hérnia de Spiegel?

O tratamento da hérnia de Spiegel envolve cirurgia para reposicionar os tecidos ou órgãos herniados e reparar a parede muscular enfraquecida. A hérnia pode ser reparada por procedimento aberto ou cirurgia laparoscópica. A cirurgia é simples e apenas defeitos maiores exigem uma prótese de tela.

Se o risco de encarceramento for confirmado, a cirurgia torna-se uma emergência médica. Hoje em dia, uma hérnia de Spiegel pode ser reparada através de laparoscopia robótica e a maioria dos pacientes pode retornar para casa no mesmo dia.

O reparo de sutura laparoscópica sem tela é uma abordagem descomplicada e combina os benefícios de um fechamento simples da parede abdominal com menores custos.

Como evolui a hérnia de Spiegel?

De modo geral, os pacientes que sofrem de hérnia de Spiegel não complicada têm um excelente prognóstico, após a correção cirúrgica. Se ocorrerem complicações, a morbidade e a mortalidade aumentam, mas, em geral, são baixas.

Quais são as complicações possíveis com a hérnia de Spiegel?

A hérnia de Spiegel tem um alto risco de estrangulamento e quando não diagnosticada a tempo pode levar a complicações graves, como encarceramento, obstrução intestinal, estrangulamento e peritonite. Após a cirurgia podem ocorrer infecções, hematomas, seroma, danos a vísceras abdominais e recorrência da hérnia.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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