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Hérnias abdominais: você sabe como elas aparecem?

segunda-feira, 25 de junho de 2012
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Hérnias abdominais: você sabe como elas aparecem?

O que são hérnias abdominais?

Hérnias abdominais são protrusões de um órgão ou parte dele para fora do espaço que ele normalmente ocupa. Esta protrusão ocorre através de um orifício na parede do abdome, natural ou adquirido.

Quase sempre as hérnias aparecem quando a pessoa sofre um acidente, tenta levantar um peso, tosse violentamente ou executa qualquer outra tarefa que aumente a pressão sobre o órgão herniado. As hérnias não surgem de uma hora para outra, elas vão se formando gradativamente, às vezes ao longo de muito tempo.

Embora a maioria das hérnias não represente um problema imediato e possa ser “reduzida” por manobras manuais (recolocação manual do conteúdo herniado para dentro da cavidade abdominal), elas podem evoluir para hérnias encarceradas ou estranguladas. No primeiro caso, o conteúdo da hérnia fica “preso” dentro do saco herniário e não é mais possível retorná-lo para o seu local original. No segundo caso, além do que foi descrito anteriormente, ocorre um impedimento do suprimento sanguíneo, com isquemia e necrose do conteúdo herniado. As hérnias estranguladas, à diferença das hérnias regulares, são sempre dolorosas e às vezes são acompanhadas por sintomas como náuseas, vômitos, febre e mal-estar geral. As hérnias estranguladas representam sempre uma situação médica de emergência porque elas podem levar à peritonite, septicemia e morte.

Quais são os tipos de hérnias abdominais?

As hérnias abdominais ocorrem quando há grande aumento da pressão intra-abdominal ou enfraquecimento da parede do abdome. As localizações mais comuns são a região inguinal, umbilical, femoral, epigástrica e em locais onde haja cicatrizes de cirurgias anteriores (hérnia incisional). Outras localizações podem ainda ocorrer, mas são mais raras. Caso o orifício por onde o conteúdo abdominal se insinua seja grande o bastante, o intestino, por exemplo, pode entrar e sair livremente por ele e isso causará apenas desconforto ao paciente, mas caso seja pequeno a alça intestinal pode entrar e não conseguir sair, obstruindo a circulação dela, causando um “estrangulamento” que leva à gangrena, situação que constitui uma emergência médica de muita gravidade e exige solução cirúrgica rápida, sob o sério risco de morte, uma vez que a alça “estrangulada” necrosa rapidamente.

Os tipos mais comuns de hérnias abdominais são:

  • Hérnia inguinal: é a mais frequente das hérnias abdominais. A protrusão se dá na região inguinal (virilha), seja porque a parede dessa região abdominal é especialmente fraca, seja porque ela suporta pressões especiais. Há dois tipos de hérnias inguinais que ocorrem com mais frequência, a direta e a indireta. A direta forma-se em um ponto enfraquecido da parede abdominal inguinal, permitindo a penetração de um segmento do intestino na bolsa escrotal. A indireta se forma pela passagem da alça intestinal para o interior da bolsa que envolve o testículo através do anel herniário (canal inguinal). Elas tendem a se agravar com todas aquelas situações que implicam em aumento da pressão intra-abdominal (esforço para evacuar, constipação intestinal crônica, exercícios físicos, etc.); obesidade; tabagismo; doenças da próstata, do coração ou do fígado. A correção delas consiste em recolocar o seu conteúdo para dentro da cavidade abdominal e fechar o orifício com uma tela sintética.
  • Hérnia umbilical: a hérnia umbilical pode estar presente desde o nascimento (hérnia congênita) ou ser adquirida ao longo da vida e é causada por um defeito de oclusão da cicatriz umbilical. Na maioria das vezes, a hérnia umbilical congênita se fecha espontaneamente até os quatro anos de idade, mas caso ela persista além disso será necessário tratamento cirúrgico. Em adultos, a hérnia umbilical raramente desaparece e a tendência é que vá aumentando progressivamente de tamanho. Ocorre tanto em homens como em mulheres, associada à elevação da pressão intra-abdominal (exercício físico, carregar peso, levantar-se da cama, força da evacuação, etc.). Nas mulheres pode estar associada à gravidez. O tratamento é simples e consiste na sutura do defeito umbilical.
  • Hérnia epigástrica: As hérnias epigástricas incidem na linha mediana do abdome, acima ou abaixo da cicatriz umbilical e deve-se a aberturas entre os músculos retos abdominais. Podem ocorrer mais de uma ao mesmo tempo. Tanto elas, como as hérnias umbilicais apresentam baixo índice de recidiva e, se pequenas, podem desaparecer espontaneamente.
  • Hérnia femoral: a hérnia femoral (ou crural) é uma protrusão do conteúdo da cavidade abdominal ou da pelve através do canal femoral. O canal femoral ocupa a parte medial da bainha femoral e estende-se desde o anel femoral até o orifício da veia safena. A hérnia femoral em geral é adquirida, possivelmente resultante de um aumento da pressão intra-abdominal. É o terceiro tipo mais incidente entre as hérnias abdominais e tende a aumentar de frequência com a idade, em virtude do enfraquecimento dos tecidos, próprio do envelhecimento. Habitualmente as hérnias femorais são assintomáticas, mas às vezes se manifestam por dor local, protrusão na virilha ou, se for o caso, pelos sintomas de encarceramento ou de estrangulamento que esse tipo de hérnia pode apresentar.
  • Hérnia incisional: as hérnias incisionais resultam do enfraquecimento da parede abdominal ou da cicatrização inadequada das incisões em locais do abdome que tenham sido submetidos à cirurgia. Este tipo de hérnia tem altos índices de recidiva e complicações. Elas são facilitadas por infecções da ferida cirúrgica; obesidade; uso de corticoides e de quimioterapia; tosse ou complicações respiratórias no pós-operatório; má nutrição e idade avançada. Em hérnias pequenas, o tratamento pode ser feito apenas com a sutura simples do defeito da parede abdominal, mas nos casos de hérnias grandes ou em pacientes obesos há a necessidade de colocação de uma tela apropriada.

Quais são os sinais e sintomas das hérnias abdominais?

O sinal mais ostensivo das hérnias abdominais é a protrusão que elas provocam na parede do abdome, a qual aumenta de volume com o esforço físico. Algumas delas são assintomáticas, mas quando há sintomas os mais comuns são: sensação de desconforto na região afetada, dor no local, náuseas e vômitos.

Como é o tratamento das hérnias abdominais?

Embora haja tratamentos paliativos para as hérnias, a solução definitiva é cirúrgica, com recomposição da parede enfraquecida e reposição da estrutura herniada. Algumas protrusões herniárias podem ser reduzidas com as mãos, recolocando-se os conteúdos das hérnias em seus locais originais. Isso, no entanto, deve ser feito cuidadosamente, por pessoa especializada e não se aplica a todas as hérnias.

Antigamente, as cintas compressoras da parede lesionada eram muito utilizadas e, com menor frequência, ainda são.

Como evoluem as hérnias abdominais?

Uma vez iniciadas, a maioria das hérnias vai crescendo progressivamente, podendo chegar a tamanhos impressionantemente grandes. Algumas se estabilizam em definitivo e as estruturas herniadas exercem normalmente suas funções dentro do saco herniário (hérnias encarceradas). Outras sofrem “estrangulamento”, uma situação grave que demanda cirurgia de emergência.

Quais são as complicações possíveis das hérnias abdominais?

A complicação mais comum e mais grave é o “estrangulamento” da estrutura herniada, que, como dito anteriormente, constitui uma situação médica grave e de emergência e que requer cirurgia imediata. Na maioria das vezes, implica em perda de um segmento intestinal. Se a parte estrangulada se romper, quase fatalmente levará a uma peritonite e a uma septicemia, situações potencialmente mortais. Essa possibilidade é maior com as hérnias de médio tamanho, já que as muito pequenas não chegam a encarcerar estruturas capazes de sofrer estrangulamento e as muito grandes acomodam bem as estruturas dentro do orifício herniado.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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