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Hiperaldosteronismo primário e secundário - o que são? Quais os sintomas?

Tuesday, September 15, 2020
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Hiperaldosteronismo primário e secundário - o que são? Quais os sintomas?

O que é hiperaldosteronismo?

O hiperaldosteronismo é a produção excessiva de aldosterona pelas glândulas suprarrenais, duas glândulas triangulares localizadas acima dos polos superiores dos rins. A aldosterona tem como principal função a regulação do balanço eletrolítico, ou seja, o controle de fluidos e minerais no organismo. O principal papel que ela cumpre nesse intento é estimular a retenção de sódio e promover a excreção de potássio pelos rins, glândulas salivares e sudoríparas.

A renina (ou angiotensina), uma enzima circulante liberada pelas células justaglomerulares dos rins, também é responsável por estimular a síntese de aldosterona. Um complexo sistema denominado sistema renina-angiotensina-aldosterona, que tem como um de seus objetivos controlar a pressão arterial.

Há dois tipos de aldosteronismo:

  1. Hiperaldosteronismo primário, em que as suprarrenais são originalmente afetadas por um adenoma geralmente não canceroso.
  2. Hiperaldosteronismo secundário, em que elas são afetadas secundariamente, em consequência de outras doenças ou condições.
Leia sobre "Dieta para hipertensos", "Distúrbios hidroeletrolíticos", "Hipocalemia e Hipercalemia" e "Adenomas".

Hiperaldosteronismo primário

O hiperaldosteronismo primário, ou simplesmente aldosteronismo primário, corresponde a um grupo raro de desordens das glândulas suprarrenais caracterizadas pelo excesso de produção de aldosterona que, normalmente, controla os níveis de sal e potássio no sangue e, ademais, leva à hipertensão arterial.

Cerca de 33% dos casos de hiperaldosteronismo primário são decorrentes de um adenoma adrenal, geralmente benigno, e 66% deles são decorrentes de uma hiperplasia de ambas as glândulas. A maioria dos casos acontece aleatoriamente e suas causas não são inteiramente conhecidas, mas alguns deles têm uma raiz genética e são transmitidos aos filhos por um dos pais.

O hiperaldosteronismo primário pode acontecer em qualquer idade, porém é mais frequente em pessoas na faixa dos 30 e 40 anos, e é mais comum em mulheres do que em homens. Ele pode levar a hipocalcemia, alcalose metabólica, hipertensão arterial e hipernatremia. Indivíduos com hipocalcemia e hipertensão arterial podem apresentar também aumento da frequência urinária, sede em excesso, fraqueza, fadiga, paralisias temporárias, palpitação, cefaleia, contraturas musculares, sensação de “agulhadas” e formigamento.

Os níveis de aldosterona circulante podem ser detectados num exame de sangue e/ou de urina. No hiperaldosteronismo primário, a aldosterona encontra-se muito elevada, enquanto a renina encontra-se extremamente baixa ou nem é possível detectá-la. O baixo teor de potássio no sangue está presente apenas em cerca de um quarto das pessoas. O médico pode solicitar uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética para encontrar um adenoma ou uma hiperplasia.

O hiperaldosteronismo costuma ser uma condição curável. O tratamento é basicamente cirúrgico, quando se trata de tumores. A cirurgia quase sempre é feita por laparoscopia, embora seja uma cirurgia complexa. A hiperplasia bilateral é tratada com diuréticos, que ajudam a controlar o acúmulo de fluidos no corpo. A pressão arterial pode ser controlada pelo uso de medicamentos anti-hipertensivos. Mesmo assim, os pacientes devem ser monitorados por toda a vida para detecção precoce de um possível segundo adenoma, uma situação que, no entanto, só ocorre muito raramente.

O hiperaldosteronismo primário foi descrito em 1955 por Jerome Conn e é, por isso, dominado também síndrome de Conn.

Hiperaldosteronismo secundário

O hiperaldosteronismo secundário, ou simplesmente aldosteronismo secundário, também conhecido como hiperreninismo, é um aumento da produção de aldosterona pelas glândulas suprarrenais em resposta a estímulos não oriundos da hipófise, como hipovolemia renal, aumento da secreção de renina, aumento da reabsorção renal de sódio e aumento do fluido extracelular, por exemplo. Mais que uma nosologia, o hiperaldosteronismo secundário é uma resposta do organismo a uma outra patologia de base. Ele pode ser causado, entre outras condições, por síndrome nefrótica, cirrose hepática ou doença cardíaca crônica.

Seus sintomas são semelhantes aos do aldosteronismo primário e incluem alcalose hipocalêmica (deficiência de potássio no sangue), que causa fraqueza episódica, edema periférico, parestesias, paralisia transitória e tetania. Em muitos casos, a hipertensão arterial é a única manifestação evidente. O diagnóstico pode ser feito mediante a dosagem de aldosterona e da atividade de renina no sangue.

O tratamento do hiperaldosteronismo secundário envolve a correção da sua causa, quando possível. A hipertensão arterial pode ser controlada com um bloqueador seletivo da aldosterona como espironolactona ou outro diurético.

Veja também sobre "Síndrome de Conn", "Hipertensão arterial na infância", "Hipertensão arterial" e "Crises hipertensivas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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