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Hiperfagia - características, diagnóstico e tratamento

Monday, December 21, 2020
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Hiperfagia - características, diagnóstico e tratamento

O que é hiperfagia?

Hiperfagia ou polifagia é uma sensação anormalmente forte de fome ou desejo de comer, muitas vezes sendo acompanhada pelo alimentar-se em excesso. Em contraste com o aumento fisiológico do apetite após certas atividades (o exercício, por exemplo), a polifagia não diminui após a alimentação e geralmente leva à ingestão rápida de quantidades excessivas e desnecessárias de alimentos.

A quantidade de alimento apropriada para cada pessoa é um tanto individual e depende do seu tamanho, metabolismo e cultura. A polifagia é marcada por um aumento na quantidade habitual de comida que uma pessoa consome ou na fome que ela experimenta.

Quais são as causas da hiperfagia?

Um aumento transitório na fome é uma resposta fisiológica normal a certas atividades extenuantes, mas comer demais de modo persistente pode ser o resultado de problemas mais graves. A polifagia continuada nunca é um problema por si mesmo, mas sempre indica alguma condição ou transtorno médico subjacente. Frequentemente, é resultado de níveis anormais de glicose no sangue, de modo que a hiperfagia, junto com a polidipsia (aumento da sede) e a poliúria (aumento da urina) constituem os três sintomas cardinais associados ao diabetes mellitus.

Pode também estar associada à tensão pré-menstrual, ao hipertireoidismo e a outras doenças endócrinas. Também tem sido observada em doenças genéticas causadas por anomalias cromossômicas, em lesões do hipotálamo, na eliminação de receptores vagais e devido a algum trauma que a pessoas possa ter enfrentado em algum momento da vida.

Uma polifagia transitória pode estar associada à gravidez. E, em alguns casos, a hiperfagia pode se manifestar esporadicamente, sem causa aparente.

A alimentação em excesso nem sempre é causada por uma doença. Alguns exemplos comuns incluem as comemorações que giram em torno de uma refeição. Ou, ainda, a maior ingestão nutricional para compensar as calorias gastas durante alguma atividade, como acontece com os levantadores de peso, que sentem precisar de mais proteínas depois de suas performances.

Veja sobre "Diferenças entre fome e vontade de comer", "O comer compulsivo" e "Síndrome do comer noturno".

Quais são as características clínicas da hiperfagia?

Na hiperfagia, o ato de comer assume certas características de compulsividade: o ato em si pode até não ser prazeroso, mas a pessoa não consegue interrompê-lo. Não importa o quanto a pessoa consuma, a sensação de fome parece estar sempre presente.

A hiperfagia é caracterizada pela ingestão contínua de alimentos diversos, sendo mais comuns aqueles ricos em calorias. Outros sintomas recorrentes são irritabilidade, variação de humor, aumento rápido de peso, taxas sanguíneas desreguladas e aumento do risco de hipertensão e diabetes. Em alguns casos, há também sentimento de culpa e retraimento do convívio social.

Como o médico diagnostica a hiperfagia?

O diagnóstico de hiperfagia é eminentemente clínico. O médico primeiro fará um histórico detalhado, incluindo outros sintomas que a pessoa tenha, há quanto tempo a polifagia vem acontecendo, qual a dieta habitual do paciente e sua história médica familiar. Com base nessas informações, o médico pode suspeitar do que está causando a polifagia. Para confirmar, ele solicitará exames de sangue, ou outros, para descartar quaisquer causas suspeitas, como diabetes ou hipertireoidismo, por exemplo.

Como o médico trata a hiperfagia?

O tratamento da hiperfagia deve ser focalizado no tratamento da causa subjacente do transtorno. Reconhecer a causa da polifagia de uma pessoa é o primeiro passo para se livrar dela e de todas as suas complicações. Algumas condições que podem causar polifagia, como diabetes, hipertireoidismo e síndrome pré-menstrual podem ser tratadas com medicamentos, além de uma dieta saudável e um plano regular de exercícios físicos.

Se a polifagia se dever a uma causa mental, como ansiedade ou depressão, o paciente deve ser encaminhado a um especialista em saúde mental para ajudá-lo a encontrar o tratamento adequado. Nesses casos, a terapia cognitivo-comportamental ou outra, antidepressivos ou ansiolíticos podem ser recomendados.

Se por acaso a hiperfagia se dever ao uso de algum remédio, o médico deve ser consultado quanto à possibilidade de suspendê-lo ou substituí-lo por outro.

Leia também sobre "Obesidade", "Obesidade infantil" e "Cálculo do índice de massa corporal ou IMC".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Uncommon Obesity e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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