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Hipersensibilidade ao açúcar, intolerância ao açúcar e resistência à insulina

Monday, February 22, 2021
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Hipersensibilidade ao açúcar, intolerância ao açúcar e resistência à insulina

Hipersensibilidade ao açúcar

A hipersensibilidade ao açúcar é uma espécie de alergia alimentar a diferentes tipos de açúcares, desde o açúcar de mesa e o açúcar mascavo, até os açúcares das frutas. Nas pessoas alérgicas aos açúcares, mesmo pequenas doses deles podem provocar uma gama imediata e às vezes profunda de sintomas sugestivos de alergia. Embora alguns estudos tenham constatado a existência de alergias ao açúcar, não conseguiram demonstrar evidências de um anticorpo específico para o açúcar. Se a pessoa que tem alergia grave ao açúcar o ingerir, pode ter uma forma perigosa de reação, chamada anafilaxia.

Em geral, quando uma pessoa ingere pela primeira vez um alimento ao qual é alérgica, o corpo forma um anticorpo específico contra ele (imunoglobulina E - IgE). Durante uma dose posterior, o sistema imunológico dela responde com uma reação alérgica que pode ser muito grave. No caso em foco, o alergeno considerado é o açúcar. Portanto, a alergia ao açúcar é o resultado de uma resposta negativa do sistema imune ao produto. Uma pessoa que é alérgica ao açúcar terá seu sistema imunológico fortemente impactado pelo consumo mesmo de pequenas quantidades da substância.

Embora a causa para isso não seja inteiramente conhecida, parece haver um fator constitucional envolvido na causação da alergia ao açúcar, porque ela é mais comum de acontecer em pessoas que possuem histórico familiar de alergia.

Os sintomas de qualquer alergia alimentícia ao açúcar, como qualquer outra alergia alimentar, podem resultar em choque anafilático, que se não for prontamente tratado pode resultar em morte. Apesar da alergia ao açúcar ser uma reação rara, a possibilidade desse sintoma não deve ser desconsiderada. Uma pessoa que sofra de choque anafilático pode sucumbir e morrer num intervalo de minutos, devido à asfixia resultante do fechamento de vias aéreas.

Veja sobre "Intolerância à glicose", "Intolerância à lactose" e "Probióticos e Prebióticos".

Intolerância ao açúcar

Na maioria dos casos, contudo, o que há é uma intolerância ao açúcar, que deve ser diferenciada da alergia ao açúcar porque, embora os sintomas possam ser parecidos, os mecanismos subjacentes são muito diferentes. Uma diferença essencial entre uma reação alérgica e uma intolerância é que uma pessoa com intolerância pode ser capaz de consumir pequenas porções de um alimento problemático sem uma resposta negativa, enquanto as reações alérgicas habitualmente são muito intensas mesmo diante de quantidades mínimas do alergeno. Uma pessoa que tenha intolerância ao açúcar manifestará sintomas ante toda variedade de produtos que contenham o produto, como doces, bolos, biscoitos e frutas.

A intolerância ao açúcar acontece quando uma das enzimas presentes na mucosa do intestino delgado (lactase, sacarase ou maltase) não é capaz de digerir os açúcares lactose, sacarose ou maltose, dividindo-os em açúcares mais simples, que são então absorvidos pela corrente sanguínea. Essa dificuldade de digestão pode ser devida também à sensibilidade a produtos químicos específicos ou aditivos acrescentados ao alimento.

A intolerância ao açúcar se manifesta por diarreia, cólicas, erupções cutâneas e coceira nos lábios, que são também alguns dos sintomas da alergia ao açúcar, que podem ser provocados por açúcares naturais ou artificiais, puros ou adicionados a outros alimentos.

Resistência à insulina

A resistência à insulina ocorre quando as células dos músculos, tecido gorduroso e fígado não respondem bem à insulina e não ajudam a glicose a penetrar nas células que, então, não podem usá-la como fonte de energia.

Resistência à insulina e sensibilidade à insulina são duas faces da mesma moeda. Se a pessoa tem resistência à insulina, tem baixa sensibilidade à insulina; se tem alta sensibilidade à insulina, tem baixa resistência à insulina. Na tentativa de regularizar a questão, o pâncreas produz cada vez mais insulina, mas mesmo assim, com o tempo, os níveis de açúcar no sangue aumentam, causando um pré-diabetes.

Embora as causas exatas da resistência à insulina ainda não sejam totalmente compreendidas, os fatores que podem levar ao desenvolvimento dela são bem conhecidos. Quanto ao que está acontecendo dentro do corpo que causa resistência à insulina, os pesquisadores observaram que ela ocorre em pessoas que têm excesso de gordura armazenada no fígado e pâncreas e altos níveis de inflamação. A resistência à insulina pode comumente se desenvolver se a pessoa está com sobrepeso, se é obesa, se tem uma dieta rica em calorias, carboidratos e açúcar, se tem um estilo de vida sedentário, praticando pouca ou nenhuma atividade física, se tomar altas doses de esteroides por um longo período de tempo e se tem estresse crônico, doença de Cushing ou ovário policístico.

Leia também sobre "Adoçantes: prós e contras", "Frutose não é só o açúcar das frutas" e "Pré-diabetes".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine, do Diabetes.co.uk e do The American Journal of Clinical Nutrition.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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