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Hipocapnia - o que é? O que ela causa? Ela pode ser útil?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017
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Hipocapnia - o que é? O que ela causa? Ela pode ser útil?

O que é capnia?

Capnia é a dosagem de dióxido de carbono (CO2) no sangue. De um modo geral, quando uma pessoa respira, inala oxigênio e exala dióxido de carbono (CO2), mantendo um taxa sanguínea de CO2 constante.

O que é hipocapnia?

Hipocapnia, às vezes incorretamente chamada de acapnia, é um estado de redução do CO2 no sangue. A hipocapnia é por vezes induzida no tratamento de emergências médicas, tais como a hipertensão intracraniana e a hipercaliemia (ou hiperpotassemia). A hipocapnia é o oposto de hipercapnia.

Quais são as causas da hipocapnia?

A hipocapnia resulta de respiração profunda ou rápida, conhecida como hiperventilação, seja praticada voluntariamente ou por razões patológicas.

Leia também sobre "Distúrbios hidroeletrolíticos: o que devemos saber?", "Síndrome de hiperventilação", "Alcalose: como ela é?" e "Acidose: o que é importante conhecer?"

Quais são as consequências fisiológicas da hipocapnia?

A hipocapnia tem um efeito imediato sobre a circulação cerebral, levando à vasoconstrição e à hipóxia cerebral. Ela também provoca alcalose, levando à criação de íons de cálcio no plasma e ao aumento da excitabilidade nervosa e muscular. O efeito disso é uma diminuição tanto da quantidade quanto do ritmo de liberação de oxigênio a partir da hemoglobina. Uma vez que o tronco cerebral regula a respiração através do nível de CO2 no sangue, a hipocapnia pode ativar a respiração a partir de hipóxia cerebral.

Quais são as principais características clínicas da hipocapnia?

Quase sempre a hipocapnia é causada pela hiperventilação, que é um aumento da frequência respiratória descompassada com a demanda metabólica, que pode levar à redução do CO2 no sangue e à alcalose respiratória, o que provoca tanto uma vasoconstrição em determinados leitos vasculares quanto uma hiperexcitabilidade neuronal. Os sintomas mais comuns resultantes da hiperventilação são: palpitações, taquicardia, dor precordial, fenômeno de Raynaud, tonteira, alteração da consciência, visão borrada, parestesias, dormência ao redor da boca, pés e mãos frios, falta de ar, dor torácica, respiração curta, disfagia, dor epigástrica, distensão abdominal, dores musculares, tremores, tetania, ansiedade, medo, fadiga, fraqueza, exaustão e sonolência. Isto explica os outros sintomas comuns da hiperventilação: sensação de "agulhadas", câimbras musculares e tetania nas extremidades, especialmente nas mãos e pés. Também foi constatada uma relação complexa entre ansiedade, pânico e hiperventilação. Tanto essas condições podem ser induzidas pela hiperventilação quanto a hiperventilação pode ocorrer sem elas. A hipercapnia também pode ser secundária a uma doença orgânica, principalmente a asma.

Veja mais em "Síndrome de Raynaud: como ela é?", "Dor no peito: é sempre um sinal de alerta?", "Arritmia cardíaca" e "Asma brônquica"

Como o médico trata a hipocapnia?

Quando interrompidos os motivos que a causam, a hipocapnia é rapidamente corrigida pelos mecanismos de controle do organismo.

Quais são os usos terapêuticos da hipocapnia?

A respiração mais rápida e mais profunda utilizada terapeuticamente não deve ser confundida com a síndrome de hiperventilação patológica, pois a primeira é voluntária, não causa danos físicos e seus efeitos são passageiros. A hipocapnia voluntariamente induzida tem também potencial terapêutico em certas condições mórbidas, causando uma vasoconstrição cerebral diferenciada. A fisiologia da hiperventilação se confunde com a fisiologia das emoções e dos mecanismos de somatização. Os mecanismos de auto regulação são ativados pela hipocapnia e gradativamente restabelecem o equilíbrio emocional e físico. As estruturas responsáveis pelas funções vitais, por exemplo, são mais resistentes a respostas prejudiciais que as demais regiões e funções cerebrais. Ao contrário, as áreas corticais, menos relacionadas com a sobrevivência imediata, são mais afetadas, sem implicarem risco para o organismo. Os efeitos fisiológicos de técnicas respiratórias utilizadas com objetivos terapêuticos mostraram que as pessoas são capazes de manter o nível de hipocapnia necessário para induzir modificações desejadas no estado de consciência. Essas modificações são responsáveis pela ativação de mecanismos envolvidos no equilíbrio físico e emocional. A pessoa experiencia sentimentos novos e memórias associadas com eles e, de acordo com sua psicodinâmica específica, os integra à consciência.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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