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Infecção crônica pelo vírus da Hepatite B: diagnóstico, tratamento e prevenção

segunda-feira, 22 de setembro de 2025
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Infecção crônica pelo vírus da Hepatite B: diagnóstico, tratamento e prevenção

O que é a infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

A infecção crônica pelo vírus da hepatite B (HBV) é uma condição de grande impacto em saúde pública, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e figura entre as principais causas de cirrose e carcinoma hepatocelular. Ela é definida como a persistência do antígeno de superfície (HBsAg) por mais de seis meses após a infecção inicial.

O HBV é um vírus de DNA da família Hepadnaviridae, transmitido principalmente por via parenteral (sangue e fluidos corporais), sexual, perinatal (de mãe para filho no parto) e, mais raramente, por contato com objetos contaminados. A infecção pode ser aguda, muitas vezes com resolução espontânea, ou evoluir para a forma crônica, sobretudo quando adquirida na infância ou em indivíduos imunossuprimidos.

A cronicidade ocorre em cerca de 90% dos recém-nascidos infectados, 25–50% das crianças menores de 5 anos e menos de 5% dos adultos.

Qual é o substrato fisiopatológico da infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

O HBV infecta os hepatócitos sem ser diretamente citotóxico. O dano hepático decorre da resposta imune do hospedeiro, mediada principalmente por linfócitos T citotóxicos. Após a infecção, o vírus se replica nos hepatócitos e pode integrar parte de seu DNA ao genoma da célula hospedeira. A resposta imune insuficiente, comum em infecções adquiridas na infância, permite a persistência do vírus em forma de DNA circular covalentemente fechado (cccDNA) no núcleo celular, que funciona como reservatório para replicação contínua.

A inflamação crônica leva à fibrose hepática progressiva e, em alguns pacientes, à cirrose. Além disso, a integração do DNA viral pode induzir instabilidade genômica e mutações, aumentando o risco de carcinoma hepatocelular.

Quais são as características clínicas da infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

A infecção crônica pode permanecer assintomática por anos ou décadas, dificultando o diagnóstico precoce. Quando há manifestações, incluem fadiga, mal-estar, dor abdominal no quadrante superior direito e, em fases mais avançadas, icterícia, ascite, edema periférico e sinais de insuficiência hepática.

Clinicamente, a evolução é descrita em fases:

  • Imunotolerância: típica em infecções perinatais, com replicação viral intensa (HBsAg e HBeAg positivos), mas sem inflamação hepática significativa (ALT normal).
  • Imunorreatividade (hepatite crônica ativa): aumento da atividade inflamatória, com elevação de ALT pela resposta imune.
  • Portador inativo: baixa replicação viral, HBeAg negativo, HBsAg positivo, inflamação mínima ou ausente.
  • Reativação: retorno da atividade inflamatória em portadores inativos, frequentemente associado a mutações do vírus.

Como o médico faz o diagnóstico da infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

O diagnóstico se baseia em sorologia, testes moleculares e exames de imagem ou histologia. A presença de HBsAg por mais de seis meses confirma cronicidade. HBeAg indica alta replicação viral, enquanto anti-HBe sugere menor replicação. Anti-HBc IgG está presente em infecções crônicas ou passadas.

O PCR quantitativo para DNA do HBV avalia replicação ativa e orienta decisão terapêutica. Níveis elevados de ALT/AST indicam inflamação hepática.

Ultrassonografia, elastografia transitória (FibroScan®) e tomografia auxiliam na detecção de fibrose avançada, cirrose ou carcinoma hepatocelular. A biópsia hepática pode ser indicada em casos selecionados para avaliar atividade inflamatória e fibrose.

O diagnóstico diferencial inclui hepatite C, hepatite autoimune e esteato-hepatite não alcoólica.

Veja sobre "Insuficiência hepática", "Exames do fígado ou provas de função hepática" e "Hepatograma".

Como é o tratamento da infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

O tratamento visa suprimir a replicação viral, reduzir a inflamação hepática e prevenir complicações. Nem todos os pacientes requerem intervenção imediata; a decisão depende da fase da doença, da carga viral, dos níveis de ALT e da presença de fibrose ou cirrose.

As principais abordagens incluem:

  • Antivirais orais (análogos de nucleosídeos/nucleotídeos, como entecavir e tenofovir): são primeira escolha, eficazes na supressão viral e com baixa taxa de resistência, indicados para hepatite crônica ativa e cirrose.
  • Interferon alfa peguilado: estimula resposta imune, mas seu uso é limitado pelos efeitos adversos e menor tolerabilidade.
  • Monitoramento clínico: pacientes em imunotolerância ou portadores inativos devem ser acompanhados regularmente com sorologia, PCR para HBV-DNA e exames de imagem.
  • Medidas gerais: evitar álcool, manter dieta equilibrada, vacinar contra hepatite A e tratar comorbidades metabólicas.

A cura funcional, definida pela perda do HBsAg e soroconversão para anti-HBs, é rara, e na maioria dos casos o tratamento é prolongado, frequentemente por tempo indeterminado.

Evolução da infecção crônica pelo vírus da hepatite B

A evolução depende da carga viral, do grau de resposta imune e da adesão ao tratamento. Em pacientes não tratados, a infecção pode permanecer estável (portador inativo) ou evoluir para fibrose, cirrose em até 20% após 20–30 anos e carcinoma hepatocelular, especialmente em cirróticos. O tratamento adequado retarda ou interrompe a progressão e reduz substancialmente o risco de complicações.

Prevenção da infecção crônica pelo vírus da hepatite B

A prevenção é altamente eficaz. A vacina contra o HBV, aplicada em três doses, é segura e garante imunidade duradoura, devendo ser administrada universalmente a recém-nascidos, crianças e adultos não imunizados. Bebês de mães HBsAg positivas devem receber imunoglobulina específica (HBIG) associada à primeira dose da vacina nas primeiras 12 horas de vida, reduzindo drasticamente o risco de transmissão vertical.

Outras medidas incluem sexo seguro, esterilização adequada de materiais médicos, triagem rigorosa de sangue e derivados, além da não utilização de agulhas compartilhadas.

Quais são as complicações possíveis da infecção crônica pelo vírus da hepatite B?

As principais complicações são cirrose hepática, carcinoma hepatocelular, hepatite fulminante (rara, mas grave) e manifestações extra-hepáticas, como glomerulonefrite membranosa e poliarterite nodosa.

Leia também sobre "Hepatites", "Hepatite A", "Hepatite B" e "Hepatite C".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Albert Einstein e da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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