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Linfogranuloma venéreo

quinta-feira, 5 de abril de 2018
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Linfogranuloma venéreo

O que é linfogranuloma venéreo?

O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma doença sexualmente transmissível, pouco comum, caracterizada primariamente pelo aparecimento de uma lesão que se apresenta como uma ulceração ou como uma pápula na região genital. Seu período de incubação varia de 7 a 30 dias, a serem contados da data do contágio.

Quais são as causas do linfogranuloma venéreo?

O LGV é causado pelas variantes sorológicas L1, L2 e L3 produzidas pela bactéria Chlamydia trachomatis. Fatores de risco para a doença incluem residir ou visitar áreas endêmicas, praticar relações anais receptivas, evitar preservativos e praticar sexo indiscriminadamente.

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Qual é o mecanismo fisiológico do linfogranuloma venéreo?

A Chlamydia trachomatis é uma bactéria intracelular obrigatória. Dos 15 sorotipos clínicos conhecidos a partir dessa bactéria, apenas três (os sorotipos L1, L2 e L3) causam o LGV. A infecção ocorre após contato direto de alguma lesão cutânea ou mucosa com a pele ou membranas mucosas de um parceiro infectado. Esse organismo etiológico não penetra na pele intacta. A Chlamydia, depois de contraída, viaja então pelos linfáticos até os linfonodos regionais, onde se hospeda e se replica dentro dos macrófagos, causando uma fase sistêmica da doença.

Quais são as principais características clínicas do linfogranuloma venéreo?

O LGV ocorre em 3 estágios:

  1. O primeiro deles, que muitas vezes não é reconhecido, consiste em uma pápula ou pústula genital indolor e que cura rapidamente.
  2. O segundo, constituído de linfadenopatia inguinal dolorosa, ocorre de 2 a 6 semanas após a lesão primária.
  3. O terceiro estágio, que é mais comum em mulheres e homossexuais, pode ocorrer muitos anos após a infecção original e é caracterizado por proctocolite. A condição é caracterizada por pápulas ou úlceras genitais autolimitadas, seguidas de linfadenopatia dolorosa inguinal e/ou femoral, que pode ser a única manifestação clínica da condição.

Pacientes com LGV também podem apresentar ulcerações retais, especialmente entre pacientes que participam de relações anais receptivas. Nestes casos, pode ocorrer dor retal, corrimento e sangramento, sintomas que podem ser confundidos com outras condições gastrointestinais, como colite.

Se não tratado, o LGV pode levar à ulceração desfigurante, aumento da genitália externa e subsequente obstrução linfática.

Como o médico diagnostica o linfogranuloma venéreo?

O diagnóstico inical baseia-se principalmente numa boa história clínica e nos achados do exame físico. O diagnóstico laboratorial depende, em última instância, de identificar os sorovariantes L1, L2 ou L3 da Chlamydia. O teste sorológico, contudo, é problemático devido à dificuldade em cultivar o organismo e a cruzada dos muitos sorotipos diferentes. A cultura da Chlamydia trachomatis, embora de diagnóstico definitivo, é tecnicamente muito exigente e cara e produz um isolado típico apenas 30% das vezes. A aspiração por agulha de um bubão envolvido é o melhor método para obter tecido para cultura.

Como tem uma fase sistêmica, a doença produz uma forte resposta imunológica que pode ser detectada em testes de fixação de complemento. Os achados histológicos das biópsias de linfonodos realizados no segundo e terceiro estágios da doença geralmente revelam abscessos estrelados.

Como o médico trata o linfogranuloma venéreo?

O tratamento de pacientes com LGV deve incluir tanto cobertura antimicrobiana (antibióticos) como a drenagem de bubões infectados. A doxiciclina é a droga de escolha em pacientes que não estejam grávidas. Mulheres grávidas e lactantes devem ser tratadas com eritromicina. A aspiração com agulha e a drenagem dos linfonodos inguinais pode ser necessária para alívio da dor e prevenção da formação de úlceras. Algumas das complicações tardias do terceiro estágio do LGV podem exigir reparo cirúrgico.

Os doentes soropositivos devem ser tratados da mesma forma que os doentes soronegativos, embora possam necessitar de tratamento mais prolongado, com uma resolução mais delongada dos sintomas. Os pacientes infectados devem abster-se de relações sexuais até que a terapia antibiótica seja concluída e os sintomas se resolvam totalmente. Os parceiros sexuais que tiveram contato com o paciente nos últimos 60 dias também devem ser tratados, mesmo que não exibam sintomas.

Como prevenir o linfogranuloma venéreo?

A melhor forma de prevenir-se contra o linfogranuloma venéreo é fazer uso do preservativo em todas as relações sexuais e afastar parceiros não confiáveis. É importante também fazer uma higienização mais rigorosa dos órgãos sexuais após o coito.

Quais são as complicações possíveis do linfogranuloma venéreo?

As possíveis complicações do LGV são elefantíase do pênis, escroto ou vulva, devido à obstrução da circulação linfática, inflamação crônica do reto, nas pessoas que praticam sexo anal receptivo, e estreitamento pela cicatrização das úlceras.

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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