Litíase das glândulas salivares

O que é litíase das glândulas salivares?
A litíase das glândulas salivares, também chamada cálculo salivar ou sialolitíase, ocorre devido ao entupimento dos ductos das glândulas salivares, que é provocado por pedras (sialólitos) que podem se formar devido à cristalização de substâncias da saliva, como o fosfato ou carbonato de cálcio, fazendo com que a saliva fique represada nas glândulas e provoque dor e inchaço.
Os cálculos salivares se formam geralmente dentro do ducto da glândula submandibular (ducto de Wharton), menos comumente na glândula parótida, e raramente na glândula sublingual ou numa glândula salivar menor.
Quais são as causas da litíase das glândulas salivares?
Não se sabe ao certo o que provoca a formação destas pedras, mas pensa-se que é devido a anormalidades no metabolismo do fosfato ou carbonato de cálcio, desidratação, taxa de fluxo salivar reduzida, acidez alterada da saliva causada por infecções orofaríngeas e solubilidade alterada de cristaloides, ou mesmo por se ter uma alimentação insuficiente, o que leva a uma redução da produção de saliva. Além disso, pessoas com gota têm mais probabilidade de sofrer de sialolitíase, devido à formação de pedras pela cristalização do ácido úrico.
Outras fontes sugerem uma teoria retrógrada para explicar a formação dos cálculos, em que restos de comida, bactérias ou corpos estranhos da boca entram nos dutos de uma glândula salivar e são presos por anormalidades no mecanismo do esfíncter da abertura do ducto. Os cálculos salivares podem ainda estar associados a outras doenças salivares como, por exemplo, sialadenite (inflamação das glândulas salivares), embora, ao inverso, a sialadenite obstrutiva seja frequentemente uma consequência da sialolitíase (cálculo das glândulas salivares). Alguns cálculos podem ser devidos a traumatismos das glândulas ou dos canais de excreção delas.
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Qual é o substrato fisiológico da litíase das glândulas salivares?
Por vários motivos, a formação de cálculos ocorre mais comumente na glândula submandibular:
- a concentração de cálcio na saliva produzida pela glândula submandibular é o dobro daquela da saliva produzida pela glândula parótida;
- a saliva da glândula submandibular também é relativamente mais alcalina e mucosa;
- o ducto submandibular é longo, o que significa que as secreções de saliva devem viajar mais antes de serem vertidas na boca;
- o ducto possui duas curvas, a primeira na borda posterior do músculo milo-hioideo e a segunda próxima ao orifício do ducto;
- o fluxo de saliva da glândula submandibular costuma ser contra a gravidade devido a variações na localização do orifício do ducto;
- o orifício de descarga da saliva é menor que o da parótida.
Todos esses fatores promovem lentidão e estase de saliva no ducto submandibular, tornando mais provável a formação de uma obstrução com subsequente calcificação.
Quais são as características clínicas da litíase das glândulas salivares?
A litíase das glândulas salivares é comum, sendo responsável por cerca de 50% de todas as doenças que ocorrem nas glândulas salivares principais. Cerca de 80% de todos os cálculos das glândulas salivares se formam nas glândulas submandibulares, mas podem se formar em qualquer uma das demais glândulas salivares. Pessoas entre 30 e 60 anos têm maior probabilidade de desenvolver sialolitíase, que é mais comum em homens que em mulheres.
Os sintomas usuais são dor e inchaço da glândula salivar afetada, os quais pioram quando o fluxo salivar é estimulado com a visão, pensamento, cheiro ou sabor da comida, fome ou mastigação e com o ato de engolir, o que é denominado "síndrome da hora das refeições". Os sintomas podem aparecer e desaparecer ou serem persistentes.
Como o médico diagnostica a litíase das glândulas salivares?
A litíase das glândulas salivares pode ser diagnosticada através de avaliação clínica, de exame físico e de exames de imagens como tomografia computadorizada, ultrassonografia e sialografia (estudo radiológico das glândulas salivares e seus dutos de excreção por meio de contraste iodado).
Como o médico trata a litíase das glândulas salivares?
Se os cálculos forem pequenos, pode ser feito um tratamento conservador, não invasivo e constante de hidratação, compressas de calor úmido, anti-inflamatórios e ingestão de alimentos ou bebidas amargas e/ou azedas pelo paciente para que seja possível aumentar a salivação e promover a expulsão espontânea da pedra em alguns casos.
Se forem maiores, os cálculos têm de ser retirados por cirurgia, por meio de várias técnicas diferentes. Raramente, a remoção da glândula pode ser necessária. Isso só é feito em casos de formação recorrente de cálculos ou de suspeita de lesão maligna da glândula. Para prevenir a infecção enquanto a pedra está alojada no duto, às vezes são usados antibióticos.
Quais são as complicações possíveis com a litíase das glândulas salivares?
Se o cálculo se mover ou crescer de forma a bloquear o ducto da glândula, os sintomas podem piorar, sendo um sinal de que a glândula está infectando, uma condição chamada sialadenite.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Johns Hopkins Medicine e da U.S. National Library of Medicine.
