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Lumbago: o que é isso?

sexta-feira, 18 de agosto de 2023
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Lumbago: o que é isso?

O que é lumbago?

O lumbago, também chamado de lombalgia ou dor lombar, é um termo utilizado para descrever uma dor aguda ou crônica na região lombar, decorrente de alguma anormalidade nessa região. A região lombar é uma complexa estrutura constituída por cinco vértebras, entre as quais localizam-se discos de fibrocartilagem que impedem que elas encostem umas nas outras. Nos espaços entre as vértebras emergem as raízes nervosas, por isso essa estrutura é muito sujeita a patologias, quase sempre dolorosas.

O lumbago, popularmente conhecido como dor nas costas, é uma das grandes causas de morbidade e incapacidade funcional. Ele, em si, não é uma doença, mas um sintoma que pode aparecer por diferentes causas, algumas simples outras complexas. É a manifestação dolorosa que acontece na região lombar (parte baixa das costas, perto da bacia). A dor nas costas do lumbago só perde em frequência, entre os distúrbios dolorosos que mais acometem o homem, para as cefaleias.

Quais são as causas do lumbago?

Na maioria das pessoas com lumbago (cerca de 90%) não é possível identificar a origem específica da dor, isto é, a sua causa pato-anatômica é desconhecida, sendo esta denominada de dor lombar inespecífica.

Uma pequena percentagem de pessoas (cerca de 1 a 5%) apresenta dor lombar como consequência de patologias específicas graves, tais como fratura vertebral, infecções, neoplasias malignas, condições inflamatórias ou síndrome da cauda equina, que requerem um tratamento específico e por vezes imediato.

Saiba mais sobre "Desvios da coluna", "Dor na coluna" e "Fisioterapia".

Qual é o substrato fisiopatológico do lumbago?

A fisiopatologia do lumbago varia de acordo com a causa subjacente. Algumas das principais condições que subjazem ao lumbago são:

  • Estiramentos ou rupturas dos músculos ou ligamentos que sustentam a coluna vertebral.
  • Deslocamento ou herniação de um disco intervertebral, que pode comprimir os nervos espinhais.
  • Degeneração dos discos intervertebrais que, com o envelhecimento, podem perder sua elasticidade e força.
  • Desgaste das articulações vertebrais, que pode causar espondilose ou osteoartrite e, com isso, dor lombar.
  • Estreitamento do canal vertebral, que pode comprimir a medula espinhal e os nervos, causando dor.
  • Espondilolistese, em que uma vértebra escorrega sobre outra, levando à compressão dos nervos e causando dor lombar.
  • Condições inflamatórias, como a espondilite anquilosante ou artrite reumatoide; infecções que, embora raras, podem levar à dor lombar grave.
  • Problemas renais, como cálculos renais ou infecções.

Quais são as características clínicas do lumbago?

O lumbago pode ser classificado de acordo com a sua duração em agudo (duração de até seis semanas), subcrônico (duração de 6 a 12 semanas) ou crônico (duração de mais de 12 semanas). Pode também ser classificado de acordo com a causa subjacente em mecânica, não-mecânica ou por dor referida.

De acordo com vários estudos epidemiológicos, de 65% a 90% dos adultos poderão sofrer um episódio de lumbago ao longo da vida. Ele pode iniciar-se repentinamente e caracterizar-se pela intensidade da dor, que pode afetar também a região sacra. O paciente, ao tentar levantar-se de uma posição inclinada, sente como que uma “chicotada” na região lombar, que o derruba no chão. Alguns momentos depois, consegue endireitar as costas, mas não consegue inclinar-se novamente.

Muitas pessoas sofrem com essas dores e elas são causas de incapacidade funcional e morbidade. O tipo mais conhecido de lumbago é de origem mecânica-degenerativa, caracterizado por distúrbio e/ou alteração funcional, sendo que a dor por um problema mecânico é causada pelo encurtamento dos músculos posteriores da região lombar da coluna, músculos posteriores da coxa e os músculos da perna.

Os sintomas do lumbago podem variar de leves a intensos e incluem, além da dor na parte inferior das costas:

  • a possível irradiação dela para as nádegas, coxas e pernas;
  • dificuldade em se movimentar;
  • aumento da dor ao levantar, andar, dobrar-se ou levantar objetos pesados;
  • contrações musculares involuntárias e dolorosas;
  • dor ao sentar ou ficar em pé por longos períodos;
  • sensação de fraqueza nas pernas;
  • sensações anormais, como formigamento ou dormência;
  • e redução da amplitude de movimentos.

Em alguns casos, a dor lombar pode melhorar quando a pessoa descansa ou muda de posição.

Como o médico diagnostica o lumbago?

Uma história clínica que faça um minucioso levantamento do histórico da doença do paciente é a ferramenta diagnóstica mais importante. Em mais de 90% das vezes, o diagnóstico e a causa são estabelecidos com uma boa história clínica e exame físico. O modo de início da dor, bem como a natureza e a duração dela, dão importantes indícios sobre sua provável causa.

O diagnóstico por imagens (radiografias, ressonância magnética, etc.) ajuda a esclarecer o caso, mas quase sempre é desnecessário. Uma lombalgia persistente num adolescente ou jovem requer uma investigação mais detalhada.

Como o médico trata o lumbago?

Quando existe um causa identificada, deve ser feita a remoção dela, se possível. Os tratamentos sintomáticos devem envolver medicamentos anestésicos e anti-inflamatórios. Os sedativos podem ser empregados para manter os pacientes em repouso porque nas crises agudas o exercício é contraindicado. Massagens e acupuntura também são frequentemente usadas.

O tratamento cirúrgico só está indicado numa pequena porcentagem de pacientes, quando a dor persiste apesar dos tratamentos clínicos. Mesmo os casos de hérnia de disco não têm de ser necessariamente operados, porque quase todos regridem com repouso no leito.

Como evolui o lumbago?

Grande parte das lombalgias aparece e desaparece de forma relativamente rápida, mas há as que são tão intensas a ponto de levarem temporariamente à incapacidade de ficar de pé e andar, em virtude do “travamento” da coluna.

Na maioria dos casos, as pessoas com lumbago inespecífico apresentam uma melhoria dos seus sintomas algumas semanas após o seu aparecimento. Entre 40 a 90% recuperam-se por completo no prazo de seis semanas.

Como prevenir o lumbago?

O lumbago pode ser prevenido com algumas ações simples, tais como:

  • Procurar manter o peso corporal dentro dos limites normais.
  • Fazer atividades físicas moderadas corretamente orientadas, evitando levantar e carregar peso excessivo ou permanecer curvado por muito tempo.
  • Quando for se abaixar ao chão para pegar algo pesado, dobre os joelhos e agache sem dobrar a coluna.
  • Evite usar colchão mole demais ou excessivamente duro.
Veja também sobre "Hérnia de disco", "Artrodese da coluna" e "Discopatias".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Biblioteca Virtual em Saúde e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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