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Mal de altitude

Thursday, January 18, 2018
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Mal de altitude

O que é o mal de altitude?

O mal de altitude, chamado também de mal da montanha, doença das alturas ou hipobaropatia, é uma condição patológica relacionada com os efeitos de altitudes acima dos 2.400 metros nas pessoas que moram ao nível do mar ou em altitudes menores, sobretudo se elas ascendem a essas alturas muito rapidamente.

Quais são as causas do mal de altitude?

O mal de altitude é causado por exposição aguda ou crônica à baixa pressão atmosférica e à rarefação de oxigênio em altas altitudes ou em outras situações em que haja baixa da pressão atmosférica. A forma crônica dessa condição, também conhecida como doença de Monge, é uma condição que apenas ocorre depois de uma exposição muito prolongada à alta altitude. Contudo, é difícil determinar quem será afetado pelo mal de altitude, uma vez que não há fatores específicos que denotem a susceptibilidade de sofrer a doença. A grande maioria das pessoas é capaz de subir até aos 2.400 metros sem dificuldades.

Qual é o mecanismo fisiológico do mal de altitude?

A pressão do ar ambiente é chamada de pressão barométrica (medida por um barômetro). Quando uma pessoa sobe a altitudes mais elevadas que aquela a que está acostumada, essa pressão cai e há uma menor taxa de oxigênio disponível (ao nível do mar essa taxa é de 21%). Se uma pessoa mora em um lugar localizado a uma altitude moderadamente alta, ela se acostuma com a pressão do ar ali vigente, porque sua fisiologia (principalmente sanguínea) adapta-se à situação, mas ao deslocar-se para um lugar com uma altitude maior, precisará de tempo para se ajustar à mudança de pressão.

Escalar lenta e gradualmente as altitudes mais altas ajudará os pulmões a obter mais ar através de respirações mais profundas. Ao mesmo tempo, haverá um aumento dos glóbulos vermelhos que transportarão o oxigênio necessário a diferentes partes do corpo a partir do ar ambiente mais rarefeito. Por isso, as pessoas que habitam altas altitudes têm um hemograma com maior taxa de hemácias.

Quais são as principais características clínicas do mal de altitude?

Qualquer pessoa pode desenvolver o mal de altitude, independentemente de estar em boa forma, ser jovem e saudável. Na verdade, estar fisicamente em atividade em uma grande altitude torna mais provável que a pessoa se sinta mal. A condição depende de quão alto a pessoa subiu, com que rapidez o fez, se já teve anteriormente o mal de altitude, além de outros fatores. Há, basicamente, três formas clínicas da doença:

  1. Doença aguda da montanha, a forma mais suave e mais comum. Os sintomas são inespecíficos e se parecem a uma ressaca: falta de ar, tonturas, enjoo, dor de cabeça, fadiga, perda de energia, falta de ar, problemas com o sono e diminuição do apetite. Os sintomas geralmente ocorrem dentro de 12 a 24 horas de ter subido a uma grande elevação e, em seguida, melhoram dentro de um ou dois dias conforme o corpo se ajusta à mudança de altitude. No entanto, se o caso for um pouco mais grave, os sintomas podem ser mais intensos e em vez da pessoa sentir-se melhor com o passar do tempo, poderá se sentir pior, com mais falta de ar e fadiga. Pode também ocorrer perda de coordenação, dificuldades de andar, dor de cabeça severa, aperto no peito e, em casos ainda mais severos, confusão, falta de ar em repouso, incapacidade de caminhar, tosse que produz uma substância espumosa branca ou rosa e, finalmente, coma.
  2. Edema pulmonar de alta altitude, um acúmulo de líquido nos pulmões.
  3. Edema cerebral de alta altitude. Esta é a forma mais grave de doença e acontece quando há fluido no cérebro.

Essas duas últimas condições configuram ameaças à vida, requerem um atendimento médico de urgência e tratamentos específicos.

Como o médico diagnostica o mal de altitude?

O diagnóstico do Mal de Altitude depende dos sintomas e da história associada de mudança brusca de altitude. Além disso, o médico pode ouvir o tórax da pessoa com um estetoscópio, solicitar uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética do cérebro, para avaliar as condições dos pulmões e/ou a retenção de fluido naquele órgão.

Como o médico trata o mal de altitude?

O tratamento mais importante e decisivo para qualquer nível de doença de altitude é descer a uma elevação mais baixa. Se a pessoa tiver uma forma severa da doença, precisará ser levada até uma elevação mais baixa imediatamente. O médico deve ser consultado o mais rápido possível e talvez seja necessário encaminhar a pessoa ao hospital, conforme o quadro clínico presente no momento. Além de medicações, pode ser necessária a suplementação de oxigênio.

Como evolui o mal de altitude?

A forma aguda do Mal de Altitude pode evoluir para um edema pulmonar ou um edema cerebral, ambos potencialmente fatais. O prognóstico de uma pessoa com doença de altitude depende da gravidade da doença. As formas mais leves da doença podem resolver-se por si mesmas, sem problemas. Os pacientes que desenvolvem edema pulmonar ou edema cerebral têm um prognóstico mais reservado. Cerca de 50% dos indivíduos que desenvolvem esses problemas podem vir a óbito.

Como prevenir o mal de altitude?

A melhor maneira de reduzir sua chance de contrair a doença de altitude é através de uma aclimatação progressiva e lenta às novas circunstâncias, deixando o corpo lentamente adaptar sua fisiologia às mudanças na pressão do ar em regiões de elevações.

Quais são as complicações possíveis do mal de altitude?

As complicações mais temidas do Mal de Altitude são o edema pulmonar e cerebral.

Leia também "Falta de ar - como acontece?", "O que você sabe sobre hipóxia?" e "Hipóxia cerebral".
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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