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Meningococcemia - Conceito, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, evolução e prevenção

quarta-feira, 29 de novembro de 2023
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Meningococcemia - Conceito, causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, evolução e prevenção

O que é meningococcemia?

A meningococcemia, também conhecida como sepse meningocócica, é uma infecção bacteriana grave e potencialmente fatal, causada pela bactéria Neisseria meningitidis. Meningococcemia refere-se especificamente à presença da bactéria na corrente sanguínea, uma vez que ela pode também causar meningite sem bacteremia.

A condição é responsável por eventos epidêmicos em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Trata-se de uma das doenças imunopreveníveis mais temidas, em virtude da sua gravidade.

Quais são as causas da meningococcemia?

A meningococcemia é uma infecção causada pela bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida como meningococo, um microrganismo Gram negativo. A meningococcemia pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de contato próximo, como beijos, tosse, espirros e compartilhamento de utensílios pessoais, sendo, nesse sentido, uma doença altamente contagiosa.

No entanto, nem todas as pessoas expostas à bactéria desenvolverão meningococcemia e algumas pessoas podem ser portadoras da bactéria em suas vias respiratórias sem desenvolver a doença. Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos estão em maior risco de desenvolver a infecção.

Leia sobre "Meningite meningocócica e suas caraterísticas" e "Choque séptico".

Qual é o substrato fisiopatológico da meningococcemia?

A Neisseria meningitidis está presente na microbiota normal da nasofaringe, sendo que por vezes pode chegar à corrente sanguínea, causando a meningococcemia. Essa bactéria consegue se multiplicar rapidamente na corrente sanguínea, liberando toxinas que podem causar danos generalizados aos vasos sanguíneos e a vários órgãos, levando a formas intensas de choque séptico.

Ela tem a capacidade de atravessar as barreiras celulares e entrar nos capilares sanguíneos, de onde se espalha por todo o corpo. A presença da bactéria no sangue desencadeia uma resposta inflamatória do sistema imunológico para combater a infecção, o que é responsável por grande parte dos sintomas.

A bactéria pode também causar uma ativação descontrolada do sistema de coagulação sanguínea, levando à formação de microcoágulos no interior dos pequenos vasos sanguíneos, o que pode resultar em danos significativos aos órgãos.

A reunião da (1) disseminação bacteriana, da (2) resposta inflamatória e dos (3) distúrbios de coagulação pode levar a um estado de choque, com pressão arterial significativamente diminuída, a ponto que os órgãos não recebam oxigênio e nutrição suficientes.

Quais são as características clínicas da meningococcemia?

A meningococcemia é mais comum em crianças, especialmente na faixa etária de 1 a 4 anos, e entre adolescentes e adultos jovens. A taxa de incidência é maior no sexo masculino, entretanto, a taxa de letalidade é maior em mulheres.

A característica mais marcante da enfermidade é a rápida progressão de um quadro febril, geralmente inespecífico, para um quadro de púrpura, necrose de extremidades, sepse e choque, associado a elevada letalidade. As manifestações clínicas envolvem:

  • febre alta
  • arrepios
  • respiração rápida
  • frequência cardíaca acelerada
  • fadiga
  • fraqueza
  • erupção cutânea

Um dos sinais característicos da meningococcemia é uma erupção cutânea típica, que começa como pequenas manchas vermelhas que podem parecer com picadas de insetos. Com o tempo, essas manchas se transformam em lesões maiores e arroxeadas que não desaparecem quando pressionadas.

Além da púrpura meningocócica, são comuns as petéquias, que são pequenas manchas vermelhas ou pontos que aparecem na pele e mucosas, como a boca e os olhos. Além disso, observa-se mãos e pés frios, náuseas e vômitos, estado mental alterado, dor de cabeça severa e rigidez do pescoço (meningismo).

Como o médico diagnostica a meningococcemia?

O diagnóstico da meningococcemia envolve uma combinação de sinais e sintomas clínicos, exames laboratoriais (hemograma completo, cultura de sangue e testes específicos para identificar a presença da bactéria Neisseria meningitidis) e histórico médico do paciente.

Em alguns casos, podem ser realizados exames de imagens, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para avaliar se há complicações, como abscessos cerebrais. Se houver suspeita de meningite associada à meningococcemia, o médico pode realizar uma punção lombar para confirmar a presença de meningite e determinar o tipo de bactéria envolvida.

Como o médico trata a meningococcemia?

A meningococcemia é uma emergência médica que requer tratamento imediato com antibióticos intravenosos e cuidados de suporte, como administração de líquidos e medicamentos para manter a pressão arterial. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível, pois a precocidade do tratamento reduz o risco de complicações graves.

A hospitalização e cuidados de suporte quase sempre são necessários, dependendo da gravidade da infecção e das complicações associadas.

Veja também "Punção lombar", "Falência múltipla de órgãos" e "Sepse em crianças".

Como evolui a meningococcemia?

A evolução da meningococcemia pode variar de pessoa para pessoa, mas geralmente segue um curso rápido e potencialmente letal. A taxa de letalidade oscila em torno de 50%.

Participar de atividades que envolvem contato próximo com grande número de pessoas, como festas, acampamentos, dormitórios compartilhados e viagens em grupos, pode aumentar o risco de exposição à Neisseria meningitidis.

A infecção inicial se espalha rapidamente para a corrente sanguínea e daí pode atingir diferentes órgãos do corpo, como pulmões, fígado, cérebro e pele. Um pouco mais tardiamente, os pacientes podem desenvolver choque séptico. O diagnóstico e o tratamento precoces são cruciais para melhorar o prognóstico de indivíduos com meningococcemia.

Como prevenir a meningococcemia?

Medidas preventivas, como a vacinação com vacinas antimeningocócicas, estão disponíveis e são recomendadas, especialmente para indivíduos com maior risco de exposição à bactéria, como, por exemplo, estudantes universitários que vivem em dormitórios coletivos, militares, viajantes para áreas com surtos meningocócicos, etc.

Quais são as complicações possíveis com a meningococcemia?

A meningococcemia não tratada pode levar a complicações graves, como insuficiência orgânica múltipla, danos aos tecidos e órgãos, amputações devido à necrose, danos cerebrais e até mesmo a morte.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CIVES - Centro de Informação em Saúde para Viajantes e da SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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