Nefrocalcinose

O que é nefrocalcinose?
A nefrocalcinose é a deposição de cálcio no parênquima e nos túbulos renais, sob a forma de fosfato ou oxalato. Alguns autores consideram nefrocalcinose apenas a deposição de fosfatos, denominando oxalose a deposição de oxalatos, embora seja mais usual o uso do termo no sentido mais amplo, cobrindo as duas substâncias.
A nefrocalcinose é um distúrbio generalizado e não inclui o depósito localizado de cálcio (calcificação) devido a uma lesão renal focal.
Ela pode ser classificada em 3 formas diferentes que representam graus crescentes de gravidade:
- Molecular ou química, que inclui uma concentração de cálcio que é quantificável, mas não visível microscopicamente.
- Concentração de cálcio microscópica, visível ao microscópio no caso de biópsia e geralmente precursora da terceira fase.
- Concentração de cálcio macroscópica, que é a calcificação visível nas radiografias simples de abdômen ou na ultrassonografia.
Embora a apresentação clínica dessas formas de nefrocalcinose sejam diferentes, na prática muitas vezes há alguma sobreposição delas. Usualmente, a nefrocalcinose envolve a medula renal e menos frequentemente o córtex renal.
O termo nefrocalcinose foi primeiramente utilizado por Fuller Albright, em 1934.
Quais são as causas da nefrocalcinose?
A nefrocalcinose é causada por condições médicas que envolvem uma hipercalcemia, hiperfosfatemia, hipercalciúria, hiperfosfatúria e hiperoxalúria. A causa mais comum da nefrocalcinose é a hipercalciúria, com ou sem hipercalcemia. A formação de cristais de cálcio ocorre na urina de pH alcalino que tem origem em muitas doenças subjacentes.
Em geral, a nefrocalcinose aparece associada a condições como a síndrome de Alport ou a síndrome de Bartter; necrose cortical (como costuma acontecer na gravidez); glomerulonefrite crônica; rejeição aos transplantes renais; traumas renais; e tuberculose.
Outras causas possíveis, porém mais raras, são: intoxicação por etilenoglicol; hiperparatireoidismo; sarcoidose; tuberculose renal; e toxicidade pela vitamina D.
A nefrocalcinose pode também ser causada pelo uso de certos medicamentos ou suplementos, por infecção ou qualquer condição que leve a altos níveis de cálcio no sangue ou na urina e por uma variedade de outras condições.
Alguns dos distúrbios subjacentes que podem causar nefrocalcinose são genéticos, com o padrão de herança dependendo do distúrbio específico. Uma nefrocalcinose cortical é sempre o resultado de uma calcificação distrófica devido à destruição de tecido parenquimatoso, e não da precipitação de conteúdos urinários excessivos, sendo causada geralmente por infartos, quadros malignos e infecções.
Leia sobre "Insuficiência renal aguda" e "Insuficiência renal crônica".
Qual é o substrato fisiopatológico da nefrocalcinose?
Os avanços recentes da genética ajudaram a identificar vários transportadores e receptores que estão envolvidos na regulação da reabsorção tubular de cálcio e fosfato, e vários genes têm sido envolvidos na nefrolitíase hipercalciúrica. Num sentido contrário, a urumodulina e a fatuína parecem ter um papel protetor.
Quais são as características clínicas da nefrocalcinose?
Mais geralmente, a nefrocalcinose ocorre em bebês prematuros. Ela tanto pode existir em pacientes com funções renais normais ou se apresentar como um sofrimento renal agudo ou crônico. A nefrocalcinose está relacionada com cálculos renais, mas não é a mesma coisa que eles. Na maioria das vezes ambos os rins são afetados, mas em poucos casos apenas um deles é comprometido.
As pessoas acometidas podem não apresentar sintomas, mas, se cálculos renais estiverem presentes, os sintomas podem incluir sangue na urina, febre, calafrios, náuseas, vômitos e dor intensa no abdômen, nas laterais das costas (flancos), virilhas ou testículos. Mais tardiamente, os sintomas podem estar associados à insuficiência renal crônica.
Como o médico diagnostica a nefrocalcinose?
Quase sempre, a nefrocalcinose é diagnosticada por técnicas de imagem: radiografias simples, tomografia computadorizada ou ultrassonografia. Em alguns casos de diagnóstico mais difícil, uma biópsia renal pode ser realizada para confirmar o diagnóstico.
Confirmado o diagnóstico de nefrocalcinose, outros exames serão necessários para determinar sua causa. Esses exames medirão eletrólitos, cálcio, fosfato e pH da urina, entre outras coisas. A urina de 24 horas deve ser medida, bem como a excreção diária de cálcio, fosfato, oxalato, citrato e creatinina.
Como o médico trata a nefrocalcinose?
O tratamento deve ser dirigido à condição causal subjacente. Devem ser usadas estratégias para reduzir a concentração urinária de cálcio e a ingestão de líquidos deve ser feita de modo a produzir pelo menos 2 litros de urina em cada 24 horas.
Em pacientes com hipercalciúria, a excreção de cálcio pode ser reduzida restringindo-se a quantidade de proteína animal, diminuindo a ingestão de sódio, aumentando a ingestão de potássio e usando um diurético tiazídico. No entanto, pacientes com hipercalcemia não devem usar diurético tiazídico.
Como evolui a nefrocalcinose?
A nefrocalcinose pode ser devida a muitas condições renais e seu prognóstico depende das condições causais. Se elas não forem identificadas precocemente e adequadamente tratadas, progridem para uma deficiência renal crônica. Uma nefrocalcinose que chega a ser detectada radiologicamente raramente é reversível.
Quais são as complicações possíveis com a nefrocalcinose?
O raquitismo hipofosfatêmico, se não tratado, causará anomalias ósseas. Nas síndromes de hipomagnesemia-hipercalciúria, as crianças podem apresentar convulsões tetânicas, câimbras musculares e fraqueza. Em alguns pacientes, pode ocorrer perda auditiva e comprometimento ocular.
Veja também sobre "Hipocalcemia e Hipercalcemia", "Hiperparatireoidismo", "Câimbras" e "Transplante renal".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do GARD - Genetic and Rare Diseases Information Center e do NIH – National Institutes of Health.
