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Notalgia parestésica - o que é isso?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
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Notalgia parestésica - o que é isso?

O que é parestesia?

Parestesia é uma sensação cutânea subjetiva (sensação de frio, calor, formigamento, coceira, agulhadas, adormecimento, pressão, etc.) que é vivenciada espontaneamente, na ausência de estimulação provinda do exterior. Pode ocorrer caso algum nervo sensorial seja afetado, seja por contato ou pelo rompimento das terminações nervosas.

O que é notalgia parestésica?

Notalgia (do grego: notos = dorso + algos = dor) parestésica, também denominada síndrome pruriginosa interescapular ou síndrome prurítica disestésica (disestesia = alteração na sensibilidade), é uma síndrome neuropática sensitiva que acomete a região dorsal, caracterizada por um prurido localizado no dorso, sobretudo na região interescapular. A condição foi mencionada pela primeira vez em 1934 por Astwazaturow, sendo pouco descrita na literatura médica posterior.

Quais são as causas da notalgia parestésica?

A causa da notalgia parestésica não é totalmente conhecida, mas é considerada multifatorial, incluindo predisposição genética, aumento da inervação cutânea local, neurotoxicidade por agente químico e lesão dos nervos espinhais devido a trauma crônico e/ou compressão deles por alterações degenerativas da coluna ou tecidos moles adjacentes. Isso pode acontecer por lesão nas costas, hérnia de disco, doença da medula espinhal (mielopatia) e herpes zóster (cobreiro).

Leia sobre "Hérnia de disco extrusa", "Lesões da medula espinhal" e "Reeducação postural global (RPG)".

Qual é o substrato fisiológico da notalgia parestésica?

A sensação de coceira é um processo complexo, envolvendo neurônios e células adjacentes a eles. A desregulação desse processo leva ao disparo de estímulos de fibras nervosas transmissoras de coceira sem um estímulo físico exterior. Acredita-se que a coceira tem de passar por pequenas fibras nervosas não mielinizadas sensíveis à histamina, conhecidas como fibras C, e por uma segunda fibra nervosa bifuncional, o que pode explicar por que alguns pacientes com notalgia parestésica experimentam outras sensações além do prurido, como parestesia e alodinia (experimentar dor por estímulos que, em princípio, não deveriam ser dolorosos).

Em muitos casos de notalgia parestésica é possível observar a participação das raízes nervosas sensitivas correspondentes ao mesmo metâmero em que se situa a alteração cutânea. Mas, verificou-se que além dessa há outras diferentes causas concorrentes, que têm em comum o fato de interferirem com a integridade do nervo sensitivo periférico.

Atualmente, acredita-se que a notalgia parestésica seja uma síndrome neurocutânea que envolve raízes posteriores sensitivas da medula espinhal, desencadeando crises pruriginosas que levam à coçadura e à consequente hiperpigmentação.

A pressão sobre os nervos restringe o fluxo sanguíneo, faz os nervos incharem e os danifica. O inchaço e os danos fazem com que os nervos reajam de forma exagerada e enviem mensagens ao cérebro de que a pessoa está com coceira ou dor, quando não está objetivamente com essas condições.

Quais são as características clínicas da notalgia parestésica?

A notalgia parestésica é uma doença benigna, que aparece na vida adulta, mas que afeta diretamente a qualidade de vida dos pacientes. O sexo feminino é mais afetado que o sexo masculino e não há preferência por raça. O prurido característico é frequentemente associado à dor, sensação de queimação, formigamento, dormência, "agulhadas" e maior sensibilidade ao calor, frio, toque e vibrações, podendo apresentar área bem delimitada de hiperpigmentação na região interescapular.

Geralmente, localiza-se entre os dermátomos (uma área da pele em que todos os nervos sensoriais vêm de uma única raiz nervosa) de T2 a T6 (segunda e sexta vértebras torácicas) e caracteriza-se por uma evolução crônica com períodos de remissão e exacerbação.

Têm sido descritas apresentações atípicas de notalgia parestésica, incluindo prurido localizado na parte superior das costas, couro cabeludo e ombro. Também têm sido descritas coceiras atípicas compatíveis com notalgia parestésica em antebraços, braços e/ou extremidades inferiores, incluindo as solas dos pés.

Como o médico diagnostica a notalgia parestésica?

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado nos sintomas, e nem sempre é fácil. Um exame físico da região interescapular também pode detectar sinais de anomalias da curvatura da coluna vertebral, sinais de coçadura ou hiperpigmentação da pele. Deve ser obtida também uma história médica detalhada sobre trauma vertebral e torácico, doenças degenerativas ou malignidades, fratura vertebral, doença do disco cervical, osteoartrite, etc.

Exames laboratoriais podem ser eventualmente requeridos para excluir outras causas importantes: doenças degenerativas, neoplasias e processos inflamatórios de origem não definida que afetem a coluna vertebral e a medula espinhal. Um diferencial deve ser feito com dermatite de contato, prurido decorrente de picada de inseto, erupção medicamentosa, herpes zóster, líquen simples crônico, neurodermatite e prurido diabético.

Como o médico trata a notalgia parestésica?

O tratamento básico consiste em minimizar o prurido, tratando a causa, quando ela é conhecida. Alongamentos, massagens, estimulação elétrica transcutânea, acupuntura, toxina botulínica e medicação sistêmica (analgésicos, gabapentina, talidomida) por vezes se mostram úteis, embora sejam sintomáticos. Os tratamentos das alterações da coluna também têm sido promissores, visando a correção de posturas e/ou da osteoporose que aproxima as vértebras e resulta em pressão sobre as fibras nervosas sensitivas. Apesar de tudo isso, o tratamento da notalgia parestésica continua sendo desapontador, a longo prazo.

Veja também sobre "Osteoporose", "Método de Busquet", "Fisioterapia" e "Envelhecimento saudável".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do National Institutes of Health (NIH) e do American Osteopathic College of Dermatology.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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