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O que devemos saber sobre o gastrinoma?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
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O que devemos saber sobre o gastrinoma?

O que é gastrinoma?

Gastrinomas são tumores que produzem quantidades excessivas do hormônio gastrina, o qual estimula o estômago a segregar maior quantidade de ácido e enzimas, provocando úlceras pépticas. Eles podem ser benignos ou malignos. Geralmente esses tumores são localizados no pâncreas, mas também podem acontecer em outras localizações. A condição em que o tumor se localiza no pâncreas foi descrita pela primeira vez em 1955 pelos cirurgiões americanos Robert Zollinger e Edwin Ellison e recebeu o nome de síndrome de Zollinger-Ellison.

Quais são as causas do gastrinoma?

Não se conhece exatamente as causas do gastrinoma. Sabe-se apenas que muitos pacientes têm uma história familiar com evidência de tumores associados de vários órgãos endócrinos. Os gastrinomas são mais comuns no sexo masculino do que no sexo feminino (6:4) e a média de idade no momento do diagnóstico é de 45 a 50 anos.

Qual é a fisiopatologia do gastrinoma?

O tumor pode ocorrer no pâncreas, embora sejam também encontrados tumores múltiplos e pequenos na parede duodenal ou em outros locais ectópicos, como corpo do estômago, jejuno, nódulos linfáticos, hilo do baço, omento, fígado, vesícula biliar, ducto biliar comum e ovário. Mais da metade dos gastrinomas são malignos e podem dar metástases para os linfonodos regionais ou para o fígado. Alguns deles estão relacionados com neoplasias endócrinas múltiplas e estão frequentemente associados ao hiperparatireoidismo e com adenomas da pituitária. Os que ocorrem no pâncreas tendem a ser únicos e têm maior potencial de malignidade que os gastrinomas duodenais.

A gastrina é um hormônio peptídeo que estimula a secreção de ácido clorídrico no estômago e a maior secreção deste hormônio pelas células tumorais leva a uma hiperplasia de células parietais na região do fundo do estômago e a um aumento da secreção ácida basal, o que resulta em ulcerações digestivas graves. As úlceras podem até mesmo não ficarem restritas ao estômago e estenderem-se para o intestino delgado. O teor mais elevado de ácido do intestino delgado provoca a liberação de secretina, que é responsável pela diarreia, em parte causada pela maior excreção de água e bicarbonato a partir do pâncreas e do intestino delgado.

Quais são as principais características clínicas do gastrinoma?

Na grande maioria das vezes, os sintomas dos pacientes com gastrinomas são semelhantes aos das úlceras pépticas comuns e suas possíveis complicações (hemorragias, obstrução gástrica, perfuração, etc.), mas as dores abdominais tendem a ser mais persistentes e menos sensíveis ao tratamento. A associação de úlceras gástricas ou duodenais com diarreia sempre faz suspeitar de gastrinoma.

Outros sintomas incluem refluxo gastroesofágico, esteatorreia e perda de peso. Pode também ocorrer uma má absorção de vitamina B12, não corrigível por fator intrínseco oral. O refluxo ácido crônico pode levar também a complicações como esofagite, estenose do esôfago e esôfago de Barrett.

Do ponto de vista físico, as úlceras estão presentes na primeira porção do duodeno e são indistinguíveis da úlcera péptica. Cerca de 10% dos pacientes podem não ter uma úlcera demonstrável, mas as que existem geralmente são várias e refratárias à terapia padrão. Pode haver também úlceras gigantes (maiores que dois centímetros), úlceras recorrentes, úlceras com diarreia inexplicada, histórico familiar de úlceras e hipercalcemia.

Como o médico diagnostica o gastrinoma?

Exames de laboratório mostrarão uma hipergastrinemia de jejum, ácido clorídrico basal aumentado e teste de estimulação de secretina positivo. Os estudos de imagem são úteis para ajudar a localizar o tumor e para descartar ou confirmar a existência de metástases hepáticas. A cintilografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética também são úteis para ajudar a detectar o tumor primário. A endoscopia digestiva alta pode também ser uma ferramenta valiosa na localização de tumores e no momento de fazer biópsia dos mesmos.

Outros testes menos usuais, tais como injeção de secretina arterial seletiva, teste de infusão de cálcio e níveis de cromogranina podem também ser feitos, mas são menos comuns. Um diagnóstico diferencial deve ser feito com acloridria, gastrite atrófica, condições que podem levar a baixa produção de ácido gástrico, hipergastrinemia reativa, obstrução gástrica, úlcera péptica, anemia perniciosa e síndrome de Zollinger-Ellison.

Como o médico trata o gastrinoma?

O controle da hipersecreção de ácido gástrico é o aspecto mais importante da gestão da doença. Os medicamentos antissecretores são úteis para controlar as secreções de ácido e a diarreia secretora, secundária à hiperacidez. Os inibidores da bomba de prótons (omeprazol e similares) são altamente eficazes e são as drogas de escolha para suprimir a secreção ácida.

90 a 100% dos doentes curam suas úlceras dentro de duas semanas, em média. A quimioterapia está indicada em doentes com metástases e em pacientes que não sejam candidatos à cirurgia. O interferon ou a radioterapia também podem ser considerados em pacientes que por quaisquer motivos não sejam susceptíveis à quimioterapia. O tratamento cirúrgico só é indicado para a doença localizada.

Como evolui o gastrinoma?

Os determinantes principais de sobrevivência de pacientes com gastrinomas são o tamanho do tumor primário e o desenvolvimento de metástases. Os doentes com metástases hepáticas podem ter um tempo de vida residual inferior a um ano, mas a taxa de sobrevida em cinco anos é de 20 a 30%. Em pacientes com doença localizada ou metástase para os linfonodos, sem metástase hepática, a taxa de sobrevida em cinco anos pode ser de 90%. A ressecção cirúrgica da doença localizada leva a uma cura completa, sem qualquer recidiva, em 20 a 25% dos pacientes.

Quais são as complicações possíveis do gastrinoma?

As complicações principais do gastrinoma são aquelas das úlceras.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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