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Oligúria: o que é isso? Quais são as consequências de não tratá-la?

Wednesday, May 6, 2015
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Oligúria: o que é isso? Quais são as consequências de não tratá-la?

O que é oligúria?

Oligúria é uma redução importante do volume urinário, com produção ou excreção de apenas cerca de 400 mililitros, ou menos, de urina por dia, em um adulto. Em crianças este volume urinário é de cerca de 0,5 mililitro por quilo, por hora. Se o débito urinário chegar a apenas 100 ml por dia, ou menos, fala-se em anúria (ausência de urina). A oligúria não é uma doença, mas um sintoma que pode acontecer em várias condições ou patologias orgânicas. É dita pré-renal quando tem causa anatomicamente anterior aos rins, como hipovolemia, sepse e insuficiência cardíaca, intrínseca aos rins (dita renal), por causas como doenças tubulares, intersticiais ou glomerulares ou oligúria pós-renal, causada por obstruções das vias urinárias.

Quais são as causas da oligúria?

A desidratação é uma causa frequente de oligúria, porque o organismo tende a compensar a falta de água com uma menor produção de urina. Por outro lado, a desidratação pode ser causada por diarreia e febre, sobretudo em lactentes e crianças pequenas. Outras causas de oligúria podem ser obstruções das vias urinárias decorrentes de cálculos ou de uma próstata aumentada, queda grave da pressão arterial e insuficiência renal. Sobretudo as oligúrias de instalação súbita são sugestivas de causas obstrutivas ou vasculares. Determinados medicamentos podem causar lesão renal, com consequente diminuição da produção de urina. A oligúria também pode ser consequente a hemorragias intensas ou grandes queimaduras. Estados de aumento excessivo do volume urinário, como o diabetes insipidus e o diabetes mellitus, podem causar posteriormente uma oligúria compensatória.

Quais são os demais sinais e sintomas que acompanham a oligúria?

O sintoma comum e típico da oligúria é uma redução significativa do volume urinário. Outros sintomas acompanhantes dependem da causa e da gravidade da oligúria e também da idade do paciente e podem ser sede, palpitações, aumento rápido da frequência cardíaca, fadiga e perda de peso. Dependendo das causas, pode ainda aparecer febre. Casos mais graves podem apresentar tonturas, vertigens e até perda de consciência, associadamente à diminuição da quantidade de urina. A oligúria é um dos sinais mais importantes de insuficiência renal.

Como o médico diagnostica a oligúria?

O diagnóstico da oligúria pode ser feito pela medição da urina, que geralmente indica redução acentuada do volume urinário, normalmente inferior a 500 ou 400 ml em 24 horas. O diagnóstico das causas associadas necessita de exames laboratoriais de sangue e urina e, eventualmente, exames de imagens, como radiografias, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para o esclarecimento do quadro.

A consulta médica deve procurar levantar eventos como diarreia, vômito e baixa ingestão alimentar, particularmente em pacientes mais susceptíveis, como idosos, portadores de insuficiência cardíaca e doença hepática crônica. Em homens acima de 50 anos devem ser verificadas queixas de prostatismo e em todos os pacientes deve ser investigada história prévia de cálculos renais e uso recente de drogas potencialmente nefrotóxicas. O exame físico pode revelar sinais de desidratação ou de insuficiência cardíaca. A palpação do abdome inferior pode verificar se a bexiga é ou não palpável, isto é, se está ou não repleta. O toque retal permite avaliar o estado da próstata.

Como o médico trata a oligúria?

O tratamento da oligúria deve ser individualizado de acordo com a idade do paciente, a gravidade do problema e principalmente do fator causal. Podem ser necessárias desde apenas medidas de hidratação até terapia de substituição renal, como a hemodiálise, por exemplo. Quando a perda de líquido é evidente, como na diarreia, por exemplo, a reposição de líquidos deve ser prontamente adotada.

Como evolui a oligúria?

Se não tratada adequadamente, quase todas as causas de oligúria podem levar à insuficiência renal.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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