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Pancreatite crônica

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
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Pancreatite crônica

O que é pancreatite crônica?

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória do pâncreas, progressiva a longo prazo, que leva à degradação permanente da estrutura e função deste órgão. A pancreatite crônica se diferencia da pancreatite aguda porque, nesta última, o pâncreas fica inflamado (inchado) apenas por alguns dias ou semanas. Essa diferença motiva consequências clínicas e terapêuticas diversas.

Quais são as causas da pancreatite crônica?

A causa mais comum de pancreatite crônica é o abuso de álcool a longo prazo (cerca de 70% dos casos). Outras causas incluem doença autoimune, síndrome inflamatória intestinal, colangite biliar primária, ducto pancreático estreitado ou bloqueado, níveis elevados de cálcio no sangue, alto nível de gorduras e triglicerídeos no sangue e causas genéticas. A pancreatite tropical, um tipo especial de pancreatite crônica, é relacionada, provavelmente, à desnutrição.

Acredita-se que o tabagismo aumente mais ainda o risco de pancreatite entre os alcoólatras. Também um histórico familiar de pancreatite crônica pode aumentar o risco.

Saiba mais sobre "Colangite", "Desnutrição", "Alcoolismo" e "Tabagismo".

Qual é o substrato fisiológico da pancreatite crônica?

A pancreatite ocorre quando o pâncreas fica inflamado. A pancreatite crônica pode levar a cicatrizes e danos permanentes no órgão. Cálculos e calcificações podem se desenvolver e bloquear o ducto que transporta enzimas digestivas e sucos para o trato gastrointestinal. A diminuição dos níveis de enzimas e hormônios pancreáticos tornará mais difícil para o corpo digerir alimentos e regular o açúcar no sangue. Isso pode causar sérios problemas de saúde, incluindo desnutrição e diabetes.

Quais são as principais características clínicas da pancreatite crônica?

A pancreatite crônica é mais comum em homens do que em mulheres, entre 30 e 40 anos de idade. A princípio, nenhum sintoma pode ser notado. As alterações no pâncreas podem se tornar bastante avançadas antes que a pessoa comece a se sentir mal. Quando existem sintomas, o mais comum é a dor abdominal superior, que muitas vezes irradia para as costas e pode ser acompanhada de náusea, vômito e perda de apetite. A dor pode ocorrer de forma contínua ou intermitente e pode ser leve ou intensa.

Além desses sintomas, pode ocorrer falta de ar, perda de peso inexplicável, sede e fadiga excessivas ou, ainda, outros sinais e sintomas, como líquidos pancreáticos derramados no interior do abdome, icterícia, sangramento interno e bloqueio intestinal.

Como o médico diagnostica a pancreatite crônica?

O médico suspeitará de pancreatite crônica por causa dos sintomas do paciente, histórico de crises agudas repetidas e/ou abuso de álcool. Não existe um exame único que possa ser usado para diagnosticar a pancreatite crônica. Durante os estágios iniciais da pancreatite crônica, é difícil observar alterações nos exames de sangue, mas eles podem ser usados para determinar a quantidade de enzimas pancreáticas, a avaliação da glicose no sangue e a contagem de células sanguíneas junto com a função renal e hepática. O exame de uma amostra de fezes pode testar os níveis de gordura.

Os exames de imagem são mais confiáveis para obter um diagnóstico. O médico pode solicitar radiografias, ultrassonografia, tomografias computadorizadas e/ou ressonância magnética.

Como o médico trata a pancreatite crônica?

A pancreatite crônica não pode ser curada. O tratamento visa a redução da dor e a melhoria da função digestiva. O dano já ocasionado ao pâncreas não pode ser revertido, mas é possível gerenciá-lo para melhorar muitos dos sintomas ou a progressão deles. O tratamento pode incluir medicamentos, terapias endoscópicas ou cirurgia. Os medicamentos podem ser para alívio da dor, enzimas digestivas artificiais, insulina se houver diabetes e, eventualmente, esteroides.

Uma endoscopia pode ser realizada para reduzir a dor e eliminar os bloqueios, mediante a remoção de cálculos pancreáticos ou para colocar stents (dispositivos dilatadores) que melhorem o fluxo através do ducto pancreático. Para a maioria das pessoas, uma cirurgia não é necessária. No entanto, se a dor for intensa e não responder à medicação, a remoção de parte do pâncreas às vezes pode proporcionar alívio. A cirurgia também pode ser usada para desbloquear o ducto pancreático ou ampliá-lo, se for muito estreito e para drenar eventuais cistos.

O médico também pode recomendar uma dieta que restrinja alguns tipos de gorduras. Diabetes causado por pancreatite crônica quase sempre requer tratamento com insulina.

Como evolui em geral a pancreatite crônica?

Embora a pancreatite crônica não tenha cura, a gravidade, frequência e tipo de sintomas podem variar. Algumas pessoas apresentam sintomas muito leves ou ocasionais que são facilmente controlados com medicamentos. Outras pessoas podem ter dores diárias incapacitantes e podem exigir hospitalizações frequentes.

Quais são as complicações possíveis da pancreatite crônica?

A pancreatite crônica tem o potencial de causar inúmeras complicações. A má absorção de nutrientes é uma das complicações mais comuns. O desenvolvimento do diabetes é outra complicação possível.

Algumas pessoas também desenvolvem pseudocistos, que são crescimentos cheios de líquido que podem se formar dentro ou fora do pâncreas. Os pseudocistos são perigosos porque podem bloquear importantes dutos e vasos sanguíneos e sofrer infecções, em alguns casos.

A doença pode também afetar o bem-estar psicológico e emocional do paciente. Embora o câncer de pâncreas seja mais comum entre os pacientes com pancreatite crônica, o risco é de apenas 1 em 500.

Leia sobre "Icterícia", "Câncer de pâncreas", "Doença de Crohn" e "Colite ulcerativa".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Havard School of Medicine e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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