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Pneumonite por hipersensibilidade

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
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Pneumonite por hipersensibilidade

O que é pneumonite por hipersensibilidade?

A pneumonite de hipersensibilidade, também chamada de alveolite alérgica extrínseca, engloba um grupo de doenças pulmonares em que os pulmões ficam inflamados como uma reação à inalação de certas substâncias. Como nem todas as pessoas que inalam essas substâncias desenvolvem pneumonite, havendo necessidade de uma predisposição, a condição recebeu o nome de pneumonia de hipersensibilidade.

Quais são as causas da pneumonite por hipersensibilidade?

A pneumonite de hipersensibilidade é uma reação alérgica causada pela inalação de vários materiais antigênicos específicos, como mofo, poeiras, microrganismos e proteínas vegetais e animais, ou pela exposição a pássaros (pombos, periquitos, papagaios, calopsitas, canários), entre outras causas.

Em alguns países, é comum o chamado “pulmão do fazendeiro” em que pessoas se expõem a bactérias e fungos em silos, geralmente trabalhando ou vivendo em fazendas. A história clínica de alergia respiratória não constitui fator predisponente. No entanto, o tabagismo pode exacerbar a doença estabelecida.

Veja sobre "Tabagismo", "Asbestose", "Pneumoconiose" e "Silicose".

Qual é o substrato fisiopatológico da pneumonite por hipersensibilidade?

O processo histopatológico da pneumonite de hipersensibilidade consiste em inflamação crônica dos brônquios e tecidos próximos, causando uma alveolite neutrofílica e mononuclear, seguida de infiltração linfocítica intersticial e, muitas vezes, granulomatosa não caseosa de células gigantes, com posterior desenvolvimento de fibrose e enfisema e possível obliteração bronquiolar.

Quais são as características clínicas da pneumonite por hipersensibilidade?

As formas clínicas da pneumonite de hipersensibilidade podem ser categorizadas em (1) aguda, (2) subaguda ou (3) crônica.

Os sintomas da fase aguda começam de 4 a 8 horas após a exposição ao agente responsável pela alergia e são similares a uma gripe: febre, tosse seca, aperto no peito, falta de ar e cansaço. Alguns outros sintomas comuns são mal-estar, calafrios, dor de cabeça, dores pelo corpo e perda de apetite. A fase aguda resolve-se depois de 12h ou em alguns dias evitando o alérgeno. Ela pode retornar, se houver uma nova exposição.

Na forma subaguda, os sintomas tendem a ser menos graves e mais graduais e incluem tosse produtiva, dificuldade para respirar, cansaço e perda de apetite e de peso. Ao contrário da forma aguda, em que os sintomas melhoram rapidamente, nas formas subagudas eles demoram semanas ou meses para melhorar.

A forma crônica pode aparecer com ou sem fases agudas prévias e implicam em perda de peso, diminuição gradual da tolerância ao exercício, dificuldade progressiva para respirar, ponta dos dedos agrandados (dedos em baquete de tambor) e dormentes e crepitação na base pulmonar.

Como o médico diagnostica a pneumonite por hipersensibilidade?

Na história clínica, o médico deve verificar se os sintomas estão relacionados com a exposição ambiental. Ela deve ser complementada por uma tomografia de tórax que, em muitos casos, mostrará achados sugestivos. Exames de sangue indicarão sinais de inflamação pouco específicos.

Uma radiografia de tórax revelará áreas de opacidade difusa e testes de função pulmonar mostrarão doença pulmonar restritiva, que diminui a função pulmonar. Uma broncoscopia com lavagem pulmonar e uma biópsia podem selar o diagnóstico nos casos em que a tomografia ou a radiografia de tórax não mostrem ainda sinais de fibrose. A biópsia pode ser feita preferivelmente por videotoracoscopia ou por cirurgia convencional.

A combinação dos resultados dos exames citados permite um diagnóstico correto e definitivo na maioria dos casos.

Como o médico trata a pneumonite por hipersensibilidade?

Se a condição for precocemente reconhecida, o afastamento da causa é a medida mais importante, porque nas fases iniciais a doença é completamente reversível. Nos casos mais avançados e irreversíveis, o medicamento mais usado é o corticoide. Em casos extremos, pode ser necessário um transplante pulmonar.

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que pacientes com pneumonite por hipersensibilidade crônica submetidos a transplante pulmonar têm uma sobrevida de 89% em cinco anos, muito melhor que a observada nos pacientes transplantados com fibrose pulmonar idiopática.

Como evolui a pneumonite por hipersensibilidade?

As alterações fisiopatológicas da pneumonite por hipersensibilidade são reversíveis se detectadas precocemente e se a exposição ao antígeno for eliminada. Os sintomas da doença aguda geralmente diminuem em horas com a interrupção da exposição ao antígeno.

A doença crônica tem um prognóstico mais complicado: normalmente a fibrose é irreversível, mas não continua progredindo se os pacientes eliminarem a exposição ao antígeno. Se não for possível evitar o alérgeno, as alterações pulmonares continuarão evoluindo até chegarem ao estágio de fibrose pulmonar, que continuará a progredir até ser fatal, mesmo com terapia agressiva de corticoides.

Quais são as complicações possíveis com a pneumonite por hipersensibilidade?

As principais complicações são a fibrose pulmonar progressiva, parcialmente irreversível, a destruição dos alvéolos e a instalação do quadro de enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca direita e pneumotórax, com altos níveis de mortalidade.

Leia também sobre "Tosse seca persistente", "Biópsia pulmonar", "Broncoscopia" e "Oximetria".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Revista Médica de Minas Gerais e do National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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