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Poliarterite nodosa - como ela é?

Tuesday, July 12, 2016
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Poliarterite nodosa - como ela é?

O que é poliarterite nodosa?

Poliarterite nodosa, panarterite nodosa, periarterite nodosa ou doença de Kussmaul-Meier é uma doença rara, uma inflamação das artérias de médio e pequeno calibres que se tornam inchadas e danificadas devido a um ataque de células autoimunes, levando à formação de nódulos nestes vasos que, quando na superfície, podem ser vistos ou palpados na pele. Esses nódulos são, na verdade, pequenos aneurismas nodulares que podem romper e sangrar.

Quais são as causas da poliarterite nodosa?

A etiologia da poliarterite nodosa ainda não foi totalmente elucidada. Acredita-se que seja uma doença autoimune ou de hipersensibilidade. No entanto, foram descritas na literatura associações com o vírus da hepatite B e C, com o vírus HIV, com a leucemia das células pilosas e reações a certos fármacos como a minociclina, a dapsona e o uso exacerbado de anfetaminas.

Qual é a fisiopatologia da poliarterite nodosa?

A poliarterite nodosa afeta o tecido conectivo das artérias de pequeno calibre, especificamente o colágeno. O colágeno é uma proteína que constitui o grosso do tecido conjuntivo. A poliarterite nodosa reduz o fornecimento de sangue para os tecidos alimentados pelos vasos sanguíneos afetados.

Poliarterite

Quais são as principais características clínicas da poliarterite nodosa?

A poliarterite nodosa costuma afetar pessoas entre os 40 e 60 anos, sendo duas vezes mais comum em homens que em mulheres. O curso da doença pode ser agudo ou crônico. Os órgãos mais comumente afetados são pele, coração, rins e sistema nervoso. Os sintomas próprios a cada um dependem da amplitude dos danos vasculares e do órgão ou órgãos acometidos.

Os sintomas generalizados incluem febre, fadiga, fraqueza, perda de apetite e de peso e dores musculares e articulares. A pele pode mostrar erupções, úlceras e nódulos. A poliarterite nodosa também pode causar dor testicular ou abdominal, mononeuropatias ou polineuropatias. Na dependência do órgão afetado, pode haver dificuldade respiratória, presença de sangue na urina, dormência nas mãos e pés e dores. Se a enfermidade atingir o rim, induzirá uma hipertensão arterial diastólica e altos valores de ureia e creatinina. Comumente a sorologia para hepatite será positiva.

Como o médico diagnostica a poliarterite nodosa?

O diagnóstico de poliarterite nodosa pode ser feito a partir do histórico clínico dos pacientes e do exame físico. Os exames laboratoriais podem mostrar leucocitose, anemia normocrômica, trombocitose, proteinúria e proteína C reativa elevada.

A arteriografia permitirá constatar oclusões arteriais, sinais de inflamação, necrose endotelial e aneurismas. Já a angiografia do tronco celíaco e das artérias renais pode mostrar estenoses irregulares e microaneurismas característicos. Na biópsia de vasos, será observada uma vasculite, com a presença de muitos neutrófilos.

Como o médico trata a poliarterite nodosa?

A poliarterite nodosa é uma enfermidade considerada incurável, mas os sintomas podem ser aliviados ou controlados. O tratamento da poliarterite nodosa visa impedir a multiplicação das células responsáveis pelo processo inflamatório e deve ser baseado na extensão e grau de comprometimento do organismo. Quando se trata de formas limitadas e não progressivas ela habitualmente pode ser tratada apenas com corticoides. Nos outros casos, o tratamento normalmente é feito com uma associação de corticoides e imunossupressores. Nos casos associados à hepatite B, os corticoides associados a antivirais têm melhores resultados.

Como evolui a poliarterite nodosa?

Sem tratamento adequado, a sobrevivência à poliarterite nodosa em cinco anos é de 13%. Com tratamento, essa sobrevivência pode chegar a 80%. Muitos pacientes vivem muitos anos com esta doença e na literatura médica são citados exemplos de curas inexplicáveis.

Quais são as complicações possíveis da poliarterite nodosa?

Algumas complicações possíveis da poliarterite nodosa incluem a insuficiência renal e a morte.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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