Queda da própria altura

O que é a queda da própria altura?
A queda da própria altura é aquela em que a vítima cai no próprio nível em que se encontra. Significa perder repentinamente a posição ereta, como na situação “tropeçou e caiu”. Significa cair de uma posição vertical para outra horizontal. Ela difere das quedas de alturas em que a pessoa cai para níveis diferentes e inferiores àquele em que se encontra.
Essas quedas são tão frequentes que podem ser consideradas um problema de saúde pública, seja por seus efeitos diretos e indiretos sobre a saúde da população, seja por piorar estados mórbidos prévios.
Quais são as causas das quedas da própria altura?
As quedas da própria altura podem se dever a fatores internos (condições fisiológicas) ou a fatores externos (ambientais).
As primeiras ocorrem, por exemplo, quando o paciente sofre um desmaio inesperado, como acontece com os epilépticos. Pode acontecer também por uma fratura espontânea em pacientes com doenças ósseas ou osteoporose ou em pacientes que, por qualquer razão, perderam o equilíbrio (bêbados, por exemplo) ou apresentaram tonteiras por vários motivos. Pessoas com deficiências motoras ou que estejam mentalmente confusas ou desorientadas têm maior probabilidade de sofrerem quedas.
As segundas são quedas em que a pessoa cai por ter escorregado, tropeçado, embaraçado os pés em fios ou tapetes, por exemplo.
Alguns fatores favorecem as quedas da própria altura: chão escorregadio, calçados inapropriados, objetos deixados pelo chão (principalmente brinquedos), escadas, uso de álcool e drogas, acidentes da marcha, animais soltos dentro de casa, buracos nas calçadas, etc.
Leia mais sobre "Desmaios", "Epilepsias", "Distúrbios do equilíbrio", "Osteopenia", "Osteoporose" e "Fraturas ósseas".
Quais são as principais características clínicas da queda da própria altura?
A queda da própria altura geralmente é menos grave que as quedas de altura, mas também pode causar lesões graves à saúde do indivíduo. Grande número de quedas nem chegam a causar algum problema e elas podem ser consideradas banais. Para as outras, o resultado depende em grande parte das consequências da queda: bater com a cabeça, impactar ou fraturar um osso, distender um músculo, etc. Em casos determinados, dependendo de suas consequências, as quedas da própria altura podem inclusive ser letais.
Embora esse tipo de queda seja mais comum em idosos, epilépticos e usuários de drogas, pode, eventualmente, ocorrer a qualquer pessoa. As quedas podem ser repentinas e sem aviso prévio ou serem precedidas de manifestações que as prenunciam. Estas últimas permitem que o indivíduo adote alguma medida de proteção, o que não é possível com as outras. Por isso, as pessoas que sofrem quedas repentinas são muito mais sujeitas a sofrerem lesões (às vezes graves) que aquelas cuja queda apresenta manifestação prévia.
É importante também levar em conta o local em que a queda se verifica. Por exemplo, o banheiro é cheio de peças rígidas, favorecendo os traumatismos; nas ruas é possível bater a cabeça contra o meio fio, etc. Assim, um simples tombo pode ter consequências imediatas importantes, motivar uma internação ou uma cirurgia ou deixar sequelas. É comum que haja fraturas, hematomas subdurais, sangramentos e mesmo óbitos e impactos negativos como sequelas, medos e depressão.
Situação especial das quedas da própria altura em idosos
Uma situação de importância especial se refere às quedas em idosos. Elas são eventos frequentes, na maioria das vezes causadoras, no mínimo, de escoriações e lesões. Mas é comum que haja também lesões mais graves como fraturas no fêmur proximal (que podem ter consequências fatais) e dos membros superiores (ombro e punho).
Além disso, as consequências de quedas em idosos podem dar origem a outras doenças (pneumonias, tromboflebites, infecção do trato urinário, diminuição do fluxo sanguíneo, osteoporose e demência) ou à piora de doenças pré-existentes. Muito frequentemente é necessária a internação para o acompanhamento e o tratamento do idoso e isso pode causar novos problemas. Além das chances de contrair infecção hospitalar, o paciente acamado pode sofrer trombose em razão da imobilidade a que é forçado.
Após a recuperação, é comum que o idoso apresente ptofobia (medo excessivo de assumir a postura de pé) ou um pavor descontrolado de andar novamente. É comum que a pessoa apresente alterações de marcha e do equilíbrio e tenha que reduzir suas atividades. Geralmente, o paciente passa a depender de bengalas para se locomover. Socialmente, o idoso deixa de frequentar locais e pessoas que faziam parte de sua rotina, estabelecendo um certo isolamento e, às vezes, certa depressão.
Veja também sobre "Traumatismos cranianos", "Hematomas subdurais", "Tonturas" e "Demência".
