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Sepse em crianças

Thursday, May 12, 2022
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Sepse em crianças

O que é sepse em crianças?

Quando uma criança (ou adulto) tem uma infecção por vírus, bactérias ou fungos, o sistema imunológico do corpo entra em ação para combatê-la. Geralmente os sintomas dessas infecções são tratáveis e uma resposta imunológica saudável garante que a criança se recupere totalmente em poucos dias. No entanto, quando o sistema imunológico libera substâncias químicas na corrente sanguínea para combater a infecção, essas substâncias podem atacar órgãos e tecidos normais, tornando a situação bem mais grave e, por vezes, fatal.

Essa reação imune exagerada é denominada sepse, e pode ocorrer tanto em crianças quanto em adultos. Embora a sepse seja uma condição muito grave, ela é, felizmente, bastante rara.

Quais são as causas da sepse em crianças?

A sepse que afeta recém-nascidos é quase sempre causada por bactérias circulantes no sangue. Bebês prematuros, especialmente aqueles que precisam passar algum tempo na UTI neonatal, correm maior risco de sepse porque têm um sistema imunológico ainda não desenvolvido e, ao mesmo tempo, precisam de procedimentos médicos mais arriscados. Eles podem ser expostos a bactérias por meio de manobras médicas que envolvem penetrar no organismo – como acessos intravenosos, cateteres ou tubos respiratórios, por exemplo.

Ocasionalmente, infecções transmitidas da mãe para o bebê também podem causar sepse. Os riscos de infecção em recém-nascidos ficam aumentados se há infecção materna durante o trabalho de parto, infecção do útero ou da placenta, ruptura do saco amniótico antes de 37 semanas de gestação e ruptura do saco amniótico 18 horas ou mais antes do parto.

Qual é o substrato fisiopatológico da sepse em crianças?

O espectro da sepse varia de invasão microbiana da corrente sanguínea ou intoxicação com sinais precoces de comprometimento circulatório até colapso circulatório completo com síndrome de disfunção de múltiplos órgãos e morte. Todas essas manifestações fazem parte do que é mais apropriadamente denominado Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS ou SIRS, do inglês Systemic Inflammatory Response Syndrome), que resulta de um insulto infeccioso e da resposta do hospedeiro a ele.

Se a SIRS for identificada e revertida precocemente, a cascata inflamatória subsequente pode ser evitada ou atenuada. No entanto, em algumas situações, danos adicionais ocorrem porque o insulto ou a resposta imune do hospedeiro é muito grande. Se a SIRS não for identificada e revertida precocemente, o débito cardíaco pode cair, a resistência vascular periférica pode aumentar e pode ocorrer uma derivação do sangue de seu fluxo normal. Isso resulta em hipóxia tecidual, disfunção de órgão-alvo, acidose metabólica, lesão ou falha do órgão-alvo e morte.

Saiba mais sobre "Falta de ar", "Oximetria" e "Saturação de oxigênio".

Quais são as características clínicas da sepse em crianças?

A sepse leva a uma inflamação grave em todo o corpo que, por sua vez, pode gerar danos aos tecidos e falência de órgãos. Quando os órgãos começam a parar de funcionar, o corpo pode entrar em um estágio de sepse chamado “choque séptico” e a ameaça de morte é iminente.

Recém-nascidos ou bebês com sepse podem apresentar esses sintomas:

  • fontanelas ou moleiras (espaço amolecido entre os ossos do crânio dos recém-nascidos) salientes;
  • alterações na frequência cardíaca;
  • diminuição da micção;
  • dificuldade em acordar e se manter acordado;
  • desinteresse ou dificuldade em se alimentar;
  • febre alta;
  • incapacidade ou falta de vontade de fazer contato visual;
  • irritabilidade e/ou choro inconsoláveis;
  • icterícia (pele e/ou olhos amarelados);
  • letargia;
  • pausas respiratórias (apneias) por mais de 10 segundos;
  • irritação na pele que se torna pálida, irregular ou azulada (cianose);
  • dificuldade em respirar ou respiração rápida.

Em crianças maiores, os sintomas podem incluir, além desses, confusão mental e detecção de uma infecção pré-existente – como pneumonia, por exemplo.

O choque séptico é um agravamento da sepse e apresenta:

  • uma pressão arterial muito baixa que não responde aos tratamentos típicos;
  • dor abdominal;
  • atividade cardíaca anormal;
  • mudança no estado mental;
  • plaquetas muito diminuídas;
  • dificuldade ao respirar;
  • diminuição significativa da produção de urina.

Como o médico diagnostica a sepse em crianças?

Se o médico suspeitar de sepse ou quiser descartar uma infecção grave, ele pedirá exames de sangue para analisar a existência de infecção. A função hepática ou renal pode estar anormal ou os níveis de oxigênio podem estar baixos, indicando sepse. Ao examinar uma amostra de urina, o médico pode procurar por bactérias que possam indicar sepse.

Provavelmente ele fará também uma punção lombar e, ao examinar uma amostra de líquido espinhal, poderá verificar se há infecção, incluindo meningite. Por outro lado, uma radiografia de tórax ou outros exames de imagens podem mostrar pneumonia ou outras condições que causam sepse.

Como o médico trata a sepse em crianças?

O tratamento deve ser iniciado quanto antes possível para evitar danos aos órgãos. Se a criança tiver sepse, ela precisará ser tratada no hospital com antibióticos e fluidos intravenosos, bem como medicamentos para pressão arterial e, em alguns casos, equipamentos para ajudá-la a respirar.

O médico pode iniciar o tratamento com altas doses de antibióticos imediatamente, mesmo antes dos exames diagnósticos específicos voltarem do laboratório, continuando-os ou modificando-os conforme os resultados dos exames.

Como prevenir a sepse em crianças?

Não há como prevenir todos os casos de sepse, mas existem maneiras de proteger as crianças das infecções que podem causá-la. As vacinas existentes contra muitos agentes infecciosos devem estar em dia. A mulher que esteja grávida deve fazer o teste de GBS (coleta com uma espátula ou com um cotonete de material na superfície da entrada da vagina e do períneo) entre as semanas 35 e 37 da gestação, para análise em laboratório e saber se precisa de antibióticos e de qual deles, durante o trabalho de parto, de modo a não contaminar o bebê.

Outras crianças que podem eventualmente entrar em contato com um recém-nascido devem estar em dia com as vacinas. Pessoas doentes, mesmo de uma doença simples como a gripe, não devem ser permitidas de visitar bebês e crianças pequenas. Deve-se cuidar para que todo dispositivo que venha a ser introduzido no corpo da criança esteja bem esterilizado.

Leia sobre "Pneumonia em crianças", "Meningites" e "Encefalites".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NHS – National Health Service e do Hospital Infantil Sabará – SP.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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