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Sequestro esplênico - qual é o perigo?

Thursday, August 30, 2018
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Sequestro esplênico - qual é o perigo?

O que é o baço?

O baço é um órgão de coloração arroxeada encontrado em todos os vertebrados. No homem, ele fica localizado no quadrante superior esquerdo do abdômen. Sua estrutura é similar a um grande nódulo linfático e ele age principalmente como um filtro do sangue. Desempenha um papel essencial em relação aos glóbulos vermelhos do sangue (eritrócitos) e ao sistema imunológico, removendo os glóbulos vermelhos envelhecidos, e contém uma reserva de sangue, que pode ser valiosa em caso de choque hemorrágico.

Ele metaboliza a hemoglobina removida dos eritrócitos senescentes. A porção globina da hemoglobina é degradada em seus aminoácidos constitutivos e a porção heme é metabolizada em bilirrubina, que é removida pelo fígado. O baço sintetiza anticorpos em sua polpa branca e remove bactérias revestidas de anticorpos e células sanguíneas cobertas de anticorpos por meio da circulação sanguínea e linfática.

A polpa vermelha do baço é um reservatório que contém mais da metade dos monócitos do corpo. Esses monócitos, ao se moverem para o tecido lesionado, se transformam em células dendríticas e macrófagos que atacam os elementos invasores, enquanto promovem a cicatrização tecidual.

O baço é um centro de atividade do sistema mononuclear fagocitário e pode ser considerado análogo a um grande linfonodo, já que sua ausência causa uma predisposição para certas infecções.

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O que é sequestro esplênico?

Sequestro esplênico é uma complicação aguda grave, potencialmente fatal, responsável por grande morbidade e mortalidade em pacientes, sobretudo em crianças. Caracteriza-se pela agregação intraesplênica (dentro do baço) aguda de grandes quantidades de sangue e diminuição da concentração de hemoglobina de mais de 2g/dl comparada ao valor basal do paciente, aumento da eritropoiese e dilatação das dimensões do baço.

Dessa forma, grande quantidade de glóbulos vermelhos fica retida no interior do órgão, sobretudo as hemácias de formas alteradas. As hemácias normais são mais maleáveis e passam facilmente pelo baço.

Quais são as causas do sequestro esplênico?

O sequestro esplênico ocorre mais comumente como uma complicação da doença falciforme (hemácias em forma de foice). O sequestro esplênico agudo acontece quando os glóbulos vermelhos falciformes ficam aprisionados no baço, causando o aumento do órgão. A maioria dos casos de sequestro esplênico, nessa condição, ocorre em crianças entre 5 meses e 2 anos, com doença falciforme. O sequestro esplênico plaquetário pode ocorrer em várias outras doenças que causam esplenomegalia.

Qual é o mecanismo fisiológico do sequestro esplênico?

A doença falciforme afeta o modo como o corpo produz hemoglobina. Ela é uma parte importante dos glóbulos vermelhos (hemácias) que transporta oxigênio para o resto do corpo. As hemácias são geralmente discos planos e flexíveis que passam facilmente pelo baço. Com a doença falciforme, elas se tornam rígidas e em forma de lua crescente ou de foice e não vivem tanto quanto os glóbulos vermelhos comuns (cerca de 3 meses, em média) e às vezes ficam retidas em vasos sanguíneos. Assim, as células em forma de foice podem bloquear o fluxo sanguíneo através do baço, que então se enche de sangue e pode ficar inchado e dolorido.

Leia sobre "Anemia falciforme".

Quais são as principais características clínicas do sequestro esplênico?

Como dito, o sequestro esplênico refere-se a uma condição aguda de agregação de grandes quantidades de sangue no interior do baço. Ele afeta cerca de 30% das crianças com anemia falciforme. Esplenomegalia, palidez ou letargia aguda podem ser os primeiros sinais e sintomas clínicos de uma crise de sequestro esplênico.

A condição faz com que o baço fique maior e reduz a quantidade de glóbulos vermelhos transportadores de oxigênio no corpo. Durante crises graves de sequestro, o baço cheio de sangue pode aumentar até o ponto de preencher todo o abdome, resultando em choque hipovolêmico que pode levar à morte dentro de horas após o seu início.

Eventos de sequestro menores são comuns em crianças pequenas com doença falciforme. Alguns casos estão associados a doenças virais. Entre os sintomas mais comuns incluem-se dor no lado esquerdo do abdômen, pele pálida, respiração rápida, batimentos cardíacos acelerados e irritabilidade e sonolência incomuns.

Como o médico diagnostica o sequestro esplênico?

O sequestro esplênico agudo é uma emergência médica. O exame físico mostrará um baço inchado (aumentado de tamanho). Um exame de sangue deve ser feito para procurar um número menor de glóbulos vermelhos ou outros componentes que compõem o sangue, como glóbulos brancos ou plaquetas. Uma radiografia ou tomografia computadorizada deve ser feita para obter imagens do interior do corpo.

Como o médico trata o sequestro esplênico?

O tratamento imediato das crises de sequestro deve ser feito com expansores de volume e transfusão de sangue para reverter o choque hipovolêmico. Isso pode ajudar a remobilizar o sangue sequestrado no baço e levar à regressão da esplenomegalia em um período relativamente curto de tempo.

Como o sequestro tende a se repetir e devido à natureza aguda dos sintomas potencialmente catastróficos e do desfecho fatal, a esplenectomia deve ser considerada se a criança teve mais de um episódio.

Quais são as complicações possíveis do sequestro esplênico?

O sequestro esplênico já é uma complicação da anemia falciforme, mas com ele a pessoa fica sem células sanguíneas suficientes para transportar oxigênio para o resto do corpo e pode ter anemia grave. O sequestro esplênico pode causar uma queda perigosa nos glóbulos vermelhos, mesmo que outros sintomas ainda não estejam aparecendo.

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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