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Síndrome de Conn ou Hiperaldosteronismo primário. Como é? O que devemos saber?

terça-feira, 1 de setembro de 2020
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Síndrome de Conn ou Hiperaldosteronismo primário. Como é? O que devemos saber?

O que é Síndrome de Conn?

A Síndrome de Conn, também chamada hiperaldosteronismo primário ou simplesmente aldosteronismo primário, corresponde a um grupo raro de desordens caracterizadas pelo excesso de produção do hormônio aldosterona pelas glândulas adrenais. A aldosterona é um hormônio que controla os níveis de sal e potássio no sangue, de modo que em níveis elevados leva à hipertensão. O hiperaldosteronismo primário foi descrito em 1955 por Jerome Conn.

Quais são as causas da Síndrome de Conn?

O hiperaldosteronismo primário tem várias causas. Cerca de 33% dos casos são decorrentes de um adenoma adrenal que produz aldosterona e 66% dos casos são decorrentes de uma hiperplasia de ambas as glândulas suprarrenais. A maioria dos casos de síndrome de Conn é aleatória, mas alguns são transmitidos por um dos pais. A síntese exacerbada de aldosterona pode ser decorrente de hiperplasia das glândulas adrenais, uni ou bilateral, além de tumores benignos ou, mais raramente, malignos. As causas que determinam a origem do adenoma ou hiperplasia não são conhecidas. Há raros casos de hiperaldosteronismo de origem genética. Em todos os casos, é liberado um excesso de aldosterona.

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Qual é o substrato fisiológico da Síndrome de Conn?

As glândulas suprarrenais são pequenas glândulas triangulares que secretam aldosterona, localizadas acima dos polos superiores dos rins. A aldosterona é um hormônio da família dos mineralocorticoides sintetizado no córtex dessas glândulas, que tem como principal função a regulação do balanço eletrolítico, ou seja, o controle de fluidos e minerais no organismo. O principal papel que ela cumpre nesse intento é estimular a retenção de sódio e promover a excreção de potássio pelos rins, glândulas salivares e sudoríparas.

Por sua vez, a renina (ou angiotensina) é uma enzima circulante liberada pelas células justaglomerulares dos rins em resposta a uma série de estímulos fisiológicos. Ela é também um hormônio responsável por estimular a síntese de aldosterona pelas glândulas adrenais e provoca a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, que visa controlar a pressão arterial. Ela regula a entrada e saída de sangue no glomérulo renal, com aumento ou diminuição da pressão arterial. Contudo, a sua atuação em condições anormais gera efeitos deletérios ao sistema cardiovascular.

Quais são as características clínicas da Síndrome de Conn?

A síndrome de Conn é mais comum em mulheres do que em homens. Pode acontecer em qualquer idade, mas com mais frequência em pessoas na faixa dos 30 e 40 anos. O hiperaldosteronismo que ela supõe pode levar à hipocalcemia, alcalose metabólica, hipertensão arterial e, em certos casos, hipernatremia. Essas manifestações e sintomas costumam ser inespecíficos e isolados, mas indivíduos com hipocalcemia e hipertensão arterial podem apresentar também aumento da frequência urinária, sede em excesso, fraqueza, fadiga, paralisias temporárias, palpitação, cefaleia, contraturas musculares, sensação de “agulhadas” e formigamento.

Como o médico diagnostica a Síndrome de Conn?

Exames de sangue e de urina podem verificar se há níveis elevados de aldosterona no sangue. A presença de hipocalcemia em indivíduos hipertensos sugere o diagnóstico de síndrome de Conn. Esse diagnóstico pode ser confirmado por meio da determinação dos níveis sanguíneos de aldosterona e renina. Na síndrome de Conn, a aldosterona encontra-se muito elevada, enquanto a renina encontra-se extremamente baixa ou nem é possível detectá-la.

Há quem recomende o rastreamento das suprarrenais em todas as pessoas com pressão alta, medindo-se a proporção de aldosterona/renina no sangue. O baixo teor de potássio no sangue está presente apenas em cerca de um quarto das pessoas. O médico pode solicitar uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética para encontrar o lado de um adenoma ou hiperplasia.

Como o médico trata a Síndrome de Conn?

O tratamento do hiperaldosteronismo é feito por meio da resolução do fator que está desencadeando a elevada síntese e liberação de aldosterona, por meio de cirurgia. A cirurgia quase sempre é feita por laparoscopia, embora a cirurgia adrenal seja complexa. A hiperplasia bilateral é tratada com diuréticos, que ajudam a controlar o acúmulo de fluidos no corpo. A pressão arterial pode ser controlada pelo uso de medicamentos anti-hipertensivos.

Como evolui a Síndrome de Conn?

A síndrome de Conn, representada pelo hiperaldosteronismo, geralmente é uma condição curável. O tratamento cirúrgico adequado do adenoma adrenal da síndrome de Conn quase sempre é bem sucedido e os pacientes podem voltar a ter níveis normais de pressão arterial e interromper a administração de medicamentos. Mesmo assim, os pacientes devem ser monitorados por toda a vida para detecção precoce de um possível segundo adenoma, uma situação que, no entanto, só ocorre muito raramente.

Veja também sobre "Dieta para hipertensos", "Distúrbios hidroeletrolíticos", "A importância da água para a saúde" e "Adenomas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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