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Síndrome de Frey: entenda essa condição neurológica

quinta-feira, 24 de outubro de 2024
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Síndrome de Frey: entenda essa condição neurológica

O que é síndrome de Frey?

A síndrome de Frey, também conhecida como síndrome auriculotemporal ou síndrome da sudorese gustativa, é uma condição neurológica rara. Caracteriza-se pela ocorrência de sudorese, vermelhidão e, às vezes, dor na região do rosto, especialmente ao redor da orelha, mandíbula e bochecha, ao comer ou pensar em comida.

Apesar de relatada na literatura desde 1757, por Duphenix, foi caracterizada somente em 1853 por Baillarger, mas foi a neurologista polonesa Lucja Frey (1889–1942) a responsável por ter descrito, corretamente, os sintomas e a participação da inervação autonômica da glândula paratireoide e da pele, tendo a síndrome, desde então, tomado seu nome.

Quais são as causas da síndrome de Frey?

A síndrome de Frey geralmente ocorre após uma cirurgia na região da glândula salivar da bochecha (parótida) ou em áreas próximas, bem como após traumas na face. Isso pode causar danos aos nervos que inervam a glândula ou a região. Durante o processo de regeneração nervosa, as fibras nervosas podem se reconectar de maneira anômala, o que faz com que os estímulos que normalmente ativam a secreção salivar também ativem as glândulas sudoríparas da pele.

Os motivos mais comuns da síndrome de Frey são abscessos parotídeos, traumatismos da face, cirurgia mandibular ou parotidectomia, nos quais as fibras nervosas parassimpáticas podem tornar-se descontínuas, o que leva à regeneração neuronal errônea.

Leia sobre "Caxumba", "Paralisia facial" e "Litíase das glândulas salivares".

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome de Frey?

Durante a cirurgia da glândula parótida, que é inervada pelo nervo auriculotemporal (uma ramificação do nervo trigêmeo), ou um trauma facial que afete esse nervo, ele pode ser danificado e passar a funcionar mal.

O nervo auriculotemporal consiste de fibras parassimpáticas que sinalizam à glândula parótida para produzir saliva e fibras simpáticas que inervam as glândulas sudoríparas da face e do couro cabeludo. Após esse nervo ser danificado, pode ocorrer uma regeneração aberrante das fibras nervosas que, em vez de se reconectarem corretamente com as células secretoras da glândula parótida, se ligam com as fibras nervosas simpáticas responsáveis pela sudorese facial.

Como resultado dessa conexão errônea, quando a glândula parótida é estimulada durante a mastigação, o sinal nervoso destinado a ativar a secreção de saliva também provoca a ativação das glândulas sudoríparas na pele da bochecha e isso leva à sudorese e vermelhidão da pele em resposta a estímulos que normalmente ativariam a secreção de saliva. Este transtorno acontece em decorrência da estimulação salivar ao comer, beber ou perceber alimentos.

Quais são as características clínicas da síndrome de Frey?

A síndrome de Frey é caracterizada pela ocorrência de vermelhidão, sensação de calor e sudorese excessiva na pele do rosto, especificamente na região da bochecha e mandíbula, numa área à frente da orelha, durante a ingestão de alimentos, principalmente aqueles que são salgados ou condimentados. Ocasionalmente, também pode haver dor ou desconforto na mesma área.

Como o médico diagnostica a síndrome de Frey?

O diagnóstico baseia-se na história clínica do paciente e na observação direta dos sintomas. Um método diagnóstico comum é o teste de iodo-amido, no qual se aplica iodo na pele afetada e, em seguida, se polvilha amido. Ao comer, as áreas de sudorese ficam azul-escuras devido à reação entre o iodo e o amido.

Em alguns casos, podem ser realizados exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, para avaliar a glândula parótida e excluir outras causas de sintomas. Teste de gustação também pode ser realizado para avaliar a resposta da glândula parótida a estímulos alimentares específicos.

Como o médico trata a síndrome de Frey?

A síndrome de Frey não tem cura. Não existe nenhum tratamento específico para ela.

Um dos tratamentos mais eficazes e mais utilizados para controlar os sintomas e para bloquear os nervos que causam a sudorese é a toxina botulínica (Botox). Podem ser tentados, também, agentes antimuscarínicos, que são medicamentos que bloqueiam a ação da acetilcolina nos receptores muscarínicos do sistema nervoso.

Em casos graves, pode-se considerar a cirurgia para tentar corrigir a inervação anômala.

Como terapias conservadoras, podem ser usados panos absorventes ou toalhas para controlar a sudorese. Embora seja uma condição crônica, os sintomas da síndrome de Frey podem ser gerenciados de maneira eficaz, com os tratamentos adequados.

Veja também sobre "Fratura de mandíbula", "Trismo" e "Neuralgia do trigêmeo".

Como evolui a síndrome de Frey?

A síndrome de Frey é uma condição benigna e tende a não se modificar, uma vez estabelecida. Pacientes assintomáticos raramente são tratados e são estudados apenas para fins acadêmicos. A maioria dos pacientes que apresenta sintomas pode ser eficazmente tratada com tratamento médico conservador, incluindo antitranspirantes tópicos, anticolinérgicos e toxina botulínica. Aqueles com casos graves ou refratários podem ser tratados com cirurgia.

Em crianças, a regressão espontânea dos sintomas ocorre em 69% das apresentações unilaterais. A forma bilateral não está relacionada ao trauma pós-natal e remite durante o primeiro ano de vida em 58% dos pacientes.

Como prevenir a síndrome de Frey?

O principal método de prevenção do desenvolvimento da síndrome de Frey é criar uma barreira no momento da cirurgia da parótida que impeça a regeneração nervosa aberrante entre as fibras secretomotoras parassimpáticas e as glândulas sudoríparas na região parótida.

Várias técnicas foram descritas na literatura com esse objetivo. Todas têm riscos e desvantagens associados, incluindo a criação de uma área doadora, tempo operatório prolongado, eficácia variável na prevenção da síndrome de Frey, infecção da ferida, rejeição e complicações pós-operatórias.

Quais são as complicações possíveis com a síndrome de Frey?

Embora não haja complicações médicas significativas associadas à síndrome, ela pode reduzir significativamente a qualidade de vida do paciente. A percepção subjetiva e o desconforto associados à síndrome de Frey podem persistir por mais de cinco anos após a cirurgia. Questionários de qualidade de vida mostraram uma correlação estatisticamente significativa entre a síndrome de Frey e diminuição do funcionamento social, dificuldades econômicas, defeitos de fala, redução da sexualidade e má nutrição oral.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do PubMed, da Cleveland Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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