Síndrome de Morquio (MPS IV): conheça essa doença genética hereditária

O que é síndrome de Morquio?
A síndrome de Morquio, também conhecida como mucopolissacaridose (MPS) tipo IV, é um distúrbio metabólico hereditário muito raro que pertence ao grupo de doenças conhecidas como mucopolissacaridoses. Ela afeta o desenvolvimento do esqueleto, especialmente da coluna vertebral, enquanto o restante do corpo pode (ou não) manter um crescimento normal. Existem dois tipos de síndrome de Morquio, tipo A e tipo B, dependendo da enzima alterada.
A síndrome deve seu nome ao Dr. Morquio, pediatra uruguaio que em 1929 descreveu uma família com quatro crianças afetadas.
Quais são as causas da síndrome de Morquio?
Ambos os tipos da Síndrome de Morquio (tipo A e tipo B) são causados por mutações genéticas que afetam enzimas específicas. A Síndrome de Morquio tipo A é causada por mutações no gene GALNS, que codifica a enzima N-acetilgalactosamina-6-sulfatase. A Síndrome de Morquio tipo B é causada por mutações no gene GLB1, que codifica a enzima betagalactosidase.
A herança da síndrome de Morquio é autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais devem ser portadores do gene defeituoso para que a criança desenvolva a doença.
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Qual é o substrato da síndrome de Morquio?
A Síndrome de Morquio caracteriza-se por uma deficiência enzimática que afeta a decomposição de certos mucopolissacarídeos, resultando no acúmulo desses compostos em várias partes do corpo. Esse armazenamento anormal leva a uma série de problemas de saúde e sintomas que podem variar em gravidade.
A mutação genética da Síndrome de Morquio afeta os genes responsáveis pela produção de enzimas necessárias para degradar os glicosaminoglicanos (GAG). A enzima N-acetilgalactosamina-6-sulfatase é responsável por quebrar os GAGs chamados queratano-sulfato e condroitina-6-sulfato. A enzima beta-galactosidase está envolvida na quebra do GAG queratano-sulfato.
Sem essas enzimas, esses GAGs se acumulam nas células, levando a sintomas característicos da síndrome. Em ambos os tipos (A e B), o acúmulo desses mucopolissacarídeos pode afetar várias partes do corpo, incluindo ossos, cartilagens, tecido conjuntivo, órgãos internos e sistema nervoso central. Isso pode levar a sintomas como deformidades ósseas, problemas cardíacos, dificuldades respiratórias, distúrbios da visão e audição, entre outros.
Quais são as características clínicas da síndrome de Morquio?
Pessoas com síndrome de Morquio apresentam características físicas distintivas, como um crescimento anormal dos ossos, especialmente no crânio, coluna vertebral, tórax e pernas. Isso pode resultar em uma aparência facial particular, com uma testa proeminente, um nariz achatado e dentes apinhados. Também podem ter deformidades esqueléticas, como uma coluna vertebral curvada, ossos curtos e deformidades nas articulações.
Além dos problemas esqueléticos, a síndrome de Morquio pode afetar outros sistemas do corpo, incluindo coração, olhos, ouvidos e sistema respiratório. Os sintomas podem variar amplamente entre os indivíduos e podem incluir problemas respiratórios, problemas cardíacos, perda de audição, problemas visuais, dificuldades para engolir e hérnias.
A gravidade dos sintomas pode variar amplamente entre os indivíduos, mesmo dentro do mesmo subtipo, devido a variações genéticas adicionais e fatores ambientais.
Como o médico diagnostica a síndrome de Morquio?
O diagnóstico deve começar por um histórico médico detalhado e um exame físico completo para identificar possíveis sinais e sintomas típicos da síndrome de Morquio, como deformidades ósseas, baixa estatura e anormalidades faciais. A seguir, testes laboratoriais podem medir os níveis de mucopolissacarídeos na urina, que geralmente estão elevados em pacientes com a síndrome.
O diagnóstico definitivo é confirmado por meio de testes genéticos, que podem identificar mutações nos genes responsáveis pela doença. Esses testes também ajudam a determinar o tipo específico de síndrome de Morquio.
Exames de imagens ósseas, como radiografias, ressonância magnética e tomografia computadorizada podem ser realizados para avaliar deformidades esqueléticas, anomalias no desenvolvimento ósseo e complicações nas articulações e na coluna vertebral. Os pacientes com síndrome de Morquio também podem passar por avaliações cardíacas e respiratórias para detectar possíveis complicações nessas áreas.
O diagnóstico precoce é importante para iniciar o tratamento e manejo adequados, que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir o risco de complicações a longo prazo.
Como o médico trata a síndrome de Morquio?
Não há cura para a Síndrome de Morquio. O tratamento concentra-se em aliviar os sintomas e/ou complicações da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Isso pode incluir terapias de reposição enzimática, bem como tratamentos para gerenciar os sintomas específicos, como cirurgia ortopédica para corrigir deformidades esqueléticas ou dispositivos de assistência para mobilidade.
A terapia de reposição enzimática por infusão intravenosa regular pode ajudar a reduzir o acúmulo de mucopolissacarídeos no corpo, aliviando assim alguns dos sintomas. Um tratamento de suporte e sintomático pode ajudar a gerenciar uma variedade de sintomas e complicações, como dor, deformidades esqueléticas, problemas respiratórios, problemas cardíacos, problemas de audição e visão, além de complicações nas articulações. Isso pode incluir medicamentos para dor, cirurgia ortopédica, fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, dispositivos de assistência respiratória e outras intervenções para melhorar a qualidade de vida.
Um monitoramento regular deve ser feito para detectar e tratar precocemente eventuais complicações associadas à doença. Cirurgias podem ser feitas para corrigir deformidades ósseas e o uso de dispositivos ortopédicos e terapia física podem ser recomendados para melhorar a mobilidade e prevenir complicações adicionais.
Como evolui a síndrome de Morquio?
A evolução da síndrome de Morquio varia de pessoa para pessoa e os sintomas podem piorar com o tempo. É importante que os pacientes recebam acompanhamento regular para gerenciar os sintomas e evitar complicações. O tratamento precoce e abrangente pode ajudar a melhorar a qualidade de vida e atrasar a progressão da doença.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande (Paraíba) e da SBGM - Sociedade Brasileira de Genética Médica.
