AbcMed

Síndrome de Pallister Hall - quais os sintomas e como devemos proceder?

terça-feira, 26 de maio de 2020
Avalie este artigo
Síndrome de Pallister Hall - quais os sintomas e como devemos proceder?

O que é a síndrome de Pallister Hall?

A Síndrome de Pallister-Hall é uma doença genética extremamente rara, que acarreta muitas alterações no desenvolvimento neuropsicomotor já aparentes no momento do nascimento. Ela é caracterizada pela presença de hamartomas hipotalâmicos que podem ser vistos como uma massa no assoalho do terceiro ventrículo.

A síndrome de Pallister-Hall foi assim nomeada em homenagem a Philip Pallister e Judith Hall, que primeiro a descreveram em 1980.

Quais são as causas da síndrome de Pallister Hall?

A síndrome de Pallister-Hall é uma doença hereditária, autossômica dominante, causada por uma mutação no gene GLI3, localizado no braço curto do cromossomo 7, que possui informações para a síntese de uma proteína que controla a expressão ou não de genes em vários tecidos do corpo humano. O GLI3 é o único gene conhecido associado à síndrome de Pallister-Hall e 95% dos indivíduos afetados têm uma mutação genética identificável nesse gene.

Qual é o substrato fisiológico da síndrome de Pallister Hall?

Normalmente, as características genéticas são determinadas por dois genes, um recebido do pai e outro da mãe. Os distúrbios com herança autossômica dominante ocorrem quando apenas uma única cópia de um gene anormal é suficiente para o aparecimento da doença. No caso da síndrome de Pallister-Hall, a doença é causada pela presença de uma única cópia do gene GLI3. O gene anormal pode ser herdado de qualquer um dos pais ou pode ser o resultado de uma nova mutação no indivíduo afetado. O risco de transmitir o gene anormal do pai ou da mãe afetado(a) para a prole é de 50% a cada gravidez, independentemente do sexo da criança resultante.

Em alguns pacientes com a síndrome, a mutação no gene GLI3 não é herdada de nenhum dos pais e é uma nova mutação. É mais provável que esses pacientes sejam severamente afetados do que uma criança nascida de um dos pais afetados.

Quais são as características clínicas da síndrome de Pallister Hall?

A síndrome de Pallister-Hall apresenta uma ampla gama de gravidade. Enquanto alguns indivíduos afetados podem ter apenas algumas anormalidades características, outros podem ter a maioria dos sintomas e características físicas associadas ao distúrbio.

A apresentação clínica em geral inclui:

  1. Anormalidades endócrinas que variam de assintomáticas a panpituitarismo, como resultado do hamartoma hipotalâmico e da ausência da glândula pituitária
  2. Malformações dos membros (polidactilia, sindactilia e membros curtos)
  3. Uma divisão anormal da epiglote (epiglote bífida)
  4. Atresia anal
  5. Anomalias renais
  6. Anomalias genitourinárias
  7. Anomalias da segmentação pulmonar
  8. Anormalidades craniofaciais
  9. Frênula bucal
  10. Orelhas baixas e/ou anguladas posteriormente

Alguns indivíduos com síndrome de Pallister-Hall podem ter anormalidades adicionais, como a presença de dentes já ao nascimento, braços e/ou pernas anormalmente curtos e/ou quadris deslocados, agenesia (ausência) e/ou displasia (desenvolvimento inadequado) dos rins e/ou defeitos cardíacos congênitos (presentes desde o nascimento).

Saiba mais sobre "Polidactilia", "Sindactilia", "Cardiopatias congênitas" e "Hamartomas".

Como o médico diagnostica a síndrome de Pallister Hall?

O diagnóstico de síndrome de Pallister-Hall é feito com base em uma avaliação clínica completa, uma história familiar detalhada e uma variedade de testes especializados.

Certos exames de imagens permitem um diagnóstico preciso da síndrome de Pallister Hall. A ressonância magnética é a modalidade de imagem de escolha para detectar e detalhar o hamartoma hipotalâmico. Ele aparece como não calcificado, isointenso (homogeneamente) à substância cinzenta em T1 e hiperintenso em T2. Esses achados são úteis na distinção entre hamartoma hipotalâmico e lesões suprasselares mais comuns.

Como o médico trata a síndrome de Pallister Hall?

Bebês com síndrome de Pallister-Hall que apresentem função hipofisária diminuída ou ausente devem iniciar imediatamente terapia de reposição hormonal. Deve ocorrer um monitoramento rigoroso desses pacientes e tratamento imediato para evitar complicações com risco de vida.

Exames periódicos com equipamento especializado para monitorar a malformação hipotalâmica associada a esse distúrbio são essenciais. Muitas vezes, é necessário um exame de ressonância magnética, uma vez que a tomografia computadorizada nem sempre pode detectar hamartomas hipotalâmicos. O hamartoma, por sua vez, deve ser cuidadosamente diferenciado de um tumor hipofisário, porque cada um requer providências médicas diferentes.

As convulsões, quando existem, podem ser tratadas com um medicamento anticonvulsivante. O aconselhamento genético é recomendado para indivíduos afetados e seus familiares.

Como evolui em geral a síndrome de Pallister Hall?

O prognóstico naqueles casos sem histórico familiar conhecido é baseado na gravidade das malformações presentes. Embora a maioria dos indivíduos com síndrome de Pallister-Hall não tenha malformações com risco de vida, a morte precoce provavelmente estará associada ao panpituitarismo, malformação grave das vias aéreas, como fendas laringotraqueais, e/ou ânus não perfurado não reconhecido.

Veja também sobre "Malformações fetais", "Tumores da hipófise" e "Hipopituitarismo".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da NORD – National Organization for Rare Disorders e do GARD – Genetic and Rare Diseases Information Center.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Síndrome de Pallister Hall - quais os sintomas e como devemos proceder? | AbcMed