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Síndrome paraneoplásica

Monday, May 22, 2023
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Síndrome paraneoplásica

O que é síndrome paraneoplásica?

A síndrome paraneoplásica é uma doença rara, constituída por um conjunto de sinais e sintomas que precedem ou que ocorrem simultaneamente com a presença de uma neoplasia no organismo. Esses sintomas não estão relacionados diretamente com a invasão, obstrução ou efeitos metastáticos do tumor. Ou seja, as células malignas não causam diretamente sintomas relacionados ao tumor original ou à metástase, mas eles são devidos a substâncias produzidas pelo próprio tumor ou pelo sistema imunológico em resposta ao tumor.

Os sintomas podem se manifestar antes ou depois do diagnóstico do câncer. O reconhecimento imediato dessas síndromes é fundamental, pois pode revelar malignidade ainda oculta e, assim, o tratamento pode começar muito precocemente.

A síndrome paraneoplásica pode afetar vários sistemas do corpo, incluindo o sistema nervoso, sistema endócrino, sistema musculoesquelético, sistema hematológico, entre outros.

Quais são as causas da síndrome paraneoplásica?

As síndromes paraneoplásicas em geral são secundárias a uma malignidade ainda oculta, mas podem também ocorrer simultaneamente com o câncer. O mecanismo exato delas, contudo, ainda não está claro. A síndrome paraneoplásica pode ocorrer em qualquer tipo de câncer, mas é mais comum em certos tipos, como câncer de pulmão, câncer de mama, câncer de ovário e linfoma.

As causas específicas da síndrome paraneoplásica incluem, por exemplo:

  • a produção excessiva do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH);
  • danos aos nervos, como no caso da neuropatia periférica causada pelo câncer de pulmão ou linfoma de Hodgkin;
  • problemas autoimunes, como o aparecimento de anticorpos que atacam células normais do corpo, como no caso da síndrome miastênica;
  • associação a certos tipos de câncer de pulmão; etc.
Leia sobre: "É possível acabar com o câncer?", "Linfonodo sentinela" e "Distinção entre tumores benignos e malignos".

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome paraneoplásica?

A patogênese da síndrome paraneoplásica permanece sem clareza. Seus sintomas podem ser secundários às substâncias secretadas pelo tumor ou podem ser o resultado da atuação de anticorpos contra o tumor, que reagem de forma cruzada com outros tecidos. Os sintomas podem ocorrer em qualquer órgão ou sistema fisiológico. Cerca de 20% dos pacientes com câncer sofrem de síndromes paraneoplásicas, mas essas crises muitas vazes não são reconhecidas.

Os sintomas podem surgir pela liberação de autoanticorpos, citocinas, hormônios ou peptídeos que afetam vários sistemas de órgãos. Alterações na função do fígado e esteroidogênese (produção de esteroides) também podem contribuir.

As células tumorais são imunogênicas e levam à ativação do sistema imunológico, que reage contra elas, reconhecendo antígenos nas células tumorais e as atacando. No entanto, o sistema imunológico do corpo pode atacar também o tecido normal com uma apresentação de antígeno semelhante e levar a sintomas.

Quais são as características clínicas principais da síndrome paraneoplásica?

As manifestações clínicas dos sintomas não estão necessariamente associadas ao estágio patológico da malignidade subjacente, nem são um indicador de prognóstico. Os sintomas da síndrome paraneoplásica podem variar amplamente, dependendo do tipo e localização do câncer, bem como do sistema do corpo afetado.

Os pacientes com câncer apresentam:

  • febre;
  • sudorese noturna;
  • fadiga;
  • perda de peso;
  • alterações do sono;
  • anorexia;
  • caquexia;
  • e problemas neurológicos, como fraqueza muscular, dificuldade de equilíbrio e perda de memória.

Nas síndromes paraneoplásicas cutâneas, os pacientes podem ter muitos sintomas cutâneos, como:

Nas síndromes endócrinas podem aparecer:

Como o médico diagnostica a síndrome paraneoplásica?

O diagnóstico da síndrome paraneoplásica pode ser muito difícil e desafiador, pois seus sintomas muitas vezes imitam outras condições médicas. Quase sempre é um diagnóstico de exclusão, devendo ser descartadas todas as demais possíveis etiologias.

Se existe a suspeita de síndrome paraneoplásica, o paciente deve ser submetido a uma bateria de exames laboratoriais, de imagens, de eletrodiagnósticos e biópsia de tecidos específicos, incluindo:

Como o médico trata a síndrome paraneoplásica?

O manejo terapêutico da síndrome paraneoplásica é baseado no tipo, gravidade e localização da doença. Se for diagnosticada malignidade oculta, o primeiro passo é tratar a malignidade subjacente com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia, quando possível.

A síndrome paraneoplásica pode se beneficiar da imunossupressão com altas doses de corticosteroides, imunoglobulinas intravenosas, troca de plasma ou plasmaférese.

Quais são as complicações possíveis com a síndrome paraneoplásica?

As complicações envolvem principalmente os sistemas endócrino, neurológico, dermatológico, reumatológico e hematológico. Elas devem ser suspeitadas quando os sintomas clínicos são muito mais graves e os pacientes respondem menos ao regime de tratamento tradicional.

As complicações mais notáveis do lado endocrinológico incluem hiponatremia, hipercalcemia moderada a grave e hipoglicemia grave (abaixo de 20mg/dl). Do lado hematológico, tem-se trombocitose, aplasia pura de hemácias e granulocitose. Outras complicações possíveis são as reações secundárias relacionadas aos medicamentos usados no tratamento, que apresentam risco aumentado de hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, cardiotoxicidade e toxicidade pulmonar.

Veja também sobre "Câncer - informações importantes", "Prevenção do câncer" e "Tratamento das metástases ósseas".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do National Institutes of Health e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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