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Síndrome pós-poliomielite

terça-feira, 26 de outubro de 2021
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Síndrome pós-poliomielite

O que é a poliomielite?

A poliomielite (também conhecida como paralisia infantil) é uma doença infecciosa viral aguda, muito contagiosa, que acomete principalmente crianças pequenas de até 5-6 anos de idade, embora também possa, mais raramente, infectar crianças maiores e até mesmo adultos.

A composição grega do nome descreve precisamente em que consiste a enfermidade: poliós = cinza + myelós = medula espinhal + ite = sufixo usado para inflamações, ou seja, inflamação da substância cinzenta da medula espinhal.

Em geral, a enfermidade deixa como sequela irreversível uma paralisia flácida da musculatura da área atingida, na maioria das vezes, um dos membros inferiores. Como consequência, resta uma atrofia dos músculos envolvidos, o que acaba por complicar ainda mais a situação.

Hoje em dia, poucas pessoas nos países desenvolvidos contraem poliomielite paralítica, graças à vacina introduzida em 1955. No entanto, pessoas que contraíram poliomielite em uma idade jovem podem contrair a síndrome pós-poliomielite.

O que é a síndrome pós-poliomielite?

A síndrome pós poliomielite é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem, geralmente, após 30 a 50 anos (no mínimo 15 anos) após a infecção aguda da poliomielite, caracterizada principalmente por três sintomas cardinais: (1) nova fraqueza muscular, (2) fadiga e (3) dor.

Menos comumente, a síndrome inclui dificuldades respiratórias e de deglutição, atrofias musculares e intolerância ao frio, entre outros sintomas. Ela é conhecida desde 1875, quando Charcot a descreveu pela primeira vez, porém ficou mais reconhecida após a década de 1980, quando vários trabalhos científicos foram publicados nos Estados Unidos.

Alguns estudos têm tentado estimar a ocorrência da síndrome pós poliomielite, entretanto, devido às diferentes maneiras de defini-la e das metodologias aplicadas, a estimativa da prevalência dela varia muito e tem sido calculada entre 22% e 80% dos pacientes que apresentaram poliomielite paralítica. O período de estabilidade funcional é também variável nos estudos, mas o menor período encontrado foi de oito anos e o maior de 71 anos, com uma média de 35 anos.

Leia sobre "Doenças que causam cansaço excessivo", "Dor miofascial" e "Poliomielite: o que é e como pode ser evitada".

Quais são as causas e o mecanismo de produção da síndrome pós-poliomielite?

Existem várias teorias sobre o que causa e como se produz a síndrome pós-pólio, mas ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que quando o vírus da poliomielite infecta o corpo, ele afeta os neurônios motores, particularmente os da medula espinhal, que transmitem impulsos elétricos entre o cérebro e os músculos. Cada um desses neurônios tem numerosas fibras ramificadas chamadas dendritos, que fazem conexão com outros neurônios.

A infecção de poliomielite frequentemente danifica ou destrói muitos desses neurônios motores e, para compensar a escassez de neurônios resultante dessa destruição, os neurônios restantes geram novas fibras e as unidades motoras sobreviventes aumentam de tamanho.

Isso cria a necessidade da célula nervosa nutrir um número maior de fibras adicionais. Com o passar dos anos, esse esforço pode ser maior do que o neurônio pode suportar, levando à deterioração gradual das fibras germinadas e, eventualmente, do próprio neurônio.

Quais são as características clínicas da síndrome pós-poliomielite?

Os sinais e sintomas mais comuns da síndrome pós-pólio incluem fraqueza progressiva dos músculos e dor nas articulações, fadiga geral e exaustão ante atividade mínima, atrofia muscular, problemas de respiração ou deglutição, distúrbios respiratórios relacionados ao sono, como apneia do sono, por exemplo, e tolerância diminuída a temperaturas frias.

Na maioria das pessoas, a síndrome pós-pólio tende a progredir lentamente, com novos sinais e sintomas seguidos por períodos de relativa estabilidade.

Como o médico diagnostica a síndrome pós-poliomielite?

Não há um exame diagnóstico específico para a síndrome pós-pólio. O diagnóstico é baseado em um histórico médico, exame físico e exclusão de outras condições que possam causar os mesmos sinais e sintomas.

Para diagnosticar a síndrome pós-pólio, os médicos devem procurar por três indicadores fundamentais: (1) uma poliomielite prévia, (2) longo intervalo após a recuperação e (3) início gradual, geralmente nos mesmos músculos que foram afetados no momento da doença inicial.

Além disso, como os sinais e sintomas da síndrome pós-pólio são semelhantes aos de outras doenças, o médico tentará excluir outras causas possíveis, como artrite, fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e escoliose.

Como o médico trata a síndrome pós-poliomielite?

Não há um tratamento único para os vários sinais e sintomas da síndrome pós-pólio. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas, ajudar a torná-los mais toleráveis e a pessoa o mais independente possível.

Um fisioterapeuta pode indicar a melhor maneira de gastar menos energia nas atividades físicas diárias. Uma bengala, andador ou cadeira de rodas podem ajudar nessa tarefa. Uma barra de apoio para chuveiro ou um assento elevado de vaso sanitário também podem ajudar. Ademais, o fisioterapeuta pode ajudar com exercícios que fortaleçam os músculos, sem cansá-los.

Um fonoaudiólogo pode mostrar maneiras de compensar as dificuldades de deglutição. Os exercícios de fortalecimento da voz também podem ser úteis e algumas vezes o paciente pode precisar mudar seus padrões de sono, como evitar dormir de costas ou usar um dispositivo que ajuda a abrir suas vias respiratórias quando ele dorme.

Analgésicos comuns podem aliviar dores musculares e articulares. Analgésicos especiais só devem ser usados sob supervisão médica, devido aos riscos a longo prazo.

Como prevenir a síndrome pós-poliomielite?

A melhor forma de prevenir a síndrome pós poliomielite é prevenir a poliomielite. É essencial a vacinação de todas as crianças com a vacina da “gotinha” (vacina Sabin). É também importante observar todas as medidas higiênicas aconselhadas para a prevenção de doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos.

Quais são as complicações possíveis com a síndrome pós-poliomielite?

A síndrome de pós-poliomielite raramente é fatal, mas a fraqueza muscular grave pode levar a algumas complicações sérias: a fraqueza nos músculos das pernas torna mais difícil manter o equilíbrio e a pessoa pode sofrer quedas; se a pessoa teve uma modalidade de poliomielite que afetou músculos envolvidos na mastigação e deglutição pode ter complicações nessas áreas; a fraqueza do diafragma e dos músculos torácicos torna mais difícil respirar fundo e tossir.

A obesidade, o tabagismo, uma curvatura anormal da coluna, anestesia, imobilidade prolongada e certos medicamentos podem diminuir ainda mais a capacidade de respirar, levando a uma queda nos níveis de oxigênio no sangue.

Inatividade e imobilidade prolongadas são quase sempre acompanhadas por perda de densidade óssea (osteoporose), tanto em homens como em mulheres.

Veja também sobre "Hipotonia muscular", "Astenia", "Cinesiologia" e "Fisioterapia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, da Mayo Clinic e do NHS – National Health Service.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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